Pular para o conteúdo principal

AGRICULTURA FAMILIAR

INTERCÂMBIO CULTURAL

Lideranças indígenas conversam com  coordenador dos pequenos  produtores rurais em assentamentos do município de Esperantina (TO). (foto: Antônio Veríssimo. dez. 2013)
      Continuando nossas atividades relacionadas ao plantio de roças nas aldeias Apinajé, nos dias 7 e 8 de dezembro de 2013 realizamos nova visita de intercâmbio e busca de Sementes Crioulas junto aos pequenos produtores da região do Bico do Papagaio. Desta vez conhecemos alguns assentados no município de Esperantina no extremo Norte do Tocantins.  
     Nossa viagem começou no dia 7/12, saindo de Tocantinópolis (TO) rumo à Augustinópolis, aonde chegamos à tardezinha. E no dia 8/12 pela manhã, guiados por João Palmeira Junior, continuamos nosso percurso por mais 80 km até Esperantina. Nesta cidade fomos amigavelmente recepcionados pelo senhor Juvenal das Neves, coordenador da Cooperativa de Produção e Comercialização dos Agroextrativistas e Pescadores Artesanais de Esperantina Ltda-COAF/Bico, que nos levou para conhecer alguns assentamentos localizados naquele município.
Produção familiar de farinha de mandioca no município 
de Esperantina  (TO). (foto: Antônio Veríssimo. dez. 2013)
    Nessa parte do Tocantins o extrativismo e a agricultura familiar caminham juntos e são bastante fortes, expressivas e diversificadas. Nos assentamentos locais podemos ver muitas plantações de milho, inhame, feijão, banana e mandioca. Na região também existem alguns projetos de casas de farinha em funcionamento. E os assentados também criam bovinos, caprinos, suínos e aves para produção de leite e carne. A pesca artesanal é outra importante atividade econômica para a população ribeirinha de Esperantina.
   Em razão da fertilidade do solo de sua proximidade com o Estado do Pará, o município de Esperantina é conhecido pela extração e produção de polpa de cupú-açú, bacuri e murici. Nos sítios no entorno da cidade podemos ver também muitas castanheiras; espécie nativa ameaçada de extinção, que ocorre nas florestas altas da região Amazônica.
    Porém toda essa riqueza está sendo ameaçada por grandes empreendimentos hidroelétricos. Um desses projetos é a barragem de Marabá, projetada próximo o encontro dos rios Tocantins e Araguaia nos Municípios de São João do Araguaia, Pará, Bom Jesus do Tocantins no Maranhão e Esperantina em Tocantins.
    Os moradores locais (do lado tocantinense) demostram grande preocupação com mais esse projeto do setor elétrico, que vem ameaçar a vida e o futuro das populações rurais e urbanas dos três Estados já afetados e ameaçados por outras obras.
Lideranças observam maniva de mandioca cultivada nos
assentamentos do município de Esperantina (TO). (foto:
Antônio Veríssimo. dez. 2013)
    Seguindo o mau exemplo dos projetos das UHE Estreito e Belo Monte, o Governo Federal e as empresas estão “interessados” e pretendem levar à diante e de qualquer jeito os projetos das UHE de Serra Quebrada, Santa Isabel e Marabá. Sendo que essas obras representam graves ameaças à nossas vidas e ao futuro das demais populações do Bico do Papagaio.
    Nessa última visita que fizemos aos agricultores de Esperantina, adquirimos sementes de feijão, milho, inhame, arroz, ramas de mandioca e mudas de bananas. Essas sementes já foram plantadas nos projeto de roças  que estão sendo implantados nas aldeias.


Terra indígena Apinajé, dezembro de 2013.




 Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀvv

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

HIDRELÉTRICAS

HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA: CONSTRUINDO DIÁLOGOS, TROCANDO EXPERIÊNCIAS CARTA DOS POVOS INDÍGENAS JURUNA, XERENTE, APINAJÉ  E KAYABIAs violações de direitos indígenas e direitos humanos no processo de construção de usinas hidrelétricas na Amazônia se repetem nas três Bacias hidrográficas do Tocantins-Araguaia, Xingu e Tapajós



No período de 27 a 29 de junho, mais de 50 lideranças indígenas representantes dos povos Juruna /PA, Kayabi/MT, Xerente e Apinajé/TO, estivemos reunidos na 3ª Oficina realizada pela RBA (Rede Barragens Amazônica), com o tema; “Hidrelétricas e povos indígenas- construindo diálogos, trocando experiências”, que aconteceu na aldeia Paquiçamba, região da Volta Grande do Xingu. Na Oficina debatemos o polêmico e traumático processo de construção de hidrelétricas nos rios da Amazônia e do Cerrado. As lideranças indígenas explicaram sobre o processo antes, durante e após a implantação das obras. Falaram dos conflitos com os empreendedores, das ameaças que estão expostos  e d…

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ.


Nos dias 10, 11 e 12 de outubro de 2012, foi realizado na aldeia Patizal terra indígena Apinajé, município de Tocantinópolis-TO, a 1ª Oficina de Artesanato e Saberes Tradicionais do Povo Apinajé. O evento teve a participação 80 pessoas, entre anciões, alunos, mulheres e professores.
       A realização dessa oficina  teve a finalidade  propiciar um espaço social e cultural, onde os mais idosos, que são detentores de conhecimentos e saberes tradicionais, podem estar ensinando e repassando aos mas jovens, alguns conhecimentos e saberes do povo Apinajé.

       Os participantes gostaram da ideia, e pediram que seja realizados mais vezes, (pelo menos uma vez por ano) essas oficinas. Essa primeira edição da oficina de artesanato, foi uma parceria da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, com a Supervisão de Educação Indígena do MEC/DRE-Delegacia Regional de Ensino de Tocantinópolis-TO  e da FUNAI/CTL de Tocantinópolis e t…

AGRICULTURA INDÍGENA

As formas de produzir e a agricultura tradicional do povo Apinajé, que habitam na região Norte de Tocantins
A unidade produtiva do povo Apinajé é a família extensa, dessa forma na hora de realizar serviços nos roçados, todos os membros da família (com exceção das crianças pequenas e idosos) participam. Os homens fazem os roçados. Os serviços de plantar, limpar e colher são tarefas predominantemente femininas, mas os homens também ajudam nestes trabalhos.

No final do período chuvoso entre os meses de maio a julho organizamos mutirões para realizar serviços de derrubada do mato. Após algumas semanas o mato seco é queimado para preparação do terreno. Após a queima do mato, os homens munidos de machados, foices e facões realizam os serviços de coivaras, cortando e ajuntando os pedaços de troncos, galhos e folhas remanescentes para serem queimados, assim fica pronto o terreno para o plantio.


O plantio ocorrem no início da estação chuvosa, no período que vai de outubro a dezembro. As próprias …