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MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO BRASIL



O MONITORAMENTO DAS ÁREAS DE RISCOS E A REDUÇÃO DE DESASTRES CLIMÁTICOS. SERÁ QUE OS GOVERNOS ESTÃO SE PREPARANDO PARA ENFRENTAR ESSAS SITUAÇÕES?

Desmoronamento de terreno em uma cidade próxima ao Rio de Janeiro, desastre ocorrido após fortes chuvas em que morreram ao menos 356 pessoas. (fonte: www.abc.net.au/news.stories)
       Entre 2010 e 2013 ocorreram no Brasil alguns eventos climáticos extremos e repetitivos, com colapso de secas de um lado, cheias e enchentes do outro lado, que trouxeram muita dor, sofrimento, desespero e mortes às populações de todas as regiões do País. Infelizmente alguns setores da Imprensa tendem a ofuscar a realidade dos fatos e evitam contextualizar com mais profundidade sobre as reais causas que levaram à seca do Rio Amazonas, as chuvas e deslizamentos no RJ e São Paulo em 2010. As chuvas e deslizamentos na região Serrana do Rio e no Vale do Itajaí em SC em 2011, as inundações na Amazônia em 2012 e a seca no semiárido, nos anos de 2012 e 2013.
       Este ano, diariamente os noticiários das TVs, rádios e jornais impressos estão destacando a seca das nascentes do Rio São Francisco, no Estado Minas Gerais e o drama das populações dos Estados da Bahia e Pernambuco que dependem do “Velho Chico” para sobreviver. O agravamento da crise provocada pela seca do sistema Cantareira e a escassez de água potável no Estado de São Paulo e outros assuntos relacionados, tem sido noticiados e debatidos de maneira tendenciosa e parcial pela maioria dos veículos de comunicação. 
    Os desastres provocados por anormalidades climáticas deveriam servir de alerta para a sociedade, a imprensa e o Poder Público. As autoridades não podem mais esperar as tragédias se repetir para agir.  O Brasil deve assumir suas responsabilidades e se sentir obrigado investir pesado na concretização do Plano Nacional de Mudanças do Clima-PNMC que deve ser efetivado de maneira coordenada e articulada em todo o país, no sentido de prevenir e reduzir os riscos de desastres climáticos. O Governo deve avançar também em medidas adaptativas preparando a população para conviver com novas realidades de mudanças do clima.
Aspecto do Bioma Cerrado preservado dentro da Terra Indígena Apinajé, no
município de Cachoeirinha no Norte do Tocantins. (foto: Antônio Veríssimo.
Outubro de 2011)
      É necessário que o Brasil resgate sua enorme dívida social, ambiental e cultural com os povos indígenas e cumpra o que determina a Constituição Federal de 1988, demarcando, regularizando e protegendo as Terras Indígenas e Quilombolas, que são áreas determinantes para a sobrevivência dos povos e a manutenção do clima em escala Global. Esse é outro fator concreto que não é divulgado  pela grande mídia.  O Governo Federal também deve promover parcerias com os governos estaduais, distritais e municipais para compatibilizar políticas públicas regionais e locais de Gestão Ambiental, e dar cumprimento a Política Nacional de Gestão Ambiental de Terras Indígenas-PNGATI
         O combate sem trégua ao desmatamento, a grilagem de terras, a exploração ilegal de madeiras, e a prevenção aos incêndios florestais em todos os biomas, deve ser política de Estado e prioridade de Governo, para enfrentamento às Mudanças Climáticas.  Como parte do ”dever de casa”, as populações urbanas e rurais, também podem cuidar proteger e recuperar, as pequenas nascentes, os mananciais hídricos e outras áreas degradadas, e isso devem ser responsabilidade coletiva dos pequenos proprietários, das grandes empresas e do Poder Público. A coleta seletiva do lixo, a correta destinação dos resíduos sólidos e o tratamento de esgotos, antes de ser jogado nos rios, também é parte da solução para os problemas ambientais “inventados” por uma sociedade que precisa urgentemente se corrigir, se reeducar e mudar de postura, em relação ao nosso Meio Ambiente.
    Diante das ameaças de Desastres Climáticos e outras implicações que envolvem a irresponsabilidade social e ambiental das empresas, a falta de seriedade e compromissos por parte dos Governos e a desinformação da sociedade, resta nos saber se a União, os Estados e os Municípios estão ao menos adotando algum Plano de Gestão de Riscos e Respostas a Desastres Naturais necessárias para evitar que eventuais calamidades continuem atingindo as populações mais empobrecidas e vulneráveis do país, e causando mais perdas de vidas humanas, doenças, escassez de alimentos, falta de água e prejuízos econômicos. Entre janeiro e abril é a época das chuvas mais intensas na maior parte do Brasil, será que estamos preparados para recebê-las?



Terra Indígena Apinajé, 10 de novembro de 2014.


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

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