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4 de jul. de 2026
1 de jun. de 2026
DENÚNCIA
DESMATAMENTO; POVO APINAJÉ DENUNCIA DESMATAMENTO DE ÁREA CONTESTADA E REINVINDICADA PELA COMUNIDADE INDÍGENA
19 de mai. de 2026
PEC 48/2023
NÃO AO MARCO TEMPORAL!
As consequências são graves: novas demarcações travadas, territórios sem reconhecimento, conflitos fundiários se alastrando e avanço do garimpo ilegal, do agronegócio e até do narcotráfico sobre as terras indígenas.
A Constituição diz que os direitos dos povos indígenas são intangíveis. Não podem ser retirados. Mas é exatamente isso que o Congresso inimigo dos povos indígenas está tentando fazer e nós precisamos seguir mobilizados.
🔗Leia a matéria especial sobre o Marco Temporal no Jornal Coiab Ayu'ru Amazônia Indígena em Conexão: https://coiab.org.br/congresso-inimigo-do-povo-marco-temporal-se-mantem-como-pauta-de-alto-risco-aos-povos-indigenas/
12 de mai. de 2026
AGROFLORESTAS
Implantação de SAF na terra Indígena Apinajé
Iniciativa para Implantação de Unidade Demonstrativa de SAF na aldeia Cocalinho, no Território Apinajé, no Norte de Tocantins. O Projeto comunitário para produção de frutas em área de capoeira, cultivando junto as espécies nativas do Cerrado
10 de mai. de 2026
HISTÓRIA
Literatura Apinajé: a importância das histórias para formação das pessoas
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| Maria dos Reis Apinajé é educadora e liderança no estado de Tocantins |
1 de mai. de 2026
CULTURA E SOCIEDADE
Panhĩjê nhõ arĩgro¹: Resistência, Cosmologia e a Leitura do Território
Júlio Kamêr Ribeiro Apinajé Júlio Kamêr Ribeiro Apinajé
Júlio Kamêr Ribeiro Apinajé é professor na Escola Indígena Tekator da aldeia e aluno do Doutorado Profissional do FGV CPDOC. É liderança do povo Panhi.
O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, ultrapassa o caráter comemorativo e se afirmar como um marco de memória, luta e reafirmação da existência dos primeiros habitantes deste território. Reconhecer essa data é olhar para a história sem romantizações, compreendendo a violência da colonização, a tentativa de apagamento cultural e, sobretudo, a extraordinária capacidade de resistência dos povos originários, que mantêm vivas suas línguas, rituais, cosmologias e modos de vida apesar de séculos de invasão, epidemias e perda territorial.
Diante disso os povos indígenas continuam e persistem sobrevivendo e construindo ciências epistemológicos nesta imagem.

Essa resistência não se limita ao campo físico ou político: ela se manifesta também na forma singular como os povos indígenas compreendem e se relacionam com o mundo. Suas cosmologias compõem sistemas epistemológicos complexos, nos quais corpo, espiritualidade, território e ancestralidade formam uma rede contínua de comunicação.
A chamada leitura do além² não é metáfora, mas uma tecnologia ancestral que articula dimensões visíveis e invisíveis da existência. Para esses povos, o território não é um espaço neutro: é sujeito epistêmico, dotado de voz, agência e intencionalidade. Rios, árvores, animais, ventos e fenômenos atmosféricos compõem uma ecologia de sinais que orienta decisões, rituais, práticas de manejo e formas de proteção ambiental.
Hixi jarẽnh kot anhỹr . Amaxpẽr japuj ri kôt amaxpẽr. Mẽ amaxpẽr kaàk kêt. Amnepêm mẽ àhpumunh na hte mẽmojja piitã kôt hakop nẽ axpẽn kaxyw kapẽr . Panhĩjê ja mã na pykaja kot anhỹr. Pykaja kaprỳ kêt. Te kêp mẽhpanhĩ pyràk. Nẽ àhpumunh nẽ kapẽr nẽ axwỳj kot amnhĩ nhĩpêx. Na gô nẽ pĩhpàr nẽ mryjaja nẽ kôk nẽ pyka kamã mẽmoj piitã na hte mẽmoj to amnhĩrĩt. Nẽ axwỳj mẽ kot amnhĩ nhĩpêx kôt nẽpyka xyrpê tanhmã ho mex to kukamã amaxpẽr.
Essa percepção amplia o sentido da luta pela terra³. A defesa territorial não é apenas uma reivindicação jurídica, mas a salvaguarda de um regime de conhecimento que permite interpretar o mundo e manter o equilíbrio entre seres humanos e ambiente. A leitura do território — seus ciclos, silêncios, presenças e ausências — funciona como sistema de monitoramento socioambiental capaz de identificar desequilíbrios ecológicos, ameaças externas e rupturas espirituais. Trata-se de uma forma de ciência que integra ecologia, espiritualidade, astronomia, botânica, ética e política, transmitida pela convivência intergeracional e pela escuta atenta da natureza.
Nesse sentido, a presença indígena na contemporaneidade reafirma que esses povos não pertencem ao passado. Eles ocupam universidades, parlamentos, organizações internacionais e espaços de produção científica⁴, levando consigo saberes que desafiam paradigmas ocidentais e oferecem caminhos para a sustentabilidade planetária. Ao reconhecer que o território é compreendido como pessoa e não recurso, suas cosmologias propõem uma ética de responsabilidade coletiva que se mostra urgente diante das crises ambientais atuais.
Celebrar o Dia dos Povos Indígenas é, portanto, reconhecer que a história do Brasil não começou em 1500 e que a diversidade de mais de 300 povos e mais de 270 línguas constitui uma riqueza que precisa ser protegida. É compreender que, quando os povos indígenas falam, não é apenas a voz humana que se expressa, mas a manifestação do território e de suas forças constitutivas. Aprender com eles significa aprender a ouvir a Terra — que sempre comunicou seus estados, mesmo quando sistemas coloniais tentaram silenciá-la.
Mais do que uma data, 19 de abril é um chamado à consciência: honrar a resistência de quem, apesar de séculos de violência, segue de pé, ensinando que viver em harmonia com a natureza não é utopia, mas sabedoria ancestral indispensável para o futuro do planeta.
Mẽ ixpê panhĩ na mẽ ixihtỳx. Jakamã na arĩgro pê 19 nẽ mytwrỳ pê abril pix hã kêt. Nom kôt ajamaxpẽr kaxyw. Nẽ mẽ yrpê hã pijaàm nẽ mẽ hihtỳx nẽ pa xyrpê. Na pre panhĩjaja xyrpê ahpunujja hã amgrà xohtôô nẽ. Nom mẽ harĩ jarãhã hihtỳx nẽ. Nẽ mẽ pamã mẽ pamex nẽ pà mẽ tãm amnhĩ nhĩpêx kaxyw. Nẽ ãm hãmri na mẽ amnhĩ nhĩpêxja. No mẽ amaxpẽr ho êx kêt. Amnepêm mẽ amaxpẽrja kota mẽ pakukamã pyka xyrpê tãm amaxpẽr.
1 Tradução da língua Panhĩ Apinajé - Dia dos Povos Indígenas
2 Titulo na língua Panhĩ Apinajé - Amaxpẽr japuj ri kôt amaxpẽr
3 Palavra em língua Panhĩ Apinajé- Pyka
4 Exemplos: https://alfabecantar.com.br/ - https://cpdoc.fgv.br/apinaje/biblioteca e muitos acervos digitais em construção, resultado da produção cientifica indígena
25 de abr. de 2026
14 de abr. de 2026
ACAMPAMENTO TERRA LIVRE-ATL 2026

Fotos: Madalena Vieira/Ascom Coiab
2026 ® © Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
19 de nov. de 2025
EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA
MANIFESTO
DAS LIDERANÇAS SOBRE DEMISSÃO DE SERVIDORES DAS ESCOLAS INDÍGENAS APINAJÉ
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| Prédio da Escola Estadual Indígena Tekator, aldeia Mariazinha. (foto: Euclides Ribeiro Apinajé, Nov. 2025) |
Na última terça-feira 11 de novembro de 2025, estivemos reunidos na aldeia Prata, território Apinajé, município de Tocantinópolis (TO), os caciques, lideranças e representantes da Associação União das Aldeias Apinajé-PẼMPXÀ, da Associação Indígena PYKA MEX para tratativas sobre a questão da Educação, especialmente a demissão dos trabalhadores da educação em aldeias nos municípios de Tocantinópolis e Maurilândia. Na presente reunião debatemos e questionamos o Ato Declaratório de Extinção Nº 825/2025/GASEC/SECAD de 30 de outubro de 2025, publicado no Diário Oficial do Estado do Estado do Tocantins Nº 6.933 de 04 de novembro de 2025 que demitiu os servidores indígenas que trabalham nas Escolas Apinajé. Pelo fato de tais demissões acontecerem de surpresa, realizado à revelia das comunidades, sem aviso prévio ou qualquer informação antecipada aos caciques e funcionários. No referido Ato Declaratório o governo alega “necessidade de reajustamento na prestação de serviço”, mas estamos na dúvida e pedimos esclarecimentos sobre essas demissões, e por qual motivo o governo demite servidores em massa no final do ano letivo, situação que está causando insegurança, instabilidades e prejuízos para comunidades; estudantes e os próprios trabalhadores que foram demitidos. Assim entendemos que tal método de governança sem diálogo com a população e os servidores públicos da educação não contribui para organização da política da Educação Escolar Indígena e causa sérios problemas para vida pessoal dos servidores (trabalhadores) e para a coletividade Apinajé. O governo deveria considerar e atender as demandas das comunidades, com relação ao serviço público, pois somos nós que sabemos e conhecemos nossa realidade e necessidades. Os gestores (não-indígenas) que vivem e trabalham nos gabinetes e escritórios governamentais não sabem o que acontece nas aldeias indígenas, e, portanto, não podem tomar decisões sem ouvir e consultar nossas lideranças e organizações de base. Ao invés de demitir funcionários o governo do estado deveria estar dialogando e acompanhando o crescimento populacional das comunidades para melhor atender as demandas do povo Apinajé que cresce a cada ano com relação a Educação Escolar Indígena. Em consequência desse crescimento da população Apinajé, existem muitas (demandas) solicitações de construções e reformas de prédios, ampliações de salas de aulas, aquisição de mobílias e materiais de escritório para Escolas das aldeias Palmeiras e Prata, ainda construção de quadra de esporte e alambrado na Escola Mãtyk da aldeia São José; lembrando que essas estruturas são fundamentais para melhorar o funcionamento e a qualidade do ensino nas Escolas Indígenas do estado. Na região da aldeia Mariazinha, também no município de Tocantinópolis (TO) os caciques e lideranças se reuniram no dia 12 de novembro de 2025 para tratar também sobre a questão da Educação Escolar Indígenas e exoneração de servidores de cada Escola e das extensões pelo atual governador do estado. Na reunião o cacique Euclides Ribeiro Apinaje informou, que foram convocados pela Superintendência Regional de Educação – SRE, de Tocantinópolis, que os caciques, Diretores da Unidade Escolar e professores responsáveis, estiveram presentes na reunião que aconteceu dia 10 de novembro de 2025, na SRE, para tratar sobre o Processo Seletivo para Diretores das Unidades Escolares. Entretanto nesta reunião o pessoal da Superintendência Regional de Educação -SRE não trataram sobre demissões de servidores, mas questionada pelas lideranças presentes na reunião sobre as demissões dos (servidores) trabalhadores da educação a senhora Vanessa afirmou aos caciques que iria levar essas demandas de demissões para o Secretário de Educação na quarta-feira dia 12/11/2025, e daria uma resposta na sexta feira dia 14/11/2025, então as lideranças e caciques presentes decidiram aguardar a resposta até o dia marcado, e se não resolver a nossa demanda vamos paralisar as aulas total. Após a fala do cacique Euclides, foram apresentados os servidores demitidos, das Escolas; aldeia Brejão (Escola Kagapixi) e Extensões aldeias Cipozal e Recanto, aldeia Girassol (Escola Kõkre) e Extensão aldeia São Raimundo, aldeia Bonito Escola Tamkak e aldeia Botica Escola Pepkro. Nas Escolas citadas acima onde ocorreu demissões de merendeiras e vigias as aulas já estão paralisadas. Na aldeia Mariazinha aulas na Escola Tekator ainda estão funcionando normalmente, mas, se não tivermos resposta para recontratar os funcionários (demitidos) já a partir de segunda feira as aulas serão paralisadas também. Após várias conversas e entendimento entre nossos caciques e lideranças, ficou definido que não aceitamos continuar as aulas nessas condições; que se o governo não readmitir todos os funcionários as aulas continuarão suspensas sem previsão de retorno. Declaramos nossa discordância com essas demissões e repudiamos esse Ato Declaratório do governo sem qualquer justificativa, aviso prévio ou explicação antecipada. Nós sentimos prejudicados e desrespeitados nosso direito de acesso à informação; pois temos direitos de ser previamente informados sobre questões e assuntos de nosso interesse. Entendemos que a demissão de servidores da educação pelo governador do estado de Tocantins, foi decisão política unilateral tomada pelos próprios governantes (políticos), e não foi feita com base técnica a partir das necessidades e demandas das Escolas Indígenas. Dessa forma informamos que as aulas foram paralisadas por (02) dois dias enquanto aguardamos o retorno dos servidores indígenas Apinajé que foram demitidos sem explicação ou justa causa. Se os servidores não forem readmitidos vamos continuar nossa mobilização e manter a paralização em todas as Escolas Estaduais do território Apinajé.
Associação
União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ
Associação
Indígena PYKA MEX


