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10 de dez. de 2024
FAZENDA GÓES
2 de dez. de 2024
INVASÕES E AMEAÇAS
AERONAVE AGRÍCOLA REALIZA SOBREVOOS RASANTES SOBRE ALDEIA APINAJÉ NO NORTE DE TOCANTINS
Coincidência ou não, quatro dias após a divulgação de Manifesto público do Povo Apinajé contra desmatamentos em áreas das Fazenda "Dona Maria" e Gleba Matão no Município de Tocantinópolis (TO). Conforme mostra esse vídeo, ontem 01/12/2024 às 16:50mim da tarde de repente surgiu uma aeronave voando em baixa altitude vinda da direção Sul, e realizou dois sobrevoos rasantes sobre a aldeia Cocalinho, localizada na área rural do município de Cachoeirinha, Norte de Tocantins. Após o sobrevoo a aeronave seguiu para o Norte, na direção de Imperatriz (MA). Com certeza esse não foi um fato isolado, uma brincadeira ou porque o piloto estava "perdido", é claro que esse sobrevoo foi intencional e teve objetivos de repassar um recado à comunidade. É possível que essa Ação planejada realizada de maneira imprudente, provocativa e irresponsável tenha correlação com os desmatamentos que estão ocorrendo nas referidas Fazendas localizadas dentro da área Apinajé reivindicada. Quais outros motivos que levariam um piloto de uma aeronave agrícola invadir um território indígena e fazer voos rasantes sobre uma aldeia específica?! A comunidade pede que esse fato seja investigado e esclarecido. As autoridades competentes já foram notificadas sobre essa ocorrência e estamos adotando outras medidas de segurança.
Território Apinajé, 02 de dezembro de 2024
Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ
27 de nov. de 2024
CONFLITO SOCIAMBIENTAL
MANIFESTO PÚBLICO DO POVO APINAJÉ CONTRA DESMATAMENTOS EM ÁREA REIVINDICADA PELA COMUNIDADE INDÍGENA
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| Desmatamento em área Apinajé reivindicada. (foto: arquivo PEMPXÀ, julho de 2022) |
Nós caciques e lideranças Apinajé, viemos manifestar nossa contrariedade e repudiar com veemência a retomada das atividades de desmatamentos de áreas das fazendas “Dona Maria” e Gleba Matão no município de Tocantinópolis, de propriedade do pecuarista Gilmar Gonçalves Carvalho. As atividades de desmatamentos e carvoarias nessa área iniciaram se em 2013, e após manifestações desta comunidade indígena, no ano de 2015 o empreendimento foi embargado pela Justiça. Entretanto nos últimos anos observamos a retomada das atividades, bem como o aumento e a ampliação da área desmatada. A referida área em questão está localizada na margem esquerda da antiga Rodovia BR 230 (transamazônica desativada) e abrange áreas dos municípios de Tocantinópolis e Nazaré. O Empreendimento foi implantado na divisa da terra indígena Apinajé, de forma ilegal, e sem a efetiva participação da FUNAI e do IBAMA no Processo de Licenciamento Ambiental, conduzido apenas pelo NATURATINS. Nossas lideranças e organizações também não foram ouvidas e nem consultadas no Processo conforme preconiza a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho-OIT. E nenhuma pesquisa ou Estudo de Impacto Ambiental foram realizados para dimensionar os impactos ambientais do empreendimento no território indígena. Portando declaramos o empreendimento ilegal, porque está desmatando parte de nosso território tradicional que ficou de fora da demarcação em 1985, por pressões de políticos e fazendeiros de Tocantinópolis e região. E que desde 1994 existe na Fundação Nacional dos Povos Indígenas-FUNAI/BSB um Processo de Levantamento Fundiário dos ocupantes não índios desta área reivindicada. No âmbito jurídico essa questão da demarcação da terra Apinajé, recentemente tivemos decisão da Justiça Federal de Araguaína favorável a comunidade indígena. Diante desses fatos, entendemos que o Empresário não pode continuar suas atividades, nesta área contestada e reivindicada pela comunidade Apinajé. Considerando ainda que o empreendimento está impactando e ameaçando nascentes e cabeceiras dos ribeirões Estiva e Betânia dentro do território já demarcado, e destruindo as matas ciliares dos ribeirões Cruz e Raiz dentro da referida área reivindicada. Denunciamos e pedimos providências das autoridades, diante dos riscos de uso de substâncias e produtos químicos conhecidos como agrotóxicos nesses empreendimentos agrícolas, situação que poderá levar à contaminação e envenenamento do solo, do ar e das águas na região. Moradores da aldeia Betânia localizada, próximo ao desmatamento relataram o sobrevoo de aeronaves agrícolas em baixa altitude sobre a comunidade. O avião de cor vermelha do modelo que pulveriza agrotóxicos.
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| Desmatamento na divisa da terra indígena demarcada. (Foto: arquivo PEMPXÀ, agosto de 2024) |
Ressaltamos o fato do
Processo de demarcação desta área reivindicada pela comunidade Apinajé, ser de
domínio público da sociedade local de Tocantinópolis e região. Portando consideramos
o Senhor Gilmar Gonçalves Carvalho, informado e sabedor dos fatos, no entanto o
empresário continua insistindo e levando a diante o empreendimento, mesmo
ciente das implicações econômicas e questões de ordem jurídica que poderá
responder no futuro. Reiteramos a gravidade e extensão dos fatos delituosos e
crimes ambientais que ocorrem nesta área deste 2013, e que continuam
acontecendo normalmente, mesmo depois da área ter sido embargada pelo MPF e
está sendo reivindicada pela comunidade indígena. Informamos que até a presente
data, ninguém mostrou ou apresentou qualquer Documento que comprove que o
proprietário conseguiu derrubar o embargo e esteja autorizado continuar o
empreendimento. Assim, consideramos as atitudes do Empresário imprudentes,
ameaçadoras e arriscadas, já que o mesmo insiste num empreendimento conflituoso,
danoso e prejudicial ao meio ambiente, dentro de uma área que está em Processo
de demarcação e sendo pleiteada na Justiça pela comunidade indígena. Diante dos
fatos expostos, requeremos;
1-
A paralisação imediata das atividades de
desmatamentos em andamento nas localidades (Fazendas) Dona Maria e Gleba Matão,
nos limites da terra Apinajé;
2-
Providências e medidas administrativas e
jurídicas pelo MPF-TO, FUNAI e IBAMA para embargos definitivos de qualquer
empreendimento no entorno do território Apinajé;
3-
Que o empreendedor faça a recuperação
florestal das áreas desmatadas;
4-
A criação de Grupo de Trabalho GT pela
Fundação Nacional dos Povos Indígenas-FUNAI, para retomada do Processo de
levantamento fundiário da referida área reivindicada pelo povo Apinajé;
5-
Que a FUNAI cumpra a Decisão Judicial de
Justiça Federal que determinou a demarcação da terra Apinajé em 2 anos.
Terra Indígena Apinajé, novembro de 2024
Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ
19 de nov. de 2024
13 de set. de 2024
28 de jun. de 2024
27 de mai. de 2024
9 de mai. de 2024
AUDIÊNCIA PÚBLICA
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL REALIZOU AUDIÊNCIA PÚBLICA EM TOCANTINÓPOLIS, PARA DEBATER SITUAÇÃO DAS ESTRADAS VICINAIS E ICMS-ECOLÓGICO NO TERRITÓRIO APINAJÉ
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| Audiência Pública no Auditório do MPE-TO em Tocantinópolis. (foto: Antonio Veríssimo. Maio de 2024) |
A Audiência Pública
foi convocada pelo chefe do Ministério Público Federal em Tocantins, Dr. Álvaro
Lutufo Manzano, a pedido da organização do povo Apinajé, e contou com presenças
e participações dos Prefeitos de Tocantinópolis, Maurilandia, São Bento do
Tocantins e do secretário do Meio Ambiente do município de Cachoeirinha. Ainda
tivemos as presenças de representantes da Agencia Tocantinense de Transportes e
Obras – AGETO, do Instituto Natureza do Tocantins-NATURATINS, da Promotoria de
Justiça de Tocantinópolis, da Fundação Nacional do Índio-FUNAI, dos membros da
Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, da Associação das Comunidades
Timbira de Maranhão e Tocantins – WYTY CATË e dos caciques, lideranças e representantes
das aldeias Apinajé.
OS RELATOS
DOS PROBLEMAS
Os caciques e representantes da comunidade Apinajé, relataram a situação difícil das estradas vicinais aos Prefeitos e pediram soluções urgentes e medidas emergenciais, considerando que a execução de políticas de educação, saúde e meio ambiente estão sendo prejudicadas em razão das péssimas condições das estradas vicinais e pontes. Os caciques reclamaram que as vezes as crianças deixam de frequentar aulas porque não existem estradas para circulação do Transporte Escolar; e que esse problema ocorre todos os anos. As visitas da Equipe Multidisciplinar de Saúde também ficam prejudicadas.
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Equipe Multidisciplinar do PBI de Tocantinópolis, faz atendimento na aldeia Cocalinho. (foto: arquivo PEMPXÀ, maio de 2024) |
E como já
era esperado ouvimos dos Prefeitos, a narrativa da falta de dinheiro como
justificativas para abandonar e deixarem de fazer manutenção nas estradas. O Prefeito
de Tocantinópolis, Paulo Gomes lembrou que existem mais de 60 aldeias, e alegou
“dificuldades” financeira e logística para garantir a manutenção de tantas
estradas vicinais. Paulo Anderson Prefeito de São Bento do Tocantins, também na
mesma linha citou as dificuldades e falta de recursos, afirmando que “é preciso
chamar a União para ajudar na manutenção das estradas da área indígena”.
É claro que
existem dificuldades financeiras, mais percebemos também que existem falta de vontade
política e desinteresse dos Prefeitos com relação essas políticas públicas para
as aldeias. Entendemos tratar se de ausência de planejamento orçamentário e a
falta de compromisso com as comunidades indígenas que fazem parte dos municípios.
Fica claro que alguns Prefeitos só enxergam os indígenas no período eleitoral?
Todas as
vezes que estamos reivindicando a melhorias das estradas vicinais, os Prefeitos
sempre tocam no assunto da pavimentação da Rodovia TO 126, que corta a terra
indígena num percurso de aproximadamente 35 km entre os municípios de
Tocantinópolis e Maurilandia do Tocantins. Assim fica evidente que existem
interesses de grupos políticos e empresariais de Tocantinópolis e região de pavimentar
essa Rodovia de qualquer jeito sem o cumprimento das leis e o devido Processo
legal. Em sua fala o representante do Ministério Público Federal - MPF alertou
que os procedimentos de consultas e os Estudos de Impactos Ambiental sobre a
obra devem ser realizados pelo empreendedor; neste caso o governo do Estado do
Tocantins.
PROPOSTAS
PARA MELHORAR
A proposta de fazer a manutenção da (antiga transamazônica) Rodovia BR 230, foi bem aceita pelos caciques já que essa rodovia servem a muitas aldeias e dar acesso às cidades de Tocantinópolis, Nazaré, Luzinópolis, Cachoeirinha, São Bento do Tocantins e Araguatins. O mesmo proposta é válida também para rodovia TO 126 que permite acessar as cidades de Tocantinópolis, Maurilandia, Itaguatins, Augustinópolis e São Bento do Tocantins. Devido as dificuldades orçamentárias apresentadas pelos Prefeitos, para execução dos serviços de conservação das estradas vicinais, a sugestão de formação de um Consórcio pelas quatro Prefeituras seria a saída mais recomendada, para somarem e unirem esforços e resolverem o problema juntas.
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| Trecho desativado da Rodovia BR 230 entre as aldeias Palmeiras e Cocalinho, no município de Cachoeirinha. (foto: arquivo Pempxà. 2023) |
Dessa forma
ficou marcada para próxima segunda-feira, 13/05/2024, Reunião presencial e (possivelmente)
no modo online em Palmas -TO, com presenças de representantes do MPF-TO, AGETO,
FUNAI e lideranças Apinajé, com tratativas sobre a participação da Agência
Tocantinense de Transportes e Obras – AGETO, nessa parceria com Prefeituras para
recuperação das rodovias (antiga transamazônica) BR 230 e TO 126, e manutenção
das estradas vicinais de acesso às aldeias localizadas no eixo de cada rodovia.
ICMS ECOLÓGICO
As conversas
sobre a questão do ICMS - Ecológico não
avançaram, e está dependendo de novas reuniões para se alcançar algum Acordo.
Percebemos a contrariedade e resistência dos Prefeitos contra a proposta de se
definir um percentual a partir dos valores repassados para as Prefeituras para
serem aplicados em pequenos projetos nas aldeias. É provável que neste caso
também existem interesses políticos atuando nas sombras para direcionar ou
desviar esses recursos para outras finalidades, prejudicando as comunidades
Apinajé.
E por fim alguns
questionamentos, qual o problema dos Prefeitos aplicarem os recursos do ICMS - Ecológico
nas aldeias de forma planejada e organizada? Porque os Prefeitos não querem
definir um percentual dos valores que são repassados para pequenos projetos?
Porque a tentativa de retirar a FUNAI do Processo? Porque os Prefeitos se
recusam consultar os caciques e organizações indígenas no âmbito do ICMS -
Ecológico? Porque tantos interesses de mudar e alterar leis para dificultar a fiscalização
e acompanhamento pelas organizações indígenas?
Essa conduta
só contribui para gerar mais dúvidas e desconfianças sobre a transparência desse
Processo de aplicação e uso dos recursos do IMCS - Ecológico pelas Prefeituras.
MOBILIZAÇÃO INDÍGENA
Mensagem final da Assembleia dos Povos Indígenas no Tocantins “Nossas bordunas e flechas estão prontas para seguir na luta”. (Ricardo Krahô...






