Curso de Extensão: Meio Ambiente, Política Indigenista e Direitos Indígenas

Durante o Curso debatemos especialmente sobre os
direitos territoriais e a relação do Estado brasileiro por meio do extinto
Serviço de Proteção ao Índio -SPI e da
Fundação Nacional do Índio -FUNAI junto a nosso povo Apinajé. Observamos que
especialmente o extinto SPI tinha como principal mandato e incumbência de fazer a política do contato e integrar os diversos
povos indígenas à sociedade nacional.
A pesar das graves falhas e contradições
verificadas na atuação dos servidores do SPI, na T.I. Apinajé naquela época a
presença do Estado ajudou inibir os invasores evitando o extermínio de nosso
povo pelos não-índios. Lembrando que entre as décadas de 40 e 50 sofremos
consideráveis baixas em nossa população e quase fomos totalmente massacrados
pelas frentes de colonização e por doenças.
O estudo esclareceu que na década de 70 já na época
da atuação da Fundação Nacional do Índio – FUNAI, este órgão criado para
tutelar o índio tinha também a contraditória e conflitante missão de proteger e
integrar os índios a sociedade envolvente. Por culpa dessa perversa política integracionista
imposta pelo Estado, muitos povos foram dizimados ou tiveram seus territórios
tradicionais invadidos e usurpados.
Evidentemente mesmo frente à opressão e domínio do
Estado, os povos indígenas nunca deixaram de lutar por seus territórios,
culturas e modos de Vida. A partir da Constituinte de 1988 o Estado brasileiro reconheceu
aos povos indígenas alguns direitos que infelizmente nunca foram efetivamente
cumpridos. Dessa forma muitas terras indígenas nunca foram demarcadas ou sequer
reconhecidas, e seguem ocupadas por não-índios até os dias de hoje. Mas a nossa
luta por direitos e garantias de territórios continua....
O Curso enfatizou ainda que as grandes obras de
infra-estrutura implantadas desde a década de 50 até os dias de hoje trouxeram
muitos problemas para nosso povo. Assim mega-projetos como a Rodovia Belém-Brasília,
a BR 230 (Transamazônica) que corta o território Apinajé, o projeto Grande Carajás
da Companhia Vale do Rio Doce – CVRD, a ferrovia Norte-Sul e outros projetos desenvolvimentistas
implantados pelo Estado brasileiro continuam agravando os impactos ambientais em
nosso território tradicional e provocando graves problemas sócio-culturais para
nossas aldeias.
No Curso o Prof. Marcelo Brasil Gonzalez disponibilizou
ainda farta documentação histórica sobre a luta do povo Apinajé pela demarcação
do território relatada a partir da década de 20. O material digitalizado
contém valiosas obras como “As Cartas do Sertão” e “Os Apinajé” de Curt Nimuendajú,
“Os Apinajé do Alto Tocantins” de Carlos Estevão de Oliveira. O acervo inclui
ainda obras de Odair Geraldin, Raquel Pereira Rocha entre outros (as) autores. A
União das Aldeias Apinajé – Pempxà e a
FUNAI/CTL de Tocantinópolis foram parceiros e apoiadores na realização
da Oficina.
Terra Apinajé, 12 de agosto de 2016
União das Aldeias Apinajé-Pempxà
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