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POLÍTICA

ELEIÇÕES 2016: AINDA NÃO FOI DESTA VEZ

Davi Wamimen Apinagé, 1º suplente na Câmara Municipal de Tocantinópolis. (foto: Arquivo Pempxà. Set. 2014)

     Este ano estávamos na expectativa que pelo menos um (01) dos quatro (04) indígenas que se candidataram ao cargo de Vereador na Câmara Municipal de Tocantinópolis seria eleito. No último dia 02/10/16 às 20h30mim após a divulgação do resultado das eleições 2016 pelo TRE nossas esperanças se transformaram em decepção. 
       Nessas eleições os votos dos eleitores Apinajé eram suficientes para eleger dois candidatos com folga. Infelizmente nenhum dos (04) quatro indígenas conseguiu se eleger e os 688 votos válidos ficaram assim distribuídos; Davi Wamimen C. Apinagé do PR 416 votos, Orlando Salvador Apinagé do PHS 101 votos, Silivan Oliveira Apinagé do PR 91 votos, e Emílio Dias do PMN 80 votos. Desses quem teve maiores chances de se eleger foi Davi Wamimen C. Apinagé, com 416 votos ficou na condição de 1º suplente de Vereador. 
        Tal resultado confirmou mais uma vez que não estamos preparados e nem organizados o suficiente para fazer frente e combater as armadilhas e perversidades da política local. As nossas tentativas de articular as lideranças para lançar só (02) dois candidatos indígenas não valeram de nada. Entretanto as práticas abusivas do poder econômico e a intervenção política dos “coronéis” donos de Tocantinópolis falaram mais forte. 
        Sem dúvida esse saldo foi benéfico para Paulinho do Bonifácio o “novo” prefeito eleito desta cidade, cujo grupo político sempre usou de má-fé, tapeando e alienando as lideranças Apinajé com a finalidade de assegurar votos nas aldeias. Há muitos anos a estratégia é sempre a mesma; “dividir para enfraquecer”. “usar e descartar”. Nessas circunstâncias esse resultado já era previsto. 
        Analisando a conjuntura da política local, percebemos que é sempre pensada, calculada e planejada para colocar os (candidatos) Apinajé dentro do Processo Eleitoral, mas fora do Parlamento Municipal. O resultado do último dia 02/10 confirmou isso. Agora só nos resta lamentar (mais uma vez) a derrota política e procurar amenizar o prejuízo moral. E de nada adiantará agente ficar procurando culpados, nesse momento é mais sensato fazermos uma avaliação crítica desse conturbado processo político, no sentido de reparar e corrigir nossos próprios erros. 
        Mas, independente de quem foi eleito para Prefeitura Municipal de Tocantinópolis, é bem provável que passaremos novamente mais (04) quatro anos sendo oprimidos e humilhados, e tendo nossos direitos básicos de cidadãos negados e negligenciados pela “nova” gestão do município; e o pior, sem a presença da voz indígena no Poder Legislativo Municipal para nos defender e representar. Essa situação é extremante difícil e desconfortável para o povo Apinajé. 
       Entendemos que na condição de 1º suplente existe a real chance do Davi Wamimen C. Apinagé assumir o mandato no caso do afastamento de algum Vereador para ocupar cargos em alguma secretaria da Prefeitura Municipal. Essa é uma possibilidade que não podemos descartar. No entanto cabe ao prefeito eleito Paulinho do Bonifácio fazer esse arranjo na hora de organizar sua equipe. Considerando a expressiva votação manifestada pelo povo na expectativa de eleger o Davi, faz jus que o mesmo tenha mais essa oportunidade. Vamos acompanhar e aguardar. 
       Existem ainda (02) dois Apinajé que concorreram ao cargo de Vereador no vizinho município de Maurilândia, o Firmino Apinajé do PR teve 45 votos e Edvaldo Ribeiro Apinagé que se candidatou pelo PMDB, e teve 14 votos, ambos não foram eleitos.


 “Aprenda como se fosse viver para sempre. Viva como se fosse morrer amanhã

Mahatma Gandhi



 Terra Indígena Apinajé, 04 de outubro de 2016

Associação União das Aldeias Apinajé-Pempxà

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