Literatura Apinajé: a importância das histórias para formação das pessoas
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| Maria dos Reis Apinajé é educadora e liderança no estado de Tocantins |
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| Maria dos Reis Apinajé é educadora e liderança no estado de Tocantins |
Panhĩjê nhõ arĩgro¹: Resistência, Cosmologia e a Leitura do Território
Júlio Kamêr Ribeiro Apinajé Júlio Kamêr Ribeiro Apinajé é professor na Escola Indígena Tekator da aldeia e aluno do Doutorado Profissional do FGV CPDOC. É liderança do povo Panhi.
O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, ultrapassa o caráter comemorativo e se afirmar como um marco de memória, luta e reafirmação da existência dos primeiros habitantes deste território. Reconhecer essa data é olhar para a história sem romantizações, compreendendo a violência da colonização, a tentativa de apagamento cultural e, sobretudo, a extraordinária capacidade de resistência dos povos originários, que mantêm vivas suas línguas, rituais, cosmologias e modos de vida apesar de séculos de invasão, epidemias e perda territorial.
Diante disso os povos indígenas continuam e persistem sobrevivendo e construindo ciências epistemológicos nesta imagem.

Essa resistência não se limita ao campo físico ou político: ela se manifesta também na forma singular como os povos indígenas compreendem e se relacionam com o mundo. Suas cosmologias compõem sistemas epistemológicos complexos, nos quais corpo, espiritualidade, território e ancestralidade formam uma rede contínua de comunicação.
A chamada leitura do além² não é metáfora, mas uma tecnologia ancestral que articula dimensões visíveis e invisíveis da existência. Para esses povos, o território não é um espaço neutro: é sujeito epistêmico, dotado de voz, agência e intencionalidade. Rios, árvores, animais, ventos e fenômenos atmosféricos compõem uma ecologia de sinais que orienta decisões, rituais, práticas de manejo e formas de proteção ambiental.
Hixi jarẽnh kot anhỹr . Amaxpẽr japuj ri kôt amaxpẽr. Mẽ amaxpẽr kaàk kêt. Amnepêm mẽ àhpumunh na hte mẽmojja piitã kôt hakop nẽ axpẽn kaxyw kapẽr . Panhĩjê ja mã na pykaja kot anhỹr. Pykaja kaprỳ kêt. Te kêp mẽhpanhĩ pyràk. Nẽ àhpumunh nẽ kapẽr nẽ axwỳj kot amnhĩ nhĩpêx. Na gô nẽ pĩhpàr nẽ mryjaja nẽ kôk nẽ pyka kamã mẽmoj piitã na hte mẽmoj to amnhĩrĩt. Nẽ axwỳj mẽ kot amnhĩ nhĩpêx kôt nẽpyka xyrpê tanhmã ho mex to kukamã amaxpẽr.
Essa percepção amplia o sentido da luta pela terra³. A defesa territorial não é apenas uma reivindicação jurídica, mas a salvaguarda de um regime de conhecimento que permite interpretar o mundo e manter o equilíbrio entre seres humanos e ambiente. A leitura do território — seus ciclos, silêncios, presenças e ausências — funciona como sistema de monitoramento socioambiental capaz de identificar desequilíbrios ecológicos, ameaças externas e rupturas espirituais. Trata-se de uma forma de ciência que integra ecologia, espiritualidade, astronomia, botânica, ética e política, transmitida pela convivência intergeracional e pela escuta atenta da natureza.
Nesse sentido, a presença indígena na contemporaneidade reafirma que esses povos não pertencem ao passado. Eles ocupam universidades, parlamentos, organizações internacionais e espaços de produção científica⁴, levando consigo saberes que desafiam paradigmas ocidentais e oferecem caminhos para a sustentabilidade planetária. Ao reconhecer que o território é compreendido como pessoa e não recurso, suas cosmologias propõem uma ética de responsabilidade coletiva que se mostra urgente diante das crises ambientais atuais.
Celebrar o Dia dos Povos Indígenas é, portanto, reconhecer que a história do Brasil não começou em 1500 e que a diversidade de mais de 300 povos e mais de 270 línguas constitui uma riqueza que precisa ser protegida. É compreender que, quando os povos indígenas falam, não é apenas a voz humana que se expressa, mas a manifestação do território e de suas forças constitutivas. Aprender com eles significa aprender a ouvir a Terra — que sempre comunicou seus estados, mesmo quando sistemas coloniais tentaram silenciá-la.
Mais do que uma data, 19 de abril é um chamado à consciência: honrar a resistência de quem, apesar de séculos de violência, segue de pé, ensinando que viver em harmonia com a natureza não é utopia, mas sabedoria ancestral indispensável para o futuro do planeta.
Mẽ ixpê panhĩ na mẽ ixihtỳx. Jakamã na arĩgro pê 19 nẽ mytwrỳ pê abril pix hã kêt. Nom kôt ajamaxpẽr kaxyw. Nẽ mẽ yrpê hã pijaàm nẽ mẽ hihtỳx nẽ pa xyrpê. Na pre panhĩjaja xyrpê ahpunujja hã amgrà xohtôô nẽ. Nom mẽ harĩ jarãhã hihtỳx nẽ. Nẽ mẽ pamã mẽ pamex nẽ pà mẽ tãm amnhĩ nhĩpêx kaxyw. Nẽ ãm hãmri na mẽ amnhĩ nhĩpêxja. No mẽ amaxpẽr ho êx kêt. Amnepêm mẽ amaxpẽrja kota mẽ pakukamã pyka xyrpê tãm amaxpẽr.
1 Tradução da língua Panhĩ Apinajé - Dia dos Povos Indígenas
2 Titulo na língua Panhĩ Apinajé - Amaxpẽr japuj ri kôt amaxpẽr
3 Palavra em língua Panhĩ Apinajé- Pyka
4 Exemplos: https://alfabecantar.com.br/ - https://cpdoc.fgv.br/apinaje/biblioteca e muitos acervos digitais em construção, resultado da produção cientifica indígena

MANIFESTO
DAS LIDERANÇAS SOBRE DEMISSÃO DE SERVIDORES DAS ESCOLAS INDÍGENAS APINAJÉ
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| Prédio da Escola Estadual Indígena Tekator, aldeia Mariazinha. (foto: Euclides Ribeiro Apinajé, Nov. 2025) |
Na última terça-feira 11 de novembro de 2025, estivemos reunidos na aldeia Prata, território Apinajé, município de Tocantinópolis (TO), os caciques, lideranças e representantes da Associação União das Aldeias Apinajé-PẼMPXÀ, da Associação Indígena PYKA MEX para tratativas sobre a questão da Educação, especialmente a demissão dos trabalhadores da educação em aldeias nos municípios de Tocantinópolis e Maurilândia. Na presente reunião debatemos e questionamos o Ato Declaratório de Extinção Nº 825/2025/GASEC/SECAD de 30 de outubro de 2025, publicado no Diário Oficial do Estado do Estado do Tocantins Nº 6.933 de 04 de novembro de 2025 que demitiu os servidores indígenas que trabalham nas Escolas Apinajé. Pelo fato de tais demissões acontecerem de surpresa, realizado à revelia das comunidades, sem aviso prévio ou qualquer informação antecipada aos caciques e funcionários. No referido Ato Declaratório o governo alega “necessidade de reajustamento na prestação de serviço”, mas estamos na dúvida e pedimos esclarecimentos sobre essas demissões, e por qual motivo o governo demite servidores em massa no final do ano letivo, situação que está causando insegurança, instabilidades e prejuízos para comunidades; estudantes e os próprios trabalhadores que foram demitidos. Assim entendemos que tal método de governança sem diálogo com a população e os servidores públicos da educação não contribui para organização da política da Educação Escolar Indígena e causa sérios problemas para vida pessoal dos servidores (trabalhadores) e para a coletividade Apinajé. O governo deveria considerar e atender as demandas das comunidades, com relação ao serviço público, pois somos nós que sabemos e conhecemos nossa realidade e necessidades. Os gestores (não-indígenas) que vivem e trabalham nos gabinetes e escritórios governamentais não sabem o que acontece nas aldeias indígenas, e, portanto, não podem tomar decisões sem ouvir e consultar nossas lideranças e organizações de base. Ao invés de demitir funcionários o governo do estado deveria estar dialogando e acompanhando o crescimento populacional das comunidades para melhor atender as demandas do povo Apinajé que cresce a cada ano com relação a Educação Escolar Indígena. Em consequência desse crescimento da população Apinajé, existem muitas (demandas) solicitações de construções e reformas de prédios, ampliações de salas de aulas, aquisição de mobílias e materiais de escritório para Escolas das aldeias Palmeiras e Prata, ainda construção de quadra de esporte e alambrado na Escola Mãtyk da aldeia São José; lembrando que essas estruturas são fundamentais para melhorar o funcionamento e a qualidade do ensino nas Escolas Indígenas do estado. Na região da aldeia Mariazinha, também no município de Tocantinópolis (TO) os caciques e lideranças se reuniram no dia 12 de novembro de 2025 para tratar também sobre a questão da Educação Escolar Indígenas e exoneração de servidores de cada Escola e das extensões pelo atual governador do estado. Na reunião o cacique Euclides Ribeiro Apinaje informou, que foram convocados pela Superintendência Regional de Educação – SRE, de Tocantinópolis, que os caciques, Diretores da Unidade Escolar e professores responsáveis, estiveram presentes na reunião que aconteceu dia 10 de novembro de 2025, na SRE, para tratar sobre o Processo Seletivo para Diretores das Unidades Escolares. Entretanto nesta reunião o pessoal da Superintendência Regional de Educação -SRE não trataram sobre demissões de servidores, mas questionada pelas lideranças presentes na reunião sobre as demissões dos (servidores) trabalhadores da educação a senhora Vanessa afirmou aos caciques que iria levar essas demandas de demissões para o Secretário de Educação na quarta-feira dia 12/11/2025, e daria uma resposta na sexta feira dia 14/11/2025, então as lideranças e caciques presentes decidiram aguardar a resposta até o dia marcado, e se não resolver a nossa demanda vamos paralisar as aulas total. Após a fala do cacique Euclides, foram apresentados os servidores demitidos, das Escolas; aldeia Brejão (Escola Kagapixi) e Extensões aldeias Cipozal e Recanto, aldeia Girassol (Escola Kõkre) e Extensão aldeia São Raimundo, aldeia Bonito Escola Tamkak e aldeia Botica Escola Pepkro. Nas Escolas citadas acima onde ocorreu demissões de merendeiras e vigias as aulas já estão paralisadas. Na aldeia Mariazinha aulas na Escola Tekator ainda estão funcionando normalmente, mas, se não tivermos resposta para recontratar os funcionários (demitidos) já a partir de segunda feira as aulas serão paralisadas também. Após várias conversas e entendimento entre nossos caciques e lideranças, ficou definido que não aceitamos continuar as aulas nessas condições; que se o governo não readmitir todos os funcionários as aulas continuarão suspensas sem previsão de retorno. Declaramos nossa discordância com essas demissões e repudiamos esse Ato Declaratório do governo sem qualquer justificativa, aviso prévio ou explicação antecipada. Nós sentimos prejudicados e desrespeitados nosso direito de acesso à informação; pois temos direitos de ser previamente informados sobre questões e assuntos de nosso interesse. Entendemos que a demissão de servidores da educação pelo governador do estado de Tocantins, foi decisão política unilateral tomada pelos próprios governantes (políticos), e não foi feita com base técnica a partir das necessidades e demandas das Escolas Indígenas. Dessa forma informamos que as aulas foram paralisadas por (02) dois dias enquanto aguardamos o retorno dos servidores indígenas Apinajé que foram demitidos sem explicação ou justa causa. Se os servidores não forem readmitidos vamos continuar nossa mobilização e manter a paralização em todas as Escolas Estaduais do território Apinajé.
Associação
União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ
Associação
Indígena PYKA MEX
DOCUMENTO DA ASSEMBLEIA DOS POVOS INDÍGENAS DE TOCANTINS
Aldeia Prata, T.I. Apinajé sexta-feira, 18 de outubro de
2025
POVOS INDÍGENAS;
Apinajé
Krahô
Xerente
Krahô-Kanela
Krahô-Takaywrá
Canela do Tocantins
Inspirados e inspiradas pela
coragem e ousadia daqueles e daquelas que nos antecederam e pela força
ancestral que resiste em nossos territórios, nós, povos Apinajé, Krahô,
Xerente, comunidades quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, agricultores e
agricultoras familiares, camponeses e camponesas, assentados da reforma
agrária, pescadores e pescadoras artesanais, juventudes, movimentos sociais,
pastorais, sindicatos, pesquisadores, professoras e professores, entidades de
apoio e coletivos diversos, reunidos no Seminário Tocantins na Encruzilhada:
combate ao desmatamento e análise crítica ao REED+ Jurisdicional, realizado nos
dias 25 e 26 de setembro de 2025, em Palmas (TO), tornamos público este grito
coletivo de denúncia e de socorro.
Nosso encontro ecoa diante da
escolha do Estado brasileiro de transformar o Cerrado em bioma de sacrifício,
um território destinado à devastação para alimentar a máquina do agronegócio e
da financeirização da natureza. Essa lógica expulsa povos e comunidades de seus
lugares de vida, destrói as águas, as florestas e os modos de existência e
ameaça a própria continuidade da vida no planeta.
Este documento nasce como voz
insurgente diante do desmatamento acelerado, da grilagem institucionalizada, da
violência crescente no campo e da tentativa de transformar nossas florestas,
rios e territórios, - e até o gás carbônico que evitamos que seja lançado na
atmosfera - em mercadorias. Ele expressa nossa indignação, nossa denúncia e,
sobretudo, nossos compromissos de luta pela vida e pela preservação do Cerrado,
coração das águas do Brasil e morada de nossos povos.
Denunciamos
A expansão acelerada do
desmatamento no Tocantins e no MATOPIBA, intensificado pela expansão
desordenada da fronteira agrícola.
O avanço do desmatamento do
Tocantins, em especial nas unidades de conservação como a APA Cantão/Ilha do
Bananal. Dados revelam que o desmatamento na APA foi maior proporcionalmente do
que no restante do Estado do Tocantins, e intensificado de 2012 em diante.
Persistem práticas de emissão de
autorizações de supressão de vegetação (ASVs)/AEFs e cobertura nativa, muitas
vezes ilegais, conforme apontado no relatório lançado durante o Seminário.
A grilagem e a legalização de
terras públicas, expressa na Lei Estadual nº 3.525/2019 e em novos projetos que
buscam transferir terras da União para o Estado, abrindo caminho para a
concentração fundiária e a exclusão dos povos do campo.
A ausência de transparência dos
órgãos de fiscalização, em especial do Naturatins, sem validação das
informações do CAR referentes às Reservas Legais, APPs e áreas de sobreposição
com as APAS e demais UC e territórios PCTs.
A expansão da soja e da pecuária
extensiva como vetores estruturais da destruição, contaminando águas e solos
com agrotóxicos, expulsando comunidades tradicionais, povos originários e os
povos do campo, inviabilizando a produção da agricultura familiar e afetando a
saúde das populações.
O avanço da insegurança hídrica
no Tocantins. Observa-se a ausência de gestão realmente participativa da gestão
das águas nos territórios, com a concessão de autorizações e outorgas de
captação, represamento da água por grandes empreendimentos sem avaliação de
impacto, muito menos consultas prévias, livres e informadas para as demais
comunidades e territórios que serão atingidos.
A violação ao direito à consulta
livre, prévia e informada das comunidades. Seja nos procedimentos de
licenciamento ambiental, autorizações de supressão de vegetação, processos
administrativos minerários.
O avanço da mineração e de
megaprojetos de infraestrutura que agravam os impactos sociais, territoriais e
ambientais sobre os territórios.
O aumento da violência policial e
da criminalização das comunidades e dos movimentos sociais.
A violência contra comunidades
rurais e povos tradicionais, marcada por despejos extrajudiciais, repressão
policial e ameaças constantes a defensores de direitos humanos.
A falta de transparência quanto
às informações das terras públicas estaduais, sobretudo relacionadas às
destinações realizadas pelo Intertins.
A ausência de políticas de
regularização fundiária e de proteção efetiva de territórios indígenas,
quilombolas e povos do campo.
O esvaziamento institucional e o
desprezo pelas pautas de Direitos Humanos por meio do boicote aos espaços de
participação social, como as conferências.
O assédio às comunidades e a
erosão dos modos de vida sob a promessa de renda que desestrutura a autonomia.
A hegemonia da narrativa
pró-agronegócio na mídia (“o agro é pop”) e a disputa simbólica na sociedade
onde há uma subalternização das pautas socioambientais.
A ameaça da financeirização da
natureza via REED+ jurisdicional e a mercantilização da natureza.
O modelo de REDD+ Jurisdicional,
em debate no Tocantins, não enfrenta as causas estruturais do desmatamento,
abrindo espaço para a mercantilização da natureza, a violação de direitos e a
exclusão das comunidades que historicamente protegem os territórios.
O REDD+ Jurisdicional do
Tocantins não obedece os direitos assegurados pela Convenção 169 da OIT, uma
vez que não houve consulta prévia, livre e informada. Não foi realizada de
forma prévia, uma vez que as negociações sobre o REDD+ iniciaram sem a consulta
aos pcts, a venda dos créditos de carbono já começou a ser realizada, inclusive
sem a autorização da Assembleia Legislativa e a empresa certificadora e sua
metodologia de mensuração já estão definidos. Somente em 2025, documentos foram
liberados à ATA e somam muitas páginas, impedindo uma compreensão realmente
informada para uma decisão livre.
O REDD+ Jurisdicional ignora os
direitos territoriais dos PCTs, que estão sendo sistematicamente desrespeitados
pelo Estado do Tocantins.
Diante deste cenário,
afirmamos o nosso compromisso coletivo com:
A defesa do direito à terra e ao
território como condição central para combater o desmatamento e garantir a
soberania.
A afirmação de que não há justiça
climática sem justiça fundiária.
O reconhecimento dos povos
indígenas, quilombolas, camponeses, quebradeiras de coco e comunidades
tradicionais como guardiões e guardiãs do Cerrado e parte da solução da crise
climática. O Cerrado não será o bioma do sacrifício!
O fortalecimento das redes de
incidência política, a articulação dos planos estaduais de agroecologia e a
ampliação de práticas agroecológicas como alternativas reais ao agronegócio.
O fortalecimento da juventude,
das mulheres e da ancestralidade como pilares da luta.
Nos comprometemos, a partir
desse Seminário, com os seguintes encaminhamentos:
Suspender a implementação do
REED+ jurisdicional até que haja consulta livre, prévia e informada, e revisão
crítica das salvaguardas.
Revogar leis inconstitucionais de
grilagem (Lei 3.525/2019) e bloquear novos PLs que transfiram terras da União
para os estados.
Revogar normas pró-grilagem e
resistência a PLs federais que afrouxam o controle.
Transparência fundiária plena por
meio da criação de uma plataforma pública de dados (situação dominial,
processos, sobreposições, etc) para controle social.
Regularização fundiária,
reconhecimento e titulação de territórios tradicionais, medida essencial para a
proteção dos modos de vida e para a garantia de direitos.
Apoio à minuta de Decreto já
apresentada ao Governo Federal, que trata da regularização fundiária dos
territórios tradicionais, como ação urgente contra a grilagem e a violência no
campo.
Apoio a criação de um zoneamento
agroecológico e zonas de exclusão/limitação para a mineração e o agronegócio.
Criação de observatório.
Garantir a transparência e
controle social sobre as Autorizações de Supressão de Vegetação (ASVs),
conforme determinações do STF nas ADPFs 743 e 760.
Fiscalização efetiva e
responsabilização dos agentes do desmatamento ilegal, assegurando que a lei
seja aplicada sem seletividade.
Fortalecimento da agricultura
familiar e camponesa, da agroecologia e das práticas sustentáveis como pilares
do desenvolvimento socioambiental do estado.
Criar e implementar um Plano Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica, com recursos garantidos e participação social, integrando assistência técnica, compras públicas, cadeias de valor agroextrativistas e educação do campo.
Apoiar políticas públicas estruturantes: assistência técnica, educação do campo, saúde, fortalecimento de cadeia agroextrativistas.
Fortalecimento da agricultura familiar e camponesa, da
agroecologia e das práticas sustentáveis como pilares do desenvolvimento
socioambiental do estado. Nossos territórios, práticas agroecológicas e
conhecimentos tradicionais representam alternativas reais ao modelo predatório
do agronegócio e devem ser reconhecidos e fortalecidos.
Garantir a participação efetiva
das comunidades em processos de licenciamento ambiental e decisões que impactam
os territórios.
Fortalecimento e criação de
instâncias de participação social como os conselhos, as conferências, o fórum
de participação social, as associações nos territórios.
Garantir conferências e processos
participativos reais com convocação adequada, garantia da logística e
mobilização territorial.
Campanha de comunicação para
“reflorestar mentes” e disputar a narrativa com conteúdos acessíveis, formação
política e alianças no âmbito dos três poderes nos três níveis.
Fortalecer a construção dos
protocolos comunitários de consulta e organização em rede para o enfrentamento
direto às denúncias aqui apresentadas.
Implementação de um mecanismo de
vigilância em saúde para os impactos relacionados ao uso de agrotóxicos e às
atividades minerárias com atenção especial aos territórios afetados.
Fortalecer e reestruturar o
Incra, Funai, Ibama, ICMBio, Prevfogo, Naturatins com concursos, capacitação e
orçamento.
Assistência técnica e extensão
rural contínua a assentados e agricultores familiares para reduzir a
vulnerabilidade ao arrendamento e a dependência de agrotóxicos.
Monitoramento e pressão sobre as
decisões do STF e cobrança de cumprimento pelo estado.
Popularizar ferramentas de
denúncia e rastreabilidade, fomentando boicotes, pressão econômica e devida
diligência de empresas.
Chamamento ao Poder Público
O Tocantins está em uma
encruzilhada histórica: aprofundar a destruição de seus ecossistemas ou
construir um futuro de justiça socioambiental, baseado na democracia, na
valorização da diversidade cultural e na defesa da vida.
Conclamamos o Governo do Estado,
a Assembleia Legislativa e demais instituições públicas a se posicionarem de
forma clara contra o desmatamento e em favor dos povos do campo, da floresta e
das águas. O futuro do Tocantins depende de escolhas firmes e justas hoje.
Não aceitaremos retrocessos nem
falsas soluções!
Não há justiça climática sem
justiça fundiária: a defesa da terra e do território é condição central para
enfrentar o desmatamento e garantir soberania e segurança alimentar.
Assinam:
Coalizão Vozes Do Tocantins Por
Justiça Climática
Instituto Sociedade População e
Natureza – ISPN
Tamo De Olho
Núcleo Universidade De Brasília –
UnB
Movimento Dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra – MST
Alternativas Para A Pequena
Agricultura No Tocantins - APA-TO
Articulação Tocantinense De
Agroecologia – ATA
Coordenação Estadual Das
Comunidades Quilombolas Do Tocantins – COEQTO
Grupo De Trabalho Amazônico – GTA
Associação De Mulheres
Agroextrativistas da APA Cantão - AMA Cantão
Associação Indígena Apinajé -
Pyka Mex
Curso De Direito UFT/Arraias
Núcleo De Estudos Em Agroecologia
e Desenvolvimento Sustentável - NEADS/UFT
Associação De Apoio Às Unidades
De Conservação Onça D’água
Associação Indígena Mē Hempej Xà
Associação União Das Aldeias
Apinajé PEMPXÀ
Associação Das Mulheres Xerente
Observatório De Conflitos
Socioambientais do MATOPIBA
Instituto Terra, Direitos e
Cidadania
Associação Comunitária dos
Artesãos e Pequenos Produtores de Mateiros - ACAPPM
Literatura Apinajé: a importância das histórias para formação das pessoas Maria dos Reis Apinajé é educadora e liderança no estado de Tocant...