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AÇÕES DE VIGILÂNCIA E MONITORAMENTO DA ÁREA APINAJÉ




Equipe da FUNAI e CIPRA, visitam Posto de Vigilância (desativado) da
FUNAI, na localidade Pontal. (foto: Antônio Veríssimo. 2013)

        No período de 15 a 21 de março de 2013, aconteceram a mobilização da equipe formada por vinte jovens Apinajé e um motorista da FUNAI, com objetivo de fazer os trabalhos de vigilância e monitoramento territorial da área Apinajé. Essas atividades aconteceram em conjunto com as ações de Fiscalização e Proteção dessa área indígena, que foram realizadas pela Fundação Nacional do Índio –FUNAI e a Companhia de Polícia Rodoviária Ambiental do Tocantins -CIPRA, que atuaram acompanhando dando apoio e suporte à nossa equipe indígena em trabalhos de campo. A FUNAI e CIPRA, também realizaram o cadastramento de parte dos indivíduos não-índios, casados com índias que vivem nas aldeias Apinajé.
        Durante nossas incursões no interior da área indígena, visitamos os postos de vigilância (desativados) da FUNAI na região do Pontal e Veredão. também realizamos visitas de surpresa à alguns locais considerados críticos e vulneráveis dessa área indígena, a procura de vestígios de invasão de não -índios e sinais como troncos de madeiras serrados, rastros e picadas que possam indicar que o local está sendo invadido. Para melhor mobilidade da Equipe de Vigilância Indígena, da FUNAI e da Polícia Ambiental, realizamos a limpeza, (retirada de troncos e galhos) em trecho de estrada (ramal) num percurso de aproximadamente 30 km entre a aldeia Mata Grande e o Posto de Vigilância (desativado) da FUNAI localizado na divisa norte dessa TI na região do Pontal.
          A situação mas grave que observamos, foi os desmatamentos e obras de terraplanagem da rodovia TO 126 trecho dentro da área indígena no município de Maurilândia. Quando foi questionado sobre o assunto, o Coordenador da FUNAI/CTL de Tocantinópolis- TO, Bruno Aluísio Braga Fragoso, informou que ainda não tinha sido notificado e nem avisado pelo IBAMA, sobre qualquer licença ou autorização para inicio das referidas obras. Por sua vez o Coordenador Regional da FUNAI/CR Araguaia Tocantins Cleso Fernandes de Moraes, disse que manteve contato com a direção do SEINFRA e foi informado que os trabalhos que estão acontecendo naquele trecho da TO 126, não se trata de terraplanagem, e sim, serviços de recuperação com cascalhamento da mesma. E garantiu que logo tomaria as medidas no sentido de pedir informações ao IBAMA sobre o empreendimento.
Lixões dentro (ou no entorno) da área Apinajé. Este fica no
na localidade Veredão, no município de São Bento do
Tocantins (foto: Antônio Veríssimo. 2013).
Crime ambiental grave, lixos jogados nas nascentes de 
ribeirões dentro da área Apinajé, na localidade Veredão, 
município de São Bento do Tocantins. (foto: Antônio 
Veríssimo. 2013)


      Os lixões que estão se formando nas margens dessas estradas é outro problema preocupante que detectamos, pelo menos em cinco locais o problema é mais sério. Os moradores da localidade Veredão no município de São Bento do Tocantins, há alguns anos teimam em jogar lixo nas margens da rodovia BR 230 dentro da terra indígena. No mesmo local, as nascente de águas, que são utilizadas para beber e banhar pelos índios Fulniô, estão sendo poluídas com lixo jogados por moradores do local. Nas proximidades da aldeia Prata no município de Tocantinópolis, também podemos observar montes de lixo jogados nas margens da estrada de acesso à aldeia São José, a mesma situação se repete ao longo da rodovia TO 126 no trecho que corta essa terra indígena, entre os municípios de Tocantinópolis e Maurilândia.
          Essas andanças dentro do território Apinajé, permite que os jovens conheçam melhor nosso território e sinta a importância desse patrimônio para as presentes e futuras gerações. Portando alertamos a todos que essas incursões na terra indígena Apinajé, doravante serão realizadas de surpresas e a qualquer hora do dia ou da noite. E aqueles invasores que forem flagrados praticando alguma atividade ou crime ambiental, serão presos e entregues às autoridades policiais. Além do pagamento de multas, esses infratores poderão responder na Justiça, de acordo com a legislação vigente.


Aldeia São José, 07 de abril de 2013.

Associação União das aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

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