Pular para o conteúdo principal

EDUCAÇÃO

JOVENS APINAJÉ, PARTICIPAM DE CURSO DE INCLUSÃO DIGITAL EM TOCANTINÓPOLIS
O Prof. Lucas P. de Brito Ferros (centro) aplicando disciplinas para os alunos indígenas no Centro de Inclusão Digital em Tocantinópolis. (foto: Iran R. Veríssimo Apinagé. Agosto de 2014)
          Desde inicio de agosto, jovens Apinajé estão frequentando Curso de Inclusão Digital na cidade de Tocantinópolis (TO). No momento 17 adolescentes, sendo 14 homens e 03 mulheres, estão participando das aulas no Centro de Inclusão Digital naquela cidade. O professor Lucas Pereira de Brito Ferros informou que está aplicando as seguintes disciplinas para os alunos (as) indígenas:
  • Introdução ao processamento de dados
  • Sistema Operacional Windows 7 Ultimate
  • Curso de digitação
  • Microsoft OfficeWord 2010
  • Microsoft Office Excel 2010
  • Microsoft Powerpoint 2010
  • Placas de Internet 
Aspecto da sala de aula do Centro de Inclusão Digital. (foto:
Iran R. Veríssimo Apinagé)

       Para frequentar o curso os alunos estão enfrentando muitas dificuldades, por que no período da noite estudam na Escola Estadual Indígena Mãtyk e ou sair da sala de aula se deslocam de carona em ônibus do Transporte Escolar direto pra cidade de Tocantinópolis, onde dormem num espaço cedido por uma religiosa alemã (conhecida como Irmã Rita) e no período da manhã das 09h30min às 10h30min assistem as aulas no Centro de Inclusão Digital.
     Diante desses desafios e dificuldades vividas por esses estudantes, entendemos que os mesmos carecem de mais apoio da Prefeitura Municipal de Tocantinópolis (TO) e da própria FUNAI-Fundação Nacional do Índio, para frequentar as aulas na cidade. O ideal é que o curso fosse ministrado na Escola Estadual Indígena Mãtyk da aldeia São José, onde existe um Laboratório de Informática cujos computadores deveriam servir para a Pesquisa, o Estudo, a Formação e o desenvolvimento dos estudantes. Mas não é bem isso que está acontecendo, há mais de dois anos essas máquinas estão em situação de quase abandono, conectados a uma rede de internet via satélite que também não funciona.
     Nestas circunstancias cobramos esclarecimentos e explicações da Secretaria de Estado da Educação do Tocantins sobre essa situação de abandono e sucateamento do citado Laboratório de Informática da Escola Estadual Indígena Mãtyk da aldeia São José em Tocantinópolis. Desejamos saber por que os computadores não estão funcionando e sendo utilizados pelos alunos desta Unidade Escolar? Por que a internet também não funciona? É inaceitável que em plena Era Digital os alunos (as) de uma Escola Pública fiquem prejudicados em seus Estudos por culpa da negligência e da perversa gestão do patrimônio público.
Antena do GESAC abandonada no Posto de Saúde  da aldeia
São José. (foto: Antônio Veríssimo. agosto de 2014)
            Em 2004, foram instalados no Posto de Saúde da aldeia São José uma antena parabólica e cabos. No local seria implantado o Sistema de Inclusão Digital via satélite conhecido como GESAC que nunca foi concluído, pois os computadores nunca chegaram à aldeia, somente a antena parabólica e os cabos continuam instalados no local, abandonados e enferrujando.  Esses são mais dois casos em que o dinheiro público foi aplicado em equipamentos que foram implantados em aldeia com a meta de não funcionar e nunca beneficiar a comunidade.
        Recomendamos que pelo menos esse Laboratório de Informática da Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José seja recuperado e volte a funcionar possibilitando que os jovens ao concluírem o Curso de Inclusão Digital na cidade de Tocantinópolis (TO) tenham condições de continuar aprofundando e ampliando mais seus conhecimentos na área da informática e, ou mesmo tempo poder acessar a internet para Estudar, Pesquisar e se Informar, sem ter que sair da aldeia pra fazer isso.
          A previsão para conclusão do Curso de Inclusão Digital que está sendo ministrado em Tocantinópolis é até 12 de dezembro do corrente ano.


Tocantinópolis – TO, 13 de setembro de 2014



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

HIDRELÉTRICAS

HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA: CONSTRUINDO DIÁLOGOS, TROCANDO EXPERIÊNCIAS CARTA DOS POVOS INDÍGENAS JURUNA, XERENTE, APINAJÉ  E KAYABIAs violações de direitos indígenas e direitos humanos no processo de construção de usinas hidrelétricas na Amazônia se repetem nas três Bacias hidrográficas do Tocantins-Araguaia, Xingu e Tapajós



No período de 27 a 29 de junho, mais de 50 lideranças indígenas representantes dos povos Juruna /PA, Kayabi/MT, Xerente e Apinajé/TO, estivemos reunidos na 3ª Oficina realizada pela RBA (Rede Barragens Amazônica), com o tema; “Hidrelétricas e povos indígenas- construindo diálogos, trocando experiências”, que aconteceu na aldeia Paquiçamba, região da Volta Grande do Xingu. Na Oficina debatemos o polêmico e traumático processo de construção de hidrelétricas nos rios da Amazônia e do Cerrado. As lideranças indígenas explicaram sobre o processo antes, durante e após a implantação das obras. Falaram dos conflitos com os empreendedores, das ameaças que estão expostos  e d…

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ.


Nos dias 10, 11 e 12 de outubro de 2012, foi realizado na aldeia Patizal terra indígena Apinajé, município de Tocantinópolis-TO, a 1ª Oficina de Artesanato e Saberes Tradicionais do Povo Apinajé. O evento teve a participação 80 pessoas, entre anciões, alunos, mulheres e professores.
       A realização dessa oficina  teve a finalidade  propiciar um espaço social e cultural, onde os mais idosos, que são detentores de conhecimentos e saberes tradicionais, podem estar ensinando e repassando aos mas jovens, alguns conhecimentos e saberes do povo Apinajé.

       Os participantes gostaram da ideia, e pediram que seja realizados mais vezes, (pelo menos uma vez por ano) essas oficinas. Essa primeira edição da oficina de artesanato, foi uma parceria da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, com a Supervisão de Educação Indígena do MEC/DRE-Delegacia Regional de Ensino de Tocantinópolis-TO  e da FUNAI/CTL de Tocantinópolis e t…

AGRICULTURA INDÍGENA

As formas de produzir e a agricultura tradicional do povo Apinajé, que habitam na região Norte de Tocantins
A unidade produtiva do povo Apinajé é a família extensa, dessa forma na hora de realizar serviços nos roçados, todos os membros da família (com exceção das crianças pequenas e idosos) participam. Os homens fazem os roçados. Os serviços de plantar, limpar e colher são tarefas predominantemente femininas, mas os homens também ajudam nestes trabalhos.

No final do período chuvoso entre os meses de maio a julho organizamos mutirões para realizar serviços de derrubada do mato. Após algumas semanas o mato seco é queimado para preparação do terreno. Após a queima do mato, os homens munidos de machados, foices e facões realizam os serviços de coivaras, cortando e ajuntando os pedaços de troncos, galhos e folhas remanescentes para serem queimados, assim fica pronto o terreno para o plantio.


O plantio ocorrem no início da estação chuvosa, no período que vai de outubro a dezembro. As próprias …