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RESISTÊNCIA

PẼP KAÀK: CULTURA, DISCIPLINA, ORGANIZAÇÃO  E PAZ

Jovens Estudantes no Pátio da aldeia São José durantes as comemorações do "Dia do Índio" (foto: Antonio Veríssimo. Abril de 2014)
Jovens Apinajé no Pátio da aldeia São José. (foto: Antonio Veríssimo. Nov. de
2015)
     Desde o mês de outubro deste ano que um grupo de 50 jovens Apinajé, vem se articulando e se reunindo todos os dias para conversar sobre vários assuntos de interesse do povo Apinajé. A iniciativa é dos jovens adolescentes e estudantes indígenas da aldeia São José e tem o apoio de jovens de outras aldeias vizinhas.  O objetivo principal é se organizar melhor com bases nos princípios e valores culturais do povo Apinajé para fazer enfrentamento aos inúmeros problemas que ameaçam diariamente nossas comunidades. Especialmente o combate ao trafico e venda de bebidas alcoólicas nas aldeias Apinajé.
      A partir de agora esses jovens considerados guardiões e protetores da aldeia poderão intervir fazendo o uso da força para garantir a ordem e manter a paz nas comunidades. Também poderão auxiliar no combate aos incêndios no cerrado, nos trabalhos das roças, na coleta de lixo e outros serviços voluntário de apoio às comunidades.
    No entanto a principal finalidade que se propõem é evitar o transporte e a venda de bebidas alcoólicas especialmente na aldeia São José. Nesse primeiro momento por ordem do cacique e lideranças desta aldeia todos os dias no período da tarde (horário que os veículos retornam da cidade), esses jovens guardiões estarão bloqueando as estradas de acesso à aldeia fazendo e abordagem de motoristas e de passageiros suspeitos que podem estar transportando bebidas alcoólicas e outras substâncias proibidas.
     Desta forma surgiu também a ideia de resgatar o ritual de passagem denominado Pp Kaàk (aprendiz de guerreiro). “Esse ritual de passagem da fase criança e adolescente para fase adulta é muito sério, se o jovem que for escolhido já tiver esposa é obrigado abandonar mesma”. Afirmou o ancião Candido Sousa Apinagé, que passou pela Formação do Pp Kaàk (aprendiz de guerreiro) quando era jovem. Todos escolhidos ficam reclusos na mata por alguns meses divididos em dois grupos. Cada grupo tem um instrutor que os acompanha e ensina. Acrescentou. O último ritual do Pp Kaàk foi realizado na década de 30 e agora está sendo resgatado por iniciativa dos próprios jovens.
Jovem (estudante) Apinajé da aldeia São José. (foto: Antonio Veríssimo. 
Abril. 2014)
     Durante o processo de reclusão os Pp Kaàk deverão aprender, defender e praticar a cultura Apinajé. É fundamental que aprendam sobre nossa história, a medicina, as cantorias, o artesanato e as pinturas. Os mais idosos (homens e mulheres) agora estão sendo cobrados e deverão transmitir e ensinar esses conhecimentos e saberes aos jovens e adolescentes que serão escolhidos. Com certeza depois de formados serão mais disciplinados, muito respeitosos e bem organizados.
       Em reunião realizada na aldeia São José no dia 08/11/2015 os jovens foram apresentados à comunidade. Na ocasião as lideranças manifestaram total apoio à formação e preparação desses Guardiões para segurança da aldeia. Avaliaram que podemos nos organizar melhor para debater e resolver nossos problemas internos. E que essa organização também é uma forma de resistir e se fortalecer contra “os males dos não-índios” que estão contaminando ameaçando a vida de nossos jovens.
       O cacique da aldeia São José Davi W. Apinagé declarou que em breve será construída a “Casa dos Homens” nessa comunidade. E que no ano que vem (2016) será escolhida a primeira turma de jovens que deverão passar pelo curso dos Pp Kaàk (aprendiz de guerreiro). E na próxima assembleia dos caciques todos serão informados e devidamente esclarecidos sobre esse assunto. Temos certeza que essa iniciativa dos jovens terá total apoio dos demais caciques Apinajé. 


                                                                                    Terra Apinajé, 16 de novembro de 2015


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

Comentários

  1. parabenizo aos jovens por iniciativas de lutarem pelo seu território siciocultural.
    Júlio Kamer R.Apinajé

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