Pular para o conteúdo principal

CARTA AO MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE


Exmo Sr. ALEXANDRE PADILHA

     Nós lideranças indígenas dos Estados de Goiás e Tocantins, viemos manifestar e solicitar providências do Exmo. Ministro da Saúde, senhor Alexandre Padilha, no sentido de solucionar a grave situação de precariedade e abandono  da saúde dos povos indígenas destes dois Estados. Especialmente viemos denunciar a atuação conflituosa, intransigente e inadequada da senhora coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins-DSEI-TO, Ivanezília Ferreira Noleto.
    Há muito tempo viemos manifestando nossa insatisfação com  o mau atendimento, má gestão e falta de compromisso desta Coordenadora do DSEI-TO com os povos indígenas do Estado do Tocantins.   Denunciamos que a referida funcionaria  não tem cumprido os objetivos do atendimento aos povos indígenas do Estado do Tocantins, contrariando assim as expectativas e os direitos de nossas comunidades indígenas a uma saúde humana, diferenciada e de qualidade, conforme as diretrizes do Sistema Único de Saúde-SUS.
    Lamentavelmente constatamos que essa servidora tem se empenhado em usar o cargo público para cooptar as lideranças e o controle social dos Povos indígenas, fatos que tem  gerado divisões, conflitos, e divergências internas nas aldeias. Entendemos que o perfil do funcionário público deve ser de profissionalismo, diálogo e respeito,  o que não é o caso da senhora Ivanezilia Ferreira Noleto; cuja atuação no DSEI-TO Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins, tem sido marcada por manobras intencionais no intuito de retaliar e se vingar das lideranças que reclamam e questionam a sua má gestão naquele distrito. 
     Como é do vosso conhecimento a situação da saúde do povo brasileiro em geral é precária, para a nossa população indígena é pior ainda. Diante dessa situação de abandono em que se encontra a saúde indígena, viemos pedir socorro e solicitar  providencias urgentes do MS- Ministério da Saúde para resolver essa grave crise que tem como consequências a falta de médicos;  falta de medicamentos; falta de postos de saúde adequados e equipados; falta de transportes adequados; comunicação e pessoal qualificado, para atuar nas aldeias; agilidade nos encaminhamentos de exames e consultas; falta de saneamento básico e a falta de capacitação dos AIS-Agentes Indígenas de Saúde e os AISAN-Agentes Indígenas de Saneamento.
     Lembrando que essa crise na saúde indígena tem causado percas irreparáveis na vida das comunidades indígenas de todo o País. Ressaltamos que já fizemos várias mobilizações e protestos com objetivos de dialogar com a gestão do DSEI-TO, com a única finalidade de melhorar o atendimento a saúde de nossa população indígena, sendo que até o momento não foram resolvidas a maioria das nossas reivindicações.
    Dessa forma pedimos o afastamento imediato da senhora  Ivanezilia Ferreira Noleto da função de coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins DSEI-TO. E a nomeação de outro (a) funcionário (a) que responda com responsabilidade e compromisso as necessidades demandadas pela saúde dos povos indígenas daquele Estado, tal medida evitará mais constrangimentos e conflitos entre essa senhora e as lideranças dos povos indígenas do Estado do Tocantins. Acreditamos também que esta providencia melhorará a qualidade do atendimento da saúde nas aldeias.
    Cientes que podemos contar com a sua compreensão, desde já agradecemos em nome dos Povos Indígenas do Estado do Tocantins: Apinajé, Krahô, Xerente, Karajá Xambioá, Krahô Kanela, Kanela do Tocantins, Javaé, Karajá da Ilha do Bananal e Avá-Canoeiro.

Brasília (DF) quinta-feira, 22 de agosto de 2013.


A Comissão do Povos Indígenas dos Estados de Goiás e Tocantins:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

HIDRELÉTRICAS

HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA: CONSTRUINDO DIÁLOGOS, TROCANDO EXPERIÊNCIAS CARTA DOS POVOS INDÍGENAS JURUNA, XERENTE, APINAJÉ  E KAYABIAs violações de direitos indígenas e direitos humanos no processo de construção de usinas hidrelétricas na Amazônia se repetem nas três Bacias hidrográficas do Tocantins-Araguaia, Xingu e Tapajós



No período de 27 a 29 de junho, mais de 50 lideranças indígenas representantes dos povos Juruna /PA, Kayabi/MT, Xerente e Apinajé/TO, estivemos reunidos na 3ª Oficina realizada pela RBA (Rede Barragens Amazônica), com o tema; “Hidrelétricas e povos indígenas- construindo diálogos, trocando experiências”, que aconteceu na aldeia Paquiçamba, região da Volta Grande do Xingu. Na Oficina debatemos o polêmico e traumático processo de construção de hidrelétricas nos rios da Amazônia e do Cerrado. As lideranças indígenas explicaram sobre o processo antes, durante e após a implantação das obras. Falaram dos conflitos com os empreendedores, das ameaças que estão expostos  e d…

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ.


Nos dias 10, 11 e 12 de outubro de 2012, foi realizado na aldeia Patizal terra indígena Apinajé, município de Tocantinópolis-TO, a 1ª Oficina de Artesanato e Saberes Tradicionais do Povo Apinajé. O evento teve a participação 80 pessoas, entre anciões, alunos, mulheres e professores.
       A realização dessa oficina  teve a finalidade  propiciar um espaço social e cultural, onde os mais idosos, que são detentores de conhecimentos e saberes tradicionais, podem estar ensinando e repassando aos mas jovens, alguns conhecimentos e saberes do povo Apinajé.

       Os participantes gostaram da ideia, e pediram que seja realizados mais vezes, (pelo menos uma vez por ano) essas oficinas. Essa primeira edição da oficina de artesanato, foi uma parceria da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, com a Supervisão de Educação Indígena do MEC/DRE-Delegacia Regional de Ensino de Tocantinópolis-TO  e da FUNAI/CTL de Tocantinópolis e t…

AGRICULTURA INDÍGENA

As formas de produzir e a agricultura tradicional do povo Apinajé, que habitam na região Norte de Tocantins
A unidade produtiva do povo Apinajé é a família extensa, dessa forma na hora de realizar serviços nos roçados, todos os membros da família (com exceção das crianças pequenas e idosos) participam. Os homens fazem os roçados. Os serviços de plantar, limpar e colher são tarefas predominantemente femininas, mas os homens também ajudam nestes trabalhos.

No final do período chuvoso entre os meses de maio a julho organizamos mutirões para realizar serviços de derrubada do mato. Após algumas semanas o mato seco é queimado para preparação do terreno. Após a queima do mato, os homens munidos de machados, foices e facões realizam os serviços de coivaras, cortando e ajuntando os pedaços de troncos, galhos e folhas remanescentes para serem queimados, assim fica pronto o terreno para o plantio.


O plantio ocorrem no início da estação chuvosa, no período que vai de outubro a dezembro. As próprias …