Pular para o conteúdo principal

DESMATAMENTOS E CARVOARIAS AFETAM ÁREA INDÍGENA APINAJÉ



DESMATAMENTOS E CARVOARIAS, AFETAM ÁREA INDÍGENA APINAJÉ.

    Nesta quinta-feira, dia 10 de janeiro de 2013, uma equipe da FUNAI/CTL de Tocantinópolis -TO, em parceria com a CIPRA-Companhia de Polícia Militar Rodoviária Ambiental e lideranças indígenas Apinajé, estiveram mobilizados com a finalidade de averiguar a existência de desmatamentos e carvoarias no entorno da terra indígena Apinajé, no município de Tocantinópolis, norte do Tocantins.
    Próximo á divisa da área indígena, numa estrada que dar acesso à cidade de Nazaré, na fazenda “dona Maria” no meio de um grande desmatamento, foi localizado a carvoaria Vitória Ltda, que usa madeiras do cerrado. O gerente apresentou documentação Autorização Ambiental, nº 3752-2012 emitida no dia 09/07/2012, pelo Instituto Natureza do Tocantins-NATURATINS de Palmas –TO. Pelo menos 30 fornos de carvão foram levantados e estão em funcionamento no local.
    Em outro setor, próximo à divisa da área indígena, a 6 km de distancia da 1ª carvoaria foi localizado outro grande desmatamento. No lugar foi levantado uma construção que serve de alojamento para os trabalhadores envolvidos na atividade. É possível que mais de 40 fornos estejam em funcionamento naquela carvoaria. Procurado o gerente não apresentou nenhuma documento, apenas informou que iria levar os documentação no dia 12/01, sexta-feira em Tocantinópolis, onde seriam apresentados ao pessoal da FUNAI-Fundação Nacional do Índio e da CIPRA-Companhia de Polícia Militar Rodoviária Ambiental.
    Diante desses desmatamentos e carvoarias que estão chegando e se instalando próximos a nossa área, solicitamos que a FUNAI e MPF-TO, tomem as devidas providencias e medidas cabíveis para impedir e embargar tais atividades, que não estão considerando a área indígena e muito menos respeitando a faixa de amortecimento de impactos de 10 km, prevista conforme a lei.
   Essa parte de nossa terra tradicional, (próximo à cidade de Nazaré, onde estão essas carvoarias) localizada entre os ribeirões raiz, gameleira e a BR 230 (transamazônica), ficou de fora da demarcação em 1985 e agora está sendo reivindicada por nosso povo. E por conta disso existe um processo de levantamento fundiário tramitando na FUNAI em Brasília.
    Somos sabedores, que não é competência do Instituto Natureza do Tocantins-NATURATINS, emitir licença e autorizar esses empreendimentos no entorno de áreas indígenas. Nesse caso cabe ao IBAMA fazer os EIA-RIMA e dar o licenciamento. A FUNAI informou que nunca foi notificada (ou informada) nem pelo NATURATINS, e nem pelo empreendedor.

                               Terra indígena Apinajé, 11 de janeiro de 2013.

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.


Desmatamento na divisa oeste da área Apinajé.


"Fazenda" de eucaliptos, no município de São Bento do
 Tocantins.

Projeto afetou as aldeias Buriti Cumprido e Cocalinho.

Carvoaria, usa madeiras de desmatamento na divisa da
 TI. Apinajé.

Servidores da FUNAI, em diligencias na região próximo a TI. 

Carvoaria usa madeiras de cerrado.

Trabalhador das carvoarias e servidor da FUNAI.


Pelo menos 30 fornos em funcionamento no local.

Licença do Naturatins

Cascalheira próximo a área indígena Apinajé.

Trabalhadores das carvoarias e equipe da FUNAI.


Aspecto assustador das carvoarias,.


Equipe da  Polícia Ambiental e o encarregados das carvoarias.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

HIDRELÉTRICAS

HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA: CONSTRUINDO DIÁLOGOS, TROCANDO EXPERIÊNCIAS CARTA DOS POVOS INDÍGENAS JURUNA, XERENTE, APINAJÉ  E KAYABIAs violações de direitos indígenas e direitos humanos no processo de construção de usinas hidrelétricas na Amazônia se repetem nas três Bacias hidrográficas do Tocantins-Araguaia, Xingu e Tapajós



No período de 27 a 29 de junho, mais de 50 lideranças indígenas representantes dos povos Juruna /PA, Kayabi/MT, Xerente e Apinajé/TO, estivemos reunidos na 3ª Oficina realizada pela RBA (Rede Barragens Amazônica), com o tema; “Hidrelétricas e povos indígenas- construindo diálogos, trocando experiências”, que aconteceu na aldeia Paquiçamba, região da Volta Grande do Xingu. Na Oficina debatemos o polêmico e traumático processo de construção de hidrelétricas nos rios da Amazônia e do Cerrado. As lideranças indígenas explicaram sobre o processo antes, durante e após a implantação das obras. Falaram dos conflitos com os empreendedores, das ameaças que estão expostos  e d…

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ.


Nos dias 10, 11 e 12 de outubro de 2012, foi realizado na aldeia Patizal terra indígena Apinajé, município de Tocantinópolis-TO, a 1ª Oficina de Artesanato e Saberes Tradicionais do Povo Apinajé. O evento teve a participação 80 pessoas, entre anciões, alunos, mulheres e professores.
       A realização dessa oficina  teve a finalidade  propiciar um espaço social e cultural, onde os mais idosos, que são detentores de conhecimentos e saberes tradicionais, podem estar ensinando e repassando aos mas jovens, alguns conhecimentos e saberes do povo Apinajé.

       Os participantes gostaram da ideia, e pediram que seja realizados mais vezes, (pelo menos uma vez por ano) essas oficinas. Essa primeira edição da oficina de artesanato, foi uma parceria da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, com a Supervisão de Educação Indígena do MEC/DRE-Delegacia Regional de Ensino de Tocantinópolis-TO  e da FUNAI/CTL de Tocantinópolis e t…

AGRICULTURA INDÍGENA

As formas de produzir e a agricultura tradicional do povo Apinajé, que habitam na região Norte de Tocantins
A unidade produtiva do povo Apinajé é a família extensa, dessa forma na hora de realizar serviços nos roçados, todos os membros da família (com exceção das crianças pequenas e idosos) participam. Os homens fazem os roçados. Os serviços de plantar, limpar e colher são tarefas predominantemente femininas, mas os homens também ajudam nestes trabalhos.

No final do período chuvoso entre os meses de maio a julho organizamos mutirões para realizar serviços de derrubada do mato. Após algumas semanas o mato seco é queimado para preparação do terreno. Após a queima do mato, os homens munidos de machados, foices e facões realizam os serviços de coivaras, cortando e ajuntando os pedaços de troncos, galhos e folhas remanescentes para serem queimados, assim fica pronto o terreno para o plantio.


O plantio ocorrem no início da estação chuvosa, no período que vai de outubro a dezembro. As próprias …