REPRESENTANTES DA PREFEITURA DE
TOCANTINÓPOLIS, FUNAI, AGETO, IBAMA E ASSOCIAÇÃO PEMPXÀ SE REUNIRAM PARA TRATAR
SOBRE A SITUAÇÃO DAS ESTRADAS VICINAIS DE ACESSO ÀS ALDEIAS
Na
quarta-feira, 06 de abril foi realizada no Auditório da Secretaria Municipal de
Saúde de Tocantinópolis Reunião que contou com as presenças e participação do
Prefeito Paulo Gomes e demais autoridades e representantes da Fundação Nacional
do Índio-FUNAI, da Agência Tocantinense de Obras-AGETO do Instituto Nacional de
Meio Ambiente- IBAMA que trataram sobre a situação das estradas vicinais de
acesso às aldeias Apinajé.
Na ocasião o
Coordenador Técnico da FUNAI em Tocantinópolis, João Batista da Silva Filho,
lembrou que existem um Acordo firmado com participação do MPF-AGA, FUNAI,
AGETO, Associação PEMPXÀ e as Prefeituras de Tocantinópolis, Maurilandia, São
Bento do Tocantins e Cachoeirinha para garantir a manutenção das estradas vicinais
na terra Apinajé. Mas os Termos desse Acordo nunca foram totalmente cumpridos
pelas Prefeituras.
O prefeito
Paulo Gomes afirmou que a única Prefeitura que ainda está cumprindo esse Acordo
é Tocantinópolis, e alegou que tem fornecido combustíveis, alimentos e maquinas
para manutenção das estradas que fazem parte do município. Disse que as chuvas estão
impedindo a realização dos serviços, mas quando passar esse período chuvoso
podemos recuperar os trechos; iniciando pela região da aldeia Mariazinha e
depois na região da São José.
O presidente
da Associação PEMPXÀ Emílio Dias Apinajé, observou que descumprimento do
Acordo pactuado entre o MPF-AGA, as quatro Prefeituras, a FUNAI, a AGETO e a
comunidade indígena para garantir a manutenção das estradas vicinais de acesso
às aldeias sempre atrapalha o andamento das ações. O representante da Associação Pempxà também pediu a realização de
uma Reunião com Ministério Público Federal-MPF AGA para tratar sobre essa
questão das estradas vicinais.
O
Coordenador João Batista da Silva filho se comprometeu conversar com o MPF-AGA
e agendar essa Reunião. O Coordenador da FUNAI comentou ainda que não vai mais
apontar “prioridades”, por onde as Prefeituras devem começar os trabalhos, e
disse que essa decisão deve sair das próprias lideranças.
Todos os
anos no período das chuvas esse problema das estradas vicinais no território
Apinajé se repete, e diante dessa situação observamos sempre os órgãos públicos tentando transferir responsabilidades para os outros. Entendemos que cabe
às Prefeituras e a AGETO assumirem responsabilidades de forma permanente com essas
obras. Os gestores públicos também devem inserir em seus planos
orçamentários recursos para cobrir despesas com manutenção e recuperação dessas
estradas garantindo condições para realizar esses serviços todos os anos.
É necessário
que o MPF-AGA retome as reuniões presenciais com participação de todos
interessados para tratar dessa situação, como vinha acontecendo antes da
pandemia. E os Acordos firmados pelos órgãos públicos envolvidos devem ser
cumpridos, do contrário no ano que vem estaremos aqui novamente reclamando da
situação dessas vicinais sem manutenção e intransitáveis, dificultando a vida
das comunidades. Os serviços públicos essenciais executados pela União, Estados
e Municípios através da SESAI, FUNAI, IBAMA, SEDUC e as próprias Prefeituras ficam
prejudicados causando inúmeros transtornos para população indígena.
Diante de
toda essa situação, os mais de 750 Estudantes indígenas que estudam na Escola
Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José e Escola Estadual Indígena Tekator
na Mariazinha estão sofrendo os maiores prejuízos por causa da situação dessas
estradas, lembrando que essas crianças já ficaram dois anos sem aulas durante a
pandemia de COVID-19.
Terra Indígena Apinajé, abril de 2022
Associação
União das Aldeias Apinajé - Pempxà