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16 de jun. de 2014

CULTURA

I ENCONTRO DE PAGÉS (WAYAKÁS)
Abertura do Encontro de Pagés na aldeia Prata (Pyka Mex). (foto: Antônio Veríssimo. Junho de 2014).
       No período de 12 a 14 de junho de 2014, aconteceu na aldeia Prata (Pyka Mex), na Terra Indígena Apinajé, no Município de Tocantinópolis (TO), o I Encontro de Pagés (Wayakás). O evento foi realizado pela Associação Pyka Mex e teve a participação de representantes dos povos Apinajé, Krahô, Krikati, Gavião, Xerente e Kayapó e contou com o apoio institucional da Fundação Nacional do Índio-FUNAI, da Universidade Federal do Tocantins-UFT e da Prefeitura Municipal de Tocantinópolis. O Centro de Trabalho Indigenista- CTI e a Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ também apoiaram o Encontro.
       Na quinta-feira dia 12/06 pela manhã, na abertura oficial do evento, o cacique Elias Salvador Apinajé e o coordenador do Encontro, Samuel Xerente depois de agradeceram a presença dos Pagés, caciques e lideranças indígenas, dos Professores e Estudantes da Universidade Federal do Tocantins-UFT e dos Coordenadores da FUNAI local, deram inicio os debates observando a importância do Encontro para as lutas e resistência dos povos indígenas.
Apresentações de remédios tradicionais. (foto: Antônio Veríssimo. Junho
de 2014).
     Em seus depoimentos os Pagés, caciques e lideranças manifestaram interesses em resguardar e fortalecer os Conhecimentos e Saberes Tradicionais essenciais para continuidade das tradições e para manutenção das relações de respeito e convivência equilibrada com a natureza. Os Pagés também se expressaram em defesa do patrimônio ambiental e da biodiversidade existente nas terras indígenas e enfatizaram a urgente necessidade da proteção e garantia desses territórios localizados em regiões de cerrado e florestas nos Estados do Tocantins, Maranhão e Pará, que estão sendo fortemente prejudicadas e ameaçadas pelas empresas madeireiras, plantações de eucaliptos, carvoarias e pecuária.
    Os participantes criticaram a ausência de uma política de Estado que dê o devido reconhecimento e amparo legal às atividades dos Pagés e Parteiras, esses que são considerados autênticos Guardiões e Mestres dos Saberes e Conhecimentos Tradicionais Indígenas. As lideranças afirmaram que a escola deve efetivamente ser um espaço de transmissão dos saberes e conhecimentos tradicionais e que o Governo Federal por meio do Ministério da Saúde, SESAI e os DSEIs também devem apoiar e valorizar mais o uso da medicina indígena.
Pintura dos participantes do Encontro. (foto: Antônio
Veríssimo. Junho de 2014).
    No dia 13/06 de 2014 os Pagés apresentaram as raízes, cascas, sementes e folhas de plantas que são remédios receitados para curar as doenças dos índios que a medicina dos Kupẽ não vê e não conhece. No período da tarde foram realizadas atividades de campo em áreas de cerrado próximo à aldeia Prata (Pyka Mex), visando mostrar como são coletados esses remédios que fazem parte de nossa Farmácia Viva e Natural. Durante os três dias todos esses medicamentos foram colocados em exposição para apreciação dos participantes do Encontro.
      Ainda no dia 13/06, no período da noite o Prof. André Demarchi da Universidade Federal do Tocantins-UFT e Bepunu Kayapó, cineasta e pesquisador do Museu paraense Emílio Goeldi, apresentaram o Documentário: Meôk (Nossa Pintura), que mostrou como é realizada essa importante tradição da pintura dos Mebengôkre- Kayapó do Sul do Pará.
    Em 14/06 ao meio dia aconteceu o encerramento do I Encontro dos Pagés (Waiakás). O próximo Encontro será realizado novamente na aldeia Prata (Pyka Mex), em data ainda a ser confirmada.

Terra Indígena Apinajé, 16 de junho de 2014.

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

ORGANIZAÇÃO INDIGENA

VIII REUNIÃO DO CONSELHO GESTOR DO PBA-TIMBIRA

Com a efetiva participação de caciques, lideranças, conselheiros titulares e suplentes dos povos Apinajé, Krahô, Krikati e Gavião e representantes da Fundação Nacional do Índio–FUNAI/CRAT de Palmas (TO) e Imperatriz (MA), CTLs de Carolina e Amarante (MA), Tocantinópólis e Itacajá (TO) e da presidenta da Associação Wyty- Cäte dos Povos Timbira de Tocantins e Maranhão, Arlete Bandeira.   Nos dias 10 e 11 de junho de 2014 foi realizada na aldeia Patizal a VIII reunião do Conselho Gestor do PBA-Timbira. Ao menos 50 pessoas estavam presentes na reunião.

Durante a VIII Reunião do Conselho Gestor os caciques apresentaram suas propostas para o ano 2014. Novamente as comunidades optaram pelo eixo Segurança Alimentar e Nutricional e apresentaram projetos de roças familiares, onde deverão ser plantados arroz, mandioca, milho, feijão batata, banana, fava e outros. Também foram efetuadas as prestações de contas dos projetos implantados em 2013. No dia 10/06 no período da noite foi exibido o Documentário: Nuvens de Veneno.
Conselheiros representantes dos povos: Krahô, Krikati e Gavião. ( foto: Antônio Veríssimo. junho de 2014)

No decorrer da reunião foram debatidos e avaliados os problemas e implicações decorrentes do uso intensivo da mecanização e da aplicação de agrotóxicos na produção de alimentos. Os conselheiros recomendaram que esses métodos equivocados nunca devem ser aplicados nas áreas indígenas, por que envenenam e degradam o meio ambiente e prejudicam a saúde humana. As questões relacionadas à guarda e uso dos equipamentos adquiridos pelo CESTE, que estão sob a responsabilidade da FUNAI também foram tratadas na reunião.

Em 11/06, quarta-feira, último dia da reunião foram aprovados os projetos e definidos os valores dos recursos que serão investidos em cada aldeia em 2014. Os projetos de casas de farinha que não foram concluídos ano passado, por insuficiência de recursos, deverão ser encerrados esse ano.

Finalmente o líder e conselheiro Marcelo Gavião denunciou a grave situação de ameaças e conflitos provocados por invasões de madeireiras que estão ocorrendo nos territórios indígenas do Estado do Maranhão, especialmente nas terras Gavião e Awá-Guajá.

A próxima reunião do Conselho Gestor do PBA-Timbira será realizada no período de 18 a 21 de novembro de 2014 na aldeia Governador do Povo Gavião, no município de Amarante (MA).


Terra Indígena Apinajé, 16 de junho de 2014.


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

6 de jun. de 2014

POLÍTICA

                            A AGRESSIVIDADE E OFENSIVA DO AGRONEGÓCIO

      Faltando pouco mais de quatro meses para as eleições e já estamos testemunhando alguns candidatos em plena campanha político eleitoral.  Com essa finalidade esses indivíduos estão correndo e mobilizando seus cabos eleitorais nos municípios e realizando articulações políticas em todo o Estado do Tocantins.
      De repente alguns desses candidatos como num passe de mágica estão aparecendo nas aldeias, com ar de “inocentes” oferecendo presentes, doando “pacotes” de bondades e realizando certas “ações” como se estivessem fazendo favores.Também como estratégia para iludir e enganar a população, mais uma vez esses falsos representantes do povo voltam às comunidades repetindo as mesmas promessas feitas em campanhas passadas.
     No mês de fevereiro desse ano, políticos mobilizaram a população de Tocantinópolis e região pela pavimentação asfáltica da rodovia TO 126 que corta a Terra Indígena Apinajé. Além de não índios, o movimento eleitoreiro envolveu alguns indígenas da região da aldeia Mariazinha, usados politicamente com a finalidade de pressionar a FUNAI, IBAMA e MPF para liberação no grito da Licença Ambiental da mencionada obra sem o devido cumprimento das Normas Legais.
       Nesse contexto de campanha eleitoral, esses políticos estão se envolvendo em episódios “inusitados”. O fato mais delirante aconteceu na aldeia Mariazinha no último dia 02/06/14, quando alguns instrutores e técnicos do SENAR teriam ido ministrar cursos de formação para índios daquela comunidade. Na ocasião a senadora ruralista Kátia Abreu, presente no evento, sem nenhum remorso ou escrúpulos vestiu e se enfeitou de Apinajé e as fotos foram postadas na internet.
     É comum e faz parte de nossa cultura oferecer aos visitantes enfeites e ornamentos como colares, cocares e pulseiras. Todavia no caso da senadora Kátia Abreu o “ritual” pegou mal e lhe rendeu muitos protestos e reclamações nas redes sociais e na própria comunidade Apinajé.
      Por sua atuação parlamentar desfavorável aos interesses das populações indígenas, quilombolas e agricultores familiares, a senadora vem sendo muito criticada e repudiada pelas organizações indígenas e camponesa do Brasil. É público e notório que durante seu mandato a senadora Kátia Abreu e sua bancada ruralista têm se revezado na tribuna do Senado Federal proferindo discursos ofensivos e dessa forma incitando uma infame campanha contra os Direitos Constitucionais dos Povos indígenas, incluindo as tentativas de aprovação da PEC 215/2000.
       Em razão desse histórico infeliz de contradições, ponderamos que a nobre senadora deveria evitar andar nas aldeias indígenas, ainda que fosse convidada. Ressaltamos que nossos verdadeiros aliados, defensores e amigos da causa indígena que reconhecemos não usam de métodos inconvenientes para chegar a nossas comunidades. Esses estilos fingidos de fazer política não passam de uma desprezível afronta perpetrada por quem tem interesses de insultar e atingir as legítimas bases de nossas organizações indígenas e camponesas do Estado do Tocantins e do Brasil.
     Denunciamos e repudiamos essa postura abusiva, incomoda e inadequada de alguns políticos e requeremos do MPE- Ministério Público Eleitoral do Estado do Tocantins, o acompanhamento e fiscalização do Processo Eleitoral em curso, para que não ocorram excessos e vícios que venham enganar e confundir o eleitor. Podemos assim prevenir e evitar situações que possa futuramente gerar dúvidas sobre a licitude e validade desse ato democrático de escolher nossos governantes por meio do voto. Que em nossa compreensão deve ser exercido pelos cidadãos brasileiros de maneira livre, refletida e consciente.


Terra Indígena Apinajé, junho 06 de de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

3 de jun. de 2014

MEIO AMBIENTE: CONVIDAMOS VOCÊ PARA CUIDAR DO BRASIL!

NO DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE: LEMBRAMOS NOSSA CARTA DE RESPONSABILIDADES

Crianças indígenas já sofrem as consequências das Mudanças Climáticas .(foto:Antônio Veríssimo. Mar. 2012) 

Somos jovens do Brasil inteiro buscando construir uma sociedade justa, feliz e sustentável. Assumimos responsabilidades e ações cheias de sonhos e necessidades. Este é um meio de expressar nossas vontades e nosso carinho pela vida e sua diversidade. Compreendemos que sem essa diversidade o mundo não teria cor. Encontramos caminhos para trabalhar temas globais, complexos e urgentes: Mudanças Climáticas, Biodiversidade, Segurança Alimentar e Nutricional e Diversidade Étnico-Racial. Queremos sensibilizar e mobilizar pessoas para juntos encararmos os grandes desafios socioambientais que nossa geração enfrenta. Para cuidarmos do Brasil precisamos de sua colaboração. Compartilhamos a responsabilidade com os governos, empresas, meios de comunicação, ONGs, movimentos sociais e culturais, além de nossas comunidades.

             Assim assumimos estas responsabilidades:


                     1. Divulgação da informação e ampliação dos conhecimentos por meio da educação ambiental.
           2. Proteção e valorização da biodiversidade.
    3.Transformação das cidades, comunidades e escolas em espaços ambientalmente saudáveis. 
           4. Diminuição da produção de lixo praticando os 5 Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. 
           5. Redução da emissão de gases poluentes que provocam o aquecimento global.
                 6. Prevenção do desmatamento e das queimadas.
           7. Respeito, entendimento e reconhecimento da diversidade cultural.
              8.Valorização da produção e do consumo de alimentos naturais e orgânicos.
           9. Reeducação alimentar respeitando os hábitos dos povos.

CONVIDAMOS VOCÊ PARA CUIDAR DO BRASIL!

Esta é parte da Carta de Responsabilidades escrita e assinada por 560 delegados e delegadas entre 11 a 15 anos, durante a II Conferência Nacional Infanto-juvenil pelo Meio Ambiente, em 26 de abril de 2006. Eles representavam 12 mil escolas e comunidades de todo o país que realizaram suas Conferências em 2005, com 4 milhões de pessoas.

Terra Indígena Apinajé, 03 de Junho de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

29 de mai. de 2014

ACAMPAMENTO TERRA LIVRE 2014

TODO DIA É DIA DE LUTAS

Lideranças indígenas sendo presos pela PF no Sul. 
(foto: Renato Santana. CIMI/Nacional/2014)
         Esta semana mais de 500 lideranças indígenas se reuniram no Acampamento Terra Livre 2014, na Esplanada dos Ministérios em Brasília (DF), protestando contra as propostas, medidas e decisões que estão sendo adotadas pelos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário com finalidades e pretensões de minar e desconstruir os Direitos Constitucionais dos Povos Indígenas do Brasil.
       As manifestações fazem parte da Mobilização Nacional Indígena, que vem sendo realizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e Organizações indigenistas aliadas com a finalidade de apoiar e mobilizar os povos indígenas na luta pela defesa, a garantia e efetivação de Direitos Constitucionais, ameaçados por inúmeras propostas e medidas legislativas que atualmente tramitam especialmente na Câmara dos Deputados e Senado Federal, entre elas a PEC 215/2000 e o PLP 227/2012.
       Diante dessas ofensivas e ameaças promovidas por políticos e setores antagônicos ligados ao agronegócio, empresas mineradoras e madeireiras, que pretendem desmontar e alterar a Constituição Federal do Brasil visando transferir a competência de demarcar terras indígenas do Poder Executivo para o Poder Legislativo e “esvaziar” a Fundação Nacional do Índio. Denunciamos mais uma vez esse descaso e violência institucional claramente marcada e manifestada pela ausência de demarcação e proteção de territórios necessários para sobrevivência física e cultural das populações indígenas e imprescindíveis para manutenção da biodiversidade e a sustentação ambiental do País.
      A propósito os protestos que estão acontecendo em Brasília (DF) refletem nossa preocupação e indignação com essa benevolência e reciprocidade de alguns setores do Governo Federal com parlamentares da bancada ruralista, contrários aos direitos indígenas. Nessas circunstâncias o Governo Brasileiro pode ser diretamente responsabilizado pelos assassinatos, execuções, expulsões, suicídios, despejos, criminalização, prisões ilegais, agressões físicas e psicológicas e outras práticas abusivas recorrentes em áreas de conflitos. Rogamos que essas violações de Direitos Humanos, marcados por episódios intoleráveis suscitados pela omissão, permissão e participação de agentes governamentais, cessem e nunca mais se repitam.
      Postulamos e requeremos também que as recomendações da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho e da Declaração da Organização das Nações Unidas Sobre os Direitos das Populações Indígenas e Tribais sejam efetivamente acatadas e seguidas pelo Governo Brasileiro. Do contrário esses Tratados e Acordos Internacionais sempre serão rotulados como protocolos frios firmados em folhas de papel e usados somente com a finalidade de mascarar e disfarçar a postura intransigente e falaciosa de governos autoritários.


Terra Indígena Apinajé, 29 de maio de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

16 de mai. de 2014

SAÚDE E MEIO AMBIENTE

LIXÕES EM TOCANTINÓPOLIS (TO), AMEAÇAM O MEIO AMBIENTE E A SAÚDE PÚBLICA


Lixões à céu aberto próximo ao núcleo urbano de Tocantinópolis (TO). (foto: Antônio Veríssimo. Maio de 2014)

Temos observado uma crescente insatisfação e preocupação da sociedade, com os problemas decorrentes da falta de responsabilidade ambiental e má gestão dos resíduos sólidos que são produzidos diariamente nas cidades. Entretanto percebemos de parte dos gestores públicos pouco ou nenhum interesse em administrar e resolver essa grave situação dos lixões que a cada dia se acumulam nas redondezas e proximidades dos centros urbanos das pequenas, médias e grandes cidades do Brasil.
A placa indica local à céu aberto destinado à carcaças e vísceras de animais. (foto: Antônio Veríssimo. Maio/14)

No caso de Tocantinópolis (TO), a situação é séria e vergonhosa. Nesse município o lixão fica localizado próximo a algumas cabeceiras nascentes de ribeirões que correm e passam dentro desta cidade. O mencionado lixão fica distante à apenas 2 km da divisa Sul do Território Apinajé, assim notamos uma flagrante agressão ambiental e grave ameaça à saúde da população indígena, situação que a sociedade civil e a imprensa devem denunciar.

As margens da principal estrada vicinal de acesso às aldeias São José e Serrinha, durante todo ano, são despejados milhares de toneladas de lixo a céu aberto, comprometendo e ameaçando o solo, os mananciais hídricos e o ar, que podem estar sendo seriamente poluídas ou contaminadas por resíduos oriundos das indústrias, residências, comércios e até de hospitais. Dessa forma na época das chuvas, matérias poluentes são levadas pelas águas das chuvas até as nascentes da região e na estiagem toneladas lixos são queimados, lançando no ar partículas nocivas e tóxicas que podem causar ou agravar as doenças respiratórias das pessoas e animais que moram e vivem nas vizinhanças desse lixão.
       
Lixo sendo queimado; flagrante de irresponsabilidade ambiental. (foto: Antônio Veríssimo. Maio de 2014)

Há muitos anos na estação seca, temos verificado o aumento considerável de casos de pneumonia, febres e gripes que atingem principalmente as crianças recém-nascidas das aldeias, São José, Aldeinha, Abacaxi, Areia Branca e Serrinha, localizadas mais próximas desse lixão. As lideranças reclamam da intensa fumaça que é lançada na atmosfera e levada pelos ventos em direção a essas aldeias. Alguns moradores dos povoados e cidades vizinhas também costumam jogar lixos domésticos e carcaças de animais as margens das rodovias e vicinais dentro da área indígena Apinajé.

Solicitamos da FUNAI, MPF/AGA, IBAMA e NATURATINS uma fiscalização no sentido de obrigar as prefeituras municipais cumprirem os prazos estabelecidos pelo Governo Federal para implantação de aterros sanitários indispensáveis para correta destinação desses resíduos sólidos. Sendo essa também uma das condições e medidas necessárias para garantir a conservação ambiental, o saneamento básico e a melhoria da saúde da população. 


Terra Indígena Apinajé, 16 de maio de 2014.


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

12 de mai. de 2014

MEIO AMBIENTE


SELEÇÃO E CURSO DE BRIGADISTAS INDÍGENAS DO IBAMA/TO, NA TERRA INDÍGENA APINAJÉ

Instrutores do IBAMA, avaliam o desempenho dos jovens Apinajé. (foto: Antônio Veríssimo. Maio de 2014)
           Nos últimos anos nesse período seco (de estiagem) que vai de maio a setembro, o cerrado, as matas ciliares e florestas de transição da Terra Indígena Apinajé localizada nos municípios de Tocantinópolis, Maurilândia, São Bento do Tocantins e Cachoeirinha, estão sendo seriamente atingidas pelo fogo. Todos os anos centenas de hectares são destruídos por incêndios, que em sua maioria é resultado da ação criminosa de caçadores, arrendatários de pastos e outros invasores.
Jovens realizam testes de aptidão física. (foto: Antônio
Veríssimo. maio de 2014)
         Visando preparar melhor as populações indígenas, no sentido de prevenir e evitar essas graves ocorrências de fogo nas áreas indígenas, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA, gerencia do Estado do Tocantins, por meio de convênio firmado com a Fundação Nacional do Índio-FUNAI, vem realizando Cursos de Brigadistas Indígenas, que inicialmente foram realizados nas terras dos povos Xerente, Javaé e Krahô. Este ano estão sendo preparados os Brigadistas Apinajé e Karajá Xambioá no Norte do Estado.
        Dessa forma nos dias 10 e 11 de maio do corrente ano, 63 jovens Apinajé, participaram de uma seleção, realizando Testes de Aptidão Física e Testes de Uso de Ferramentas Agrícolas. Os jovens foram acompanhados e avaliados pelos senhores Waner Lima, Instrutor e Álvaro Mendonça, Gerente Estadual do Fogo do IBAMA/TO. Os testes, avaliação e seleção aconteceram na Aldeia Areia Branca, na terra Apinajé, no município de Tocantinópolis (TO). Dos 63 jovens concorrentes, 27 foram selecionados, dos quais 15 são titulares e 12 suplentes. Agora os selecionados participarão de um curso teórico e prático que acontecerá no período de 12 a 16 de maio de 2014, no Campus da UFT na cidade de Tocantinópolis (TO).
Participante na linha de chegada. (foto: Antônio Veríssimo.
Maio de 2014)
      O Técnico Indigenista da FUNAI/CTL de Tocantinópolis (TO), Marcelo Gonzalez Brasil, que acompanha os cursistas, informou que o objetivo dessas Brigadas Indígenas é atuar dialogando e conscientizando a população indígena e não- índios sobre os cuidados e prevenção do fogo nas terras indígenas. O Técnico da FUNAI lembrou que “às vezes os próprios índios por ocasião das caçadas costumam tocar fogo nos campos e que a falta de cuidados e controle na hora de queimar os roçados também é outro fator de riscos que contribui para aumento dos incêndios no território Apinajé”.




Terra Indígena Apinajé, 12 de maio de 2014.


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

7 de mai. de 2014

OS SINOS DOBRAM PARA DOM TOMÁS


LUTO: MORREU DOM TOMÁS BALDUÍNO 
Dom Tomás, presente na II Assembleia dos Povos Indígenas de Goiás e Tocantins. (foto: Laila Meneses/CIMI. Maio de 2013)

Nasceu na cidade de Posse (GO), em 31 de dezembro de 1922 e estava com 91 anos. Seu nome de batismo era Paulo Balduíno de Souza Décio. Com muita ousadia e coragem em 1972 em plena ditadura militar fundou o Conselho Indigenista Missionário e mais tarde em 1975 a Comissão Pastoral da Terra. Dom Tomás fez opção entregando a sua vida pastoral em defesa das causas sociais e dos direitos dos povos indígenas e dos trabalhadores rurais e camponeses. Nos anos 70 e 80 o religioso fez oposição direta à ditadura militar e sempre questionou o agronegócio e suas consequências, durante “os anos de chumbo” nunca se curvou diante da prepotência dos ditadores e nem se intimidou com a violência promovida pelo latifúndio. Por ocasião do processo constituinte, participou ativamente das articulações no sentido que os direitos dos Povos Indígenas fossem reconhecidos e garantidos na atual Constituição Federal do Brasil, que foi promulgada em 88.

No seu aniversário de 90 anos de vida estava presente participando da Assembleia de 40 anos do CIMI  realizado em Luziânia (GO) em dezembro de 2012. No ano passado na II Assembleia dos Povos Indígenas de Goiás e Tocantins que aconteceu em Palmas (TO), Dom Tomás marcou presença e como sempre, estava bastante alegre e animado participando das atividades.

Em 04 de novembro de 2013 foi internado em hospital na cidade de Ceres-GO e no dia 07/11 foi transferido para Hospital Anis Rassi em Goiânia (GO),onde esteve hospitalizado por dez dias.
No último dia 14/04 foi internado novamente no Hospital Anis Rassi em Goiânia onde ficou hospitalizado até o dia 24/04. Em 25/04 voltou a ser internado, desta vez no Hospital Neurológico de Goiânia (GO), não resistindo um Trombo embolia Pulmonar e foi a óbito na madrugada de sábado dia 02/05/14.

CELEBRAÇÃO FÚNEBRE

Na Catedral de Santana na cidade de Goiás, ritual indígena para Dom Tomás. (foto: Jucilene G. Correia/Cimi GO TO. Maio 2014)

No dia 04/05 o corpo foi velado na catedral de Goiânia, sendo depois transladado para cidade de Goiás (GO). Na tarde do dia 05/05, segunda-feira na catedral local, Dom Tomás foi homenageado com ritual indígena realizado e oferecido por representantes dos Povos Apinajé, Krahô, Xerente, Carajá Xambioá, Tapuia e Tapirapé. Naquele momento também foram lidas dezenas de mensagens de pesar enviadas por amigos e companheiros de todas as regiões do Brasil. Dom Erwin Krautler Bispo de Altamira (PA), e presidente do CIMI, enviou carta lembrando os momentos e ações missionárias que realizaram juntos aos povos indígenas Xikrim do Bacajá e Kayapó no Sul do Pará.

A noite foi rezada missa solene pelo Bispo diocesano local. Na ocasião algumas lideranças indígenas e não índios enfatizaram a trajetória, a caminhada e a luta do religioso em defesa dos índios, dos Sem Terra, dos Sem Teto, das Quebradeiras de Coco, dos Pescadores e Extrativistas.  A líder indígena, Gercília Krahô do Estado do Tocantins, afirmou que: “Dom Tomás foi um homem bom que se preocupou e cuidou dos empobrecidos, excluídos e oprimidos”.

Dia 06/05, segunda feira pela manhã continuaram as homenagens, oratórias e testemunhos da vida missionária e pastoral de Dom Tomás. A senhora Laudovina Pereira, coordenadora do CIMI GO/TO, disse que Dom Tomás foi uma pessoa do bem, um grande amigo e companheiro e que seu exemplo continuará vivo e nunca será apagado de nossas memórias. Ao meio dia depois de missa solene que durou duas horas, o corpo de Dom Tomás, foi sepultado na catedral de nossa senhora de Santana na cidade de Goiás (GO). Conforme os usos e costumes dos povos Apinajé e Krahô, em agosto próximo será realizado celebração religiosa na Aldeia Nova do povo Krahô, para encerramento do luto indígena.

GRATIDÃO

Amigos se despedem de Dom Tomás. (foto: Antônio Veríssimo. Maio de 2014)

Durante mais de 50 anos de sua vida missionária e pastoral, Dom Tomás sempre levantou sua voz forte e sábia para questionar e combater todas as formas de violências, de escravidão, de opressão, de tortura, de exclusão social e de exploração. Para os povos Indígenas, a passagem de Dom Tomás renovou nossas esperanças e fortaleceu nossas lutas. Para nós, Dom Tomás foi e continuará sendo um varão bom e justo, enviado por Deus e esperança dos injustiçados, um cidadão de princípios cristãos, de atitudes revolucionárias, de caráter firme, de postura ética, um benfeitor da humanidade, um homem honrado que cumpriu sua missão terrena, um ser humano que participou da vida social e politica do Brasil sem se deixar contaminar pela corrupção, um ativista e guerreiro da paz, que por sua caminhada e luta em defesa dos Direitos Humanos ficou reconhecido e respeitado no mundo inteiro. Somos gratos à esse homem que viveu com intensidade e plenitude sua vida dedicada aos povos oprimidos do Brasil.

Terra Indígena Apinajé, 07 de maio de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

25 de abr. de 2014

SEMANA DOS POVOS INDÍGENAS 2014

PUC-GO DEBATE ETNOARQUEOLOGIA E TERRITÓRIOS INDÍGENAS

Professores, estudantes e pesquisadores durante visita ao Memorial do Cerrado. (foto: Antônio Veríssimo. Abr. 2014)
       Todos os anos, antes ou depois do dia 19 de abril, data em que é comemorado o “dia do índio”, são realizados em todo o Brasil eventos para se discutir e debater a questão indígena. Na Semana dos Povos Indígena de 2014, a Pontifícia Universidade Católica de Goiás, realizou a IV Jornada de Arqueologia no Cerrado, aonde se tratou do tema: Etnoarqueologia e Territórios Indígenas.
       No período de 19 a 25 de abril de 2014, na PUC em Goiânia-GO foram realizadas palestras, mesas redondas, apresentações de trabalhos, exposições e amostras de filmes etnográficos. Professores, alunos, jornalistas, representantes de Instituições Públicas, de ONGs e lideranças indígenas participaram das atividades.
      Os palestrantes abordaram a questão da Territorialidade Indígena, debatendo como os Arqueólogos e Antropólogos podem atuar e ajudar mediar os conflitos envolvendo os múltiplos interesses de grupos políticos e econômicos que estão ameaçando e violando o Direito a Vida, a Territorialidade e a Espiritualidade das populações indígenas do Brasil.
        Drª. Marlene C. Ossami de Moura, Professora da PUC Goiás e Coordenadora do IGPA-Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia, declarou que a demarcação e a garantia dos territórios indígenas são necessárias e que o governo brasileiro deve cumprir o que determina a Constituição Federal e os acordos internacionais que o Brasil é signatário. Por sua vez, o Dr. Jorge Eremites de Oliveira da UFPel) abordou a situação de violência e o genocídio imposto pelo agronegócio contra a vida e existência do povo Guarani Kaiowá no Estado do Mato Grosso do Sul. Ainda na noite do dia 23/04, as professoras Maria dos Reis Pãxre Apinajé e Maria do Socorro Dias Achure Karajá expuseram trabalhos sobre a vida e a cultura de seus povos.
No ITS-Instituto do Trópico Subúmido, professores, estudantes conhecem
a réplica de uma aldeia Timbira. (foto: Antônio Veríssimo. 2014)
         Em 25/04/14, no período manhã professores, alunos e pesquisadores visitaram o Memorial do Cerrado e conheceram o ITS -Instituto do Trópico Subúmido, no local aconteceu palestra que debateu a Cosmociência, Territorialidade e Educação. O Dr. Altair Sales Barbosa da PUC-GO, que também é fundador do ITS -Instituto do Trópico Subúmido, ressaltou a importância dessa instituição para a ciência, a pesquisa e a preservação do Bioma Cerrado em todas as suas dimensões.  A Drª. Rosangela Tugny da UFMG ponderou no sentido do respeito e valorização dos conhecimentos indígenas e sugeriu que é preciso dar aos Mestres dos Saberes Indígenas, a importância e o reconhecimento que merecem, para que o Brasil seja de fato uma nação pluriétnica.
         O cacique Dodanin Piken Krahô da aldeia Manuel Alves, que é formado em Licenciatura Intercultural Indígena, explicou que na aldeia a Escola Indígena é livre e se aprende fazendo. As crianças desde pequenas aprendem com os pais e mães. Para povo Krahô a escola também acontece no pátio, na roça e em casa. “Os anciãos são bibliotecas vivas, quando precisamos pesquisar é só ir lá e perguntar”. Disse o cacique Krahô.
         Na noite desta sexta-feira, acontecerá o encerramento das atividades com animado Show do Grupo de Rap Guarani Kaiowa Bró MC’s do Mato Grasso do Sul.

Goiânia (GO), 25 de abril de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

23 de abr. de 2014

EDUCAÇÃO E CULTURA APINAJÉ

19 DE ABRIL: DIA DE REFLEXÕES, REIVINDICAÇÕES E LUTAS!
Professores, pais e mães de alunos em sala de aula, pintando os estudantes da Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José. (foto: Antônio Veríssimo. Abr. 2014) 

Apresentação de literatura sobre os Apinajé. (foto: Antônio Veríssimo. abr. 2014)

Como parte das atividades alusivas a Semana dos Povos Indígenas 2014, no dia 17/04, quinta-feira, foi realizada na Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José no município de Tocantinópolis no Norte do Tocantins, uma aula de pintura corporal. Essa atividade foi organizada e realizada pelos professores, coordenadores e o diretor e teve a participação dos pais, mães e dos alunos (as) que estudam da 1ª à 8ª série do ensino médio naquela Unidade Escolar.

As atividades continuaram no dia 19/04/14 pela manhã, com exposições de artesanatos e livros, apresentações de slides, demonstrações de pinturas e expressões corporais. Algumas lideranças se manifestaram sobre o significado desta data. Cassiano Sotero Apinagé, Professor e Coordenador da Escola Estadual Indígena Mãtyk, enfatizou que o dia 19 de abril não é só uma data “festiva”. “Diante da situação difícil e da realidade vivida pelos povos indígenas do Brasil, esse também é um dia de reflexões, de reivindicações e de lutas”. Afirmou.

Crianças Apinajé, alunos da Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José. (foto: Antônio Veríssimo. Abr. 2014)

Ainda no período da manhã do dia 19/04, no pátio da aldeia São José, professores e alunos continuaram a programação cultural, realizando atividades com arco e flecha, corrida de flecha e corrida de perna de pau, que teve a participação somente dos meninos. Outra “brincadeira” realizada foi o cabo de guerra, que teve a participação dos meninos e das meninas.  Ao meio dia, houve o encerramento das atividades com almoço servido aos participantes.

Essas atividades enriquecem a cultura e promovem o conhecimento e os saberes indígenas. O diretor, os professores, alunos, pais, mães e demais lideranças, índios e não índios que organizaram e realizaram esse evento, estão de parabéns. Esperamos que em breve seja realizado novamente, independente de qualquer data “comemorativa”.

      
Terra Indígena Apinajé, 22 de abril de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

MOBILIZAÇÃO INDÍGENA

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