Pesquisar este blog

12 de out. de 2018

POLÍTICA

10/10/2018
Joenia Wapichana: a primeira mulher indígena eleita Deputada Federal
Em entrevista, Joenia Wapichana fala sobre representatividade indígena na política, Marco Temporal, PEC 215/00 e as temáticas que defenderá no Congresso Nacional.
Foto: Valdir Wasmann
POR GUILHERME CAVALLI, MICHELLE CALAZANS E MAYRA WAPICHANA
Pela primeira vez, em 190 anos de Parlamento, uma mulher indígena tem assento no legislativo brasileiro. No domingo (7), Joênia Wapichana (Rede) recebeu 8.491 votos e foi eleita Deputada Federal pelo estado de Roraima. A indígena ocupará uma das oito cadeiras reservadas ao estado na Câmara dos Deputados
A decisão de concorrer ao pleito eleitoral, segundo Joenia, ocorreu durante a 47ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima, após análise política sobre a situação dos povos indígenas no Brasil. Os indígenas presentes na assembleia consideraram importante a participação de lideranças na disputa institucional. Joenia Wapichana foi indicada pelo movimento indígena de Roraima e hoje une-se ao feito histórico de Mario Juruna, primeiro indígena a conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados (1983-1987). Desde a saída do Xavante do Congresso, em 1986, nenhum indígena havia ocupado vaga no legislativo.
Em sua trajetória, Joenia Wapichana também foi a primeira mulher indígena a se formar em direito no Brasil, em 1997, pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). “Fui a quinta colocada, onde só tinha filho de deputado, filho de dono de jornais. Mas competi de igual com eles. Acabei me formando em quatro anos, em um curso que o mínimo era cinco”, contou em vídeo para o RenovaBR, grupo do qual faz parte. Posteriormente, conquistou o título inédito de mestre pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos. No Supremo Tribunal Federal (STF), a indígena também protagonizou um marco ao ser a primeira advogada indígena da história a realizar uma sustentação oral durante o julgamento que definiu a demarcação da TI Raposa Serra do Sol (RR).
Foto: Mel Snyder
Em 2019, Joenia Wapichana continuará a ser sinônimo de resistência, agora na Câmara dos Deputados. Em entrevista ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a advogada indígena esclarece quais serão os desafios e as prioridades de trabalho no parlamento, tendo em vista o cenário político dominado pela bancada ruralista e sua frente anti-indígena. Entre as bandeiras defendidas pela Deputada Federal eleita estão os direitos coletivos indígenas, luta em prol de mulheres indígenas, desenvolvimento sustentável, respeito ao meio ambiente, transparência, ética e combate à corrupção.
Representatividade indígena, PEC 215/00, Maro Temporal, Parecer 001/AGU foram temas abordadas na entrevista abaixo. O esclarecimento de Joenia Wapichana é voltado ainda sobre os projetos que almejam levar para o Congresso a demarcação das terras indígenas, tirando do Ministério da Justiça e da Funai.
“O embate vai ser para que esses argumentos sobre o direito originário sejam evidenciados, não simplesmente dizer que tem muita terra para pouco índio e que devemos abrir mão de direitos indígenas”.
Em levantamento realizado pelo Cimi, “Congresso anti-indígena – Os parlamentares que atuaram contra os direitos indígenas”, a instituição identificou que existem 33 proposições anti-indígenas em tramitação no Congresso e no Senado. Desse total, 17 buscam a alteração nos processos de demarcações de Terras Indígenas (TI). Para Joenia, esse cenário de judicialização e morosidade do processo de demarcação, somado a impunidade dos crimes contra as populações tradicionais, abrem precedentes para o aumento da violência contra os povos.
“Essa violência gerada contra os povos indígenas surgiu, inclusive, da falta de reconhecimento das terras indígenas, do extremo grau de discriminação dos povos indígenas e da impunidade sobre o que acontece em relação as terras indígenas”, comenta. “O trabalho será voltado para fazer com que essa violência acabe e que as pessoas responsáveis sejam responsabilizadas”
Representatividade
Simbolicamente, é comum que os povos indígenas sejam barrados ao tentar ingressar nas dependências do Congresso Nacional ou, de forma ainda mais recorrente, ver proibido o ingresso de seus instrumentos tradicionais e religiosos, como maracás. Do lado oposto aos poderosos setores político-econômicos que se convertem, no Congresso, em fortes grupos de pressão anti-indígena – e muitas vezes do lado de fora de seus muros excludentes – os povos originários resistem e permanecem atentos aos ataques que lhes são desferidos.
“A partir de agora essa representatividade é legítima no Congresso”, sustenta Joenia.
Em cenário de total desrespeito e desproteção aos povos indígenas, na figura de Joenia Wapichana, os povos indígenas.
Leia a entrevista abaixo:
– Quais motivos te levaram a pleitear uma vaga como de Deputada Federal?
Primeiramente, foi feita uma análise política sobre a situação dos povos indígenas no Brasil em uma grande assembleia indígena.  Essa assembleia considerou as lideranças indígenas para participar desse pleito e eu fui uma das lideranças avaliadas e convidadas.
As garantias constitucionais que nós conquistamos em 1988 com muito esforço são mais do que nunca necessárias nesse momento onde nossos direitos encontram-se ameaçados.
É extremamente importante que os povos indígenas tenham espaço garantido na Câmara Federal, onde tramita projetos como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 215/2000, o Projeto de Lei (PL) n° 1.610/1996, que englobam toda essa tentativa de reversão dos nossos direitos. Esse momento é crucial para a defesa dos direitos indígenas, foram esses os motivos que me fizeram aceitar essa demanda do movimento indígena, para pleitear ao cargo de Deputada Federal.
_________________
– O quanto representativo é sua candidatura em um cenário político que é dominado pela bancada ruralista/anti-indígena?
Essa representatividade é extremamente importante. Não temos nenhum indígena no Congresso Nacional para nos defender. Hoje, nós temos alguns aliados dos povos indígenas no legislativo. Em contrapartida, existe grande pressão da bancada ruralista para levar falsas interpretações sobre os direitos indígenas, a exemplo do marco temporal e fazer com que aquelas condicionantes do caso Raposa Serra do Sol, as condicionantes negativas, sejam colocadas como lei. A partir de agora essa representatividade é legítima no Congresso, porque tem o movimento indígena para defender esses direitos.
_________________
– Como avalia a tese do marco temporal, que está presente em muitas das proposições anti-indígenas do Congresso e como se dará o embate na Casa?
No meu entendimento, o Marco Temporal é totalmente inconstitucional. É dessa forma que vou defender com os argumentos já posicionados de forma direta, porque a nossa Constituição assegura os direitos originários dos povos indígenas. E, justamente, essa tese que veio a partir de um voto, do caso da Raposa Serra do sol, não é uma sumula vinculante e tão pouco tem que ser colocado como um norteador de direitos. Nós sabemos que a promulgação da Constituição Federal foi feita no dia 5 de outubro de 1988, mas não significa dizer que a partir daí que nasce o direito para demarcação. A própria constituição responde que existe o direito originário e o princípio da imprescritibilidade sobre os direitos das terras originais. Existe uma legislação que consegue confirmar que nossos direitos territoriais são defendidos antes mesmo da própria promulgação da Constituição de 1988. Então, vou trabalhar para que esses posicionamentos jurídicos, técnicos, políticos e constitucionais sejam colocados de forma básica sobre os princípios dos direitos originários da imprescritibilidade.
E o embate vai ser para que esses argumentos sejam evidenciados, não simplesmente dizer que tem muita terra para pouco índio e que devemos abrir mão de direitos indígenas.
_________________
– Como Deputada Federal, qual a perspectiva de embate no Congresso acerca da PEC 2015//2000, que ameaça brutalmente os direitos indígenas?
O movimento indígena sempre fez muita pressão em Roraima e eu sempre acompanhei e participei das manifestações. Minha sustentação é que a PEC 215 tem que ser rejeitada em sua integralidade, ela é inconstitucional, pois fere nossos direitos indígenas. Se ela for votada nesse contexto anti-indígena, ela vai sofrer muita pressão. É necessário fazer com que os partidos políticos, assim como o meu da Rede Sustentabilidade, possam agir contra judicialmente à essa ação, caso essa PEC passe, esperamos que não. É importante que possamos encontrar, coletivamente, argumento para que essa proposta não avance.
_________________
– Qual sua posição sobre os projetos que querem trazer para o Congresso a demarcação das terras indígenas, tirando do Ministério da Justiça e da Funai?
Essa questão trata justamente da PEC 2015. Ela é absurda, porque está bem clara na Constituição Federal “…é dever da União exercer a função administrativa de demarcar as terras indígenas…”.
Demarcar as Terras Indígenas é um ato administrativo e significa executar a lei e a Constituição Federal.
Nesse sentido, entendo que esses projetos que trazem para o Congresso a demarcação de terras indígenas está ferindo a competência dos poderes. Vou defender para que as terras indígenas, mais do que nunca, tenham sua demarcação feita pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que é o órgão indigenista federal que tem aparato, a experiência e o corpo técnico para empregar os princípios da Constituição. Defendo, assim, os critérios de demarcação de terras indígenas, os seus procedimentos, e como tem feito, avançar ainda mais nessa regularização fundiária das terras indígenas. O Congresso Nacional tem todo um preparo político e não entende de demarcação das terras indígenas.
_________________
– Diante do quadro de violência presenciado no Brasil contra os povos indígenas,  quais são as prioridades de trabalho na Câmara dos Deputados?
Esse quadro dramático diz bastante acerca da relação com a falta de regularização fundiária das terras indígenas. A proposta é que seja mais célere.
A violência gerada contra os povos indígenas surge da falta de reconhecimento das terras indígenas, do extremo grau de criminalização dos povos indígenas e da impunidade sobre o que acontece em relação as terras indígenas.
Minha prioridade é justamente fazer com que esses dados evidenciem essas violências, como forma de justificar o déficit de regulamentação desses direitos. Dessa forma, o trabalho será voltado para que a Câmara dos Deputados, não somente as Comissões de Direitos Humanos, mas também na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), possa estabelecer essa relação e fazer com que algumas medidas possam ser adotadas para punir os que cometem essas violências. É importante, nesse atual momento, acelerar o processo de demarcação de terras indígenas e combater toda e qualquer discriminação existente. O trabalho será voltado para fazer com que essa violência acabe e que as pessoas responsáveis sejam responsabilizadas.
_________________
– Com foco na demarcação de terras tradicionais, quais serão os desafios e providências previstas nesta legislatura para retomar os direitos aos senhores originários das terras?
O trabalho será voltado para que a lei seja implementada e cumprida. É importante que haja uma segurança para que as terras indígenas sejam demarcadas a partir dos critérios constitucionais, obedecendo assim, todas as garantias, a partir das necessidades dos povos indígenas. E ela seja interpretada de forma positiva e não ao marco temporal, e não a questão do interesse sobre recursos naturais, mas que ela possa garantir a sobrevivência física e cultural dos povos indígenas no Brasil.
O ponto prioritário desta legislatura é que seja valorizado o processo de demarcação de terras indígenas.
A proposta é fazer com que todo o Congresso Nacional e a sociedade brasileira entenda a importância de demarcar as terras indígenas. Nesse sentido, não é por uma questão de colocar em conflito ou não, mas é questão de direitos humanos, de todos serem beneficiados. Vamos mostrar para o índio e para o não índio como é importante preservar os recursos naturais e destacar o papel que as terras indígenas desempenha nesse processo de preservação.
_________________
– Entre as propostas, qual a perspectiva e planejamento de atuação em médio e longo prazo?
De imediato, o trabalho será destinado para combater as propostas anti-indígenas. Neste primeiro ano pretendo ouvir todas as propostas consideradas prioritárias pelas organizações e entidades que defendem os direitos indígenas. Sei que não vou conseguir resolver tudo que existe, mas vou conseguir frear, pedir vista, analisar da melhor forma possível, vou poder criticar. Nesse primeiro momento, vai ser destinado inclusive para me planejar e me situar sobre todos os encaminhamentos. Em médio prazo, pretendo desenvolver um trabalho de manifestação sobre o que já existe para propor coisas positivas, a gente não precisa só ficar se defendendo.
A partir desse canal de diálogo com os povos indígenas e com as organizações, a gente vai poder propor coisas boas, como a questão da educação diferenciada. Hoje, nós precisamos ter um sistema de educação escolar indígena próprio. Nós precisamos ter propostas de lei que reconheçam os profissionais indígenas de saúde, precisamos melhorar o sistema de saúde e de conveniado, bem como solucionar esse problema do terceiro setor. Precisamos levar esse debate para solucionar problemas também a longo prazo desenvolver políticas públicas específicas para a juventude, as mulheres, além de trabalhar a sustentabilidade e as parcerias.
Em longo prazo, desejo avançar na cidadania, por meio da discussão de política dentro das comunidades indígenas, para que se tenha um entendimento coletivo do contexto nacional. É preciso discutir a reforma política no nosso país, discutir o sistema de distrital misto para que cada município possa ter seus próprios representantes, assim seria mais fácil e viável. Aqui em Roraima, por exemplo, cerca de 80% da população é indígena, nós teríamos com certeza mais Deputados Federais indígenas no Congresso. Por isso, é importante que a gente comece a discutir essas reformas políticas.
Por outro lado, é importante que a gente discuta a questão ambiental das terras indígenas na Amazônia, discutir também a questão da energia. As hidrelétricas da Amazônia sempre surgem como solução, mas elas não são as únicas soluções. Precisamos buscar proposta de incentivo, discutindo essas soluções e inserindo projetos como existem na Raposa Serra do Sol, valorizando a energia solar e eólica, para assim buscar soluções contra essas hidroelétricas, para fazer com que nossas comunidades sejam tanto protagonistas, quanto beneficiárias, no próprio sistema.
E também em longo prazo, discutir a situação das fronteiras, que hoje estão em uma crise com país vizinho da Venezuela. A gente precisa buscar soluções para amenizar toda a situação de imigração de venezuelanos para o Brasil. Atualmente, não existe uma política pública clara acerca dessa questão. É preciso ter um planejamento de atuação a longo prazo e levar a discussão para a Câmara Federal.
Compartilhar: 
16
Tags: 

8 de out. de 2018

DIREITOS HUMANOS

As ameaças e assassinatos de defensores de Direitos Humanos, e de Ativistas da causa ambiental e indígena no Brasil


As recorrentes ameaças e assassinatos de defensores dos Direitos Humanos, e de ativistas da causa Ambiental e indígena que atuam no Brasil é uma pratica antiga e muitas pessoas já foram vítimas, ou estão ameaçadas no país. Especialmente lideranças indígenas, quilombolas, missionários, sindicalista, lideranças do movimento negro e ambientalistas. Ainda, lideranças de movimentos sociais urbanos que lutam por políticas públicas de moradias, saneamento básico, saúde e educação nas cidades também vivem sob constantes ameaças e, sofrendo represálias.

Em todas as situações o Estado brasileiro sempre tem dificuldades de investigar, esclarecer e punir os assassinos e mandantes.  O não esclarecimento pelas autoridades dos crimes cometidos contra defensores de Direitos Humanos e ativistas da causa ambiental e indígena demostra omissão e falta de vontade política dos Agentes do Estado em dar uma resposta a sociedade e aos familiares das vítimas. Assim o Estado tem sido absolutamente incompetente, desinteressado e conivente com esse tipo de crime.

Um recente caso de repercussão nacional e internacional, o assassinato da Vereadora Marielle Franco, e de seu motorista, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro em 14 de fevereiro de 2018, nunca foi elucidado. Até agora, oito meses depois nenhum mandante e/ou assassino foi pra cadeia e as autoridades Policiais, MPF e o Judiciário evitam falar sobre o assunto. A grande imprensa também se calou e o caso já caiu no esquecimento da sociedade brasileira.  Como diz o ditado popular “ruim é pra quem morre”. Mas, a pergunta que não pode silenciar, quem matou Marielle Franco e seu motorista? De nossa parte, continuaremos clamando por justiça, pedindo a punição do culpados.

Ainda, existem certos casos que os próprios Agentes do Estado são suspeitos de atuarem no sentido de intimidar, ameaçar, prender e até assassinar defensores de Direitos Humanos e ativistas da causa ambiental e Indígena, nestas situações a quem vamos recorrer e pedir proteção e segurança, se o próprio aparato de segurança do Estado é o principal suspeito?


Neste contexto, analisamos que as liberdades individuais, os direitos civis, a dignidade humana e a própria democracia brasileira estão sob grave ameaça. O fato é que atuar em defesa dos Direitos Humanos e em prol da causa ambiental e indígena no Brasil é uma missão muito arriscada e perigosa. No geral os índices de assassinatos, execuções e desaparecimentos de pessoas (incluindo policiais civis e militares) no campo e nas cidades assustam, e equivalem os números de um país em guerra civil.

Neste ano de Eleições no Brasil, vivemos num clima de tensão social preocupante, aonde determinadas pessoas pregam publicamente o ódio, o fascismo, a intolerância religiosa, política e racial. Alguns grupos expressam claramente a vontade de perseguir e eliminar fisicamente os outros que não concordam com suas ideias, opiniões e pensamentos. A cor da pele, a origem étnica e a condição social também viraram motivos de preconceito e intolerância em nosso país. As vezes os próprios Agentes do Estado são responsáveis por essa violência, dessa forma o Brasil viola sua própria Constituição Federal, negando o fundamento pluriétnico e o caráter multicultural da sociedade brasileira.


Nos últimos anos, nossa população mais empobrecida vem sendo cada vez mais oprimida e castigada; nossas conquistas e Direitos sociais estão sendo suprimidos. A democracia está em risco, a paz social absolutamente comprometida e, a união nacional gravemente ameaçada. Vivemos num momento confuso e perturbador. A insegurança, o medo e incertezas marca esse momento da nação brasileira. Nossas instituições tidas como “democráticas e de direito” estão sendo contaminadas pela falsidade, fraude e improbidade.
                      
O Estado brasileiro erra ao implementar medidas de segurança e proteção aos defensores dos Direitos Humanos e ativistas da causa ambiental e Indígena ameaçados em razão de suas atuações. Existem casos em que as pessoas ameaçadas de morte são obrigadas mudar de região, trocar de nome, ficar escondida e longe da família. Essas pessoas ameaçadas ainda perdem todo vínculo afetivo com seus familiares, e a referencias com suas comunidades e lutas. Assim o Estado brasileiro afirma claramente sua incapacidade de proteger as pessoas ameaçadas, e ainda não consegue caçar e nem deter quem está ameaçando.

As autoridades brasileiras também são omissas e coniventes ao fechar os olhos diante das graves condições que estão submetidos e expostos muitos povos indígenas e comunidades quilombolas que lutam pela demarcação e garantia de seus territórios. Direitos negados, sem esperança, abandonados, doentes, famintos, escravizados, desterrados e dignidade roubada, é assim que se sentem muitos povos indígenas e comunidades quilombolas no Brasil.  A negação pelo Estado desses direitos fundamentais e essenciais à vida desses povos, constitui uma forma perversa de genocídio.


Mas, quando são solicitadas a dar explicações as autoridades brasileiras negam essas violações de direitos humanos. Muitos afirmam de forma categórica que “no Brasil os direitos humanos são respeitados”, que “não existe ninguém sendo ameaçada ou perseguida”, que “os assassinos de ativistas dos direitos humanos estão todos na cadeia”, “que tudo vai ser esclarecido”, que “o meio ambiente está sendo protegido”. Porém sabemos que isso não verdade. Diante dessa situação alguém deve ser responsabilizado criminalmente, não podemos ficar culpando só o “Estado”, são as (pessoas) autoridades que devem responder por essas violações de direitos humanos.

A grande mídia também tem sua parcela de culpa e responsabilidade por essa situação no Brasil.  Os veículos de comunicação sempre tendem a distorcer, ocultar, omitir, ou manipular informações em favor dos ricos e poderosos; seus donos, e patrocinadores. Para driblar esse monopólio, agora estamos recorrendo às Redes Sociais para fazer chegar à sociedade mundial nossas denúncias e reclamações.


A comunidade internacional, as autoridades e as entidades da sociedade civil sensíveis à causa dos Direitos Humanos, ambiental e indígena devem acompanhar, investigar e pedir apuração de todas as denúncias de violações dos Direitos Humanos no Brasil. É importante ainda alertar as autoridades brasileiras para o devido cumprimento de Acordos e o respeito à legislação internacional; especialmente a Convenção 169 da OIT e a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

Ressaltando ainda a necessidade de garantir a segurança, e proteção à integridade física dos ativistas (homens e mulheres) ameaçados de morte. Assim estaremos de fato reafirmando avanços na manutenção e no cumprimentos das Leis e, na garantia e efetivação dos Direitos Humanos no Brasil. De nossa parte, seguiremos na luta para garantir direitos e justiça social. #NenhumDireitoaMenos!



Terra Indígena Apinajé, 08 de outubro de 2018


Associação União das Aldeias Apinajé-Pempxà

28 de set. de 2018

VIOLÊNCIA



Relatório Cimi: violência contra os Povos Indígenas no Brasil tem aumento sistêmico e contínuo

        
        O Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2017, publicado anualmente pelo Cimi, constata aumento em 14 dos 19 tipos de violência sistematizados; apropriação das terras indígenas é um dos principais vetores da violência
         Houve um aumento no número de casos em 14 dos 19 tipos de violência sistematizados no Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2017, publicado anualmente pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).Em três tipos de violência foram registrados a mesma quantidade de casos que no ano anterior; e apenas em dois tipos de violência houve menos casos registrados que em 2016. No entanto, estes dois dados são parciais e podem ser maiores, conforme reconhece a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

         As informações sistematizadas evidenciam que continua dramática a quantidade de registros de suicídio (128 casos), assassinato (110 casos), mortalidade na infância (702 casos) e das violações relacionadas ao direito à terra tradicional e à proteção delas.

         “Esta edição do Relatório explicita uma realidade de absoluta insegurança jurídica no que tange aos direitos individuais e coletivos dos povos indígenas no país. Para piorar, os Três Poderes do Estado têm sido cúmplices da pressão sobre o território, que pretende permitir a exploração de seus recursos naturais, e resulta em violência nas aldeias”, explica Roberto Liebgott, coordenador do Regional Sul do Cimi e um dos organizadores da publicação.

         Ele complementa sua avaliação: “além disso, especialmente a bancada ruralista tem atuado no sentido de garantir todas as condições para que um novo processo de esbulho das terras tradicionais seja consolidado no país. Ou seja, através do estrangulamento das terras indígenas por diversos vetores, o que se pretende, de fato, é usurpar as terras dos povos originários deste país”.
Neste sentido, chama atenção o consolidado aumento nos três tipos de “violência contra o patrimônio”, que formam o primeiro capítulo do Relatório: omissão e morosidade na regularização de terras (847 casos); conflitos relativos a direitos territoriais (20 casos); e invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio (96 casos registrados).

         Observa-se um significativo aumento no que concerne às invasões; ao roubo de bens naturais, como madeira e minérios; caça e pesca ilegais; contaminação do solo e da água por agrotóxicos; e incêndios, dentre outras ações criminosas. No ano anterior, 2016, haviam sido registrados 59 casos – houve, portanto, um aumento de 62% em 2017.


         Além da violação dos direitos dos povos em relação ao usufruto exclusivo do seu território e dos bens nele contidos, estes crimes são agravados pelo fato de, recorrentemente, junto com eles também ocorrer intimidações, ameaças e, muitas vezes, ações físicas violentas contra os indígenas, como ataques às comunidades.


         Este é o caso do povo Karipuna, em Rondônia. Quase extintos na época dos primeiros contatos com a sociedade não indígena, nos anos de 1970, os Karipuna não podem caminhar livremente pelo seu território, homologado em 1998. Além do aprofundamento da invasão da Terra Indígena Karipuna desde 2015 para o roubo de madeira, a grilagem e o loteamento são outros crimes que vêm sendo, insistentemente, denunciados pelo povo aos órgãos do Estado brasileiro e até mesmo na Organização das Nações Unidas (ONU).

         O Cimi constatou que o governo do presidente Michel Temer não homologou nenhuma terra indígena em 2017. Este fato o coloca como o presidente com o pior desempenho neste quesito, ultrapassando em muito Dilma Rousseff – que era quem, com média anual de 5,25 homologações, ocupava a pior posição entre os presidentes do Brasil desde a retomada da democracia, em 1985. No ano passado, o Ministério da Justiça assinou apenas duas Portarias Declaratórias e a Fundação Nacional do Índio (Funai) identificou seis terras como sendo de ocupação tradicional indígena.

         Das 1.306 terras reivindicadas pelos povos indígenas no Brasil, um total de 847 terras (o que representa 64%) apresenta alguma pendência do Estado para a finalização do processo demarcatório e o registro como território tradicional indígena na Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Destas 847, um volume de 537 terras (63%) não teve ainda nenhuma providência adotada pelo Estado. Considerando que a Constituição Federal de 1988 determinou a demarcação de todas as terras indígenas do Brasil até 1993, fica evidente uma completa omissão do Executivo no cumprimento desta sua obrigação constitucional.
Contra a pessoa

         Em relação à “violência contra a pessoa”, houve um agravamento da situação registrada em sete dos nove tipos avaliados: tentativa de assassinato (27 casos), homicídio culposo (19 casos), ameaça de morte (14), ameaças várias (18), lesões corporais dolosas (12), racismo e discriminação étnico cultural (18) e violência sexual (16). Em relação ao abuso de poder, houve o registro de 8 casos, mesma quantidade de 2016.

         Em 2017 foram registrados 110 casos de assassinato de indígenas, oito a menos que os registrados em 2016. Cabe ressaltar que a própria Sesai reconhece que este dado é parcial, já que ainda pode receber a notificação de novos assassinatos. Desse modo, fica evidente que a situação real em relação ao assassinato de indígenas pode ser ainda mais grave.

         Os três estados que tiveram o maior número de assassinatos registrados foram Roraima (33), Amazonas (28) e Mato Grosso do Sul (17). Estes dados fornecidos pela Sesai sobre “óbitos resultados de agressões” não permitem análises mais aprofundadas, já que não há informações sobre a faixa etária e o povo das vítimas e nem as circunstâncias destes assassinatos.

         Dentre os casos de violência contra a pessoa, destacamos o massacre ocorrido contra o povo Akroá-Gamella, no Maranhão, no dia 30 de abril de 2017, quando um grupo de aproximadamente 200 pessoas atacou severamente a comunidade indígena que vem, desde 2015, retomando áreas de seu território tradicional. No ataque, 22 Gamella foram feridos, sendo que dois deles foram baleados e outros dois tiveram suas mãos decepadas. Os outros Gamella sofreram severos golpes de facão, pedradas e pauladas.

         Apesar do ataque ter sido convocado através de um programa em uma rádio local e de carros de som nas ruas de municípios no entorno da área de ocupação dos Akroá-Gamella, os órgãos do Estado nada fizeram para evitar esta ação violenta. Indígenas afirmam que policiais teriam, inclusive, assistido a violência e culpado os Gamella pela situação.

         Devido ao processo de intensificação da luta pela terra ancestral, as lideranças deste povo vêm sendo ameaçadas e criminalizadas e a comunidade como um todo tem sido hostilizada e sofrido violências físicas e simbólicas em diversos lugares, como hospitais, onde não recebem atendimentos médicos, e escolas; além de terem suas lavouras incendiadas, dentre outras ações preconceituosas.
Omissão do poder público

         Com base na Lei de Acesso à Informação, o Cimi também obteve da Sesai dados parciais de suicídio e mortalidade indígena na infância. Dos 128 casos de suicídio registrados pela Sesai em 2017 em todo o país (22 a mais que em 2016), os estados que apresentaram as maiores ocorrências foram Amazonas (54 casos) e Mato Grosso do Sul (31 casos).

         Em relação à mortalidade de crianças de 0 a 5 anos, dos 702 casos registrados, 236 ocorreram no Amazonas, 107 no Mato Grosso e 103 em Roraima. Cabe ressaltar que, assim como os dados de assassinato, as informações da Sesai sobre os registros relativos a suicídio e mortalidade na infância são parciais e estão sujeitas a atualizações. Ou seja, estes dados podem ser ainda mais graves.

         Os registros do Cimi em relação à desassistência na área de saúde (42) e desassistência geral (42) em 2017 tiveram a mesma quantidade de casos que em 2016. Já em relação à morte por desassistência à saúde (8 casos), disseminação de bebida alcóolica e outras drogas (10 casos) e desassistência na área de educação escolar indígena (41 casos) houve um aumento dos registros.

         O Relatório do Cimi traz ainda análises sobre a atual conjuntura política e sobre alguns temas específicos, como a ameaça ao futuro dos povos isolados (que evitam contato com a sociedade não indígena); a inconstitucionalidade do Parecer 001, da Advocacia-Geral da União – que, assim como o Marco Temporal, fundamenta as novas formas de esbulho possessório; o orçamento das políticas indigenistas; e a necessidade do Estado implementar reparações para os povos indígenas que sofreram, e continuam a sofrer, violência e violação de seus direitos, como é o caso dos Karipuna.

         Em seu artigo de apresentação do Relatório, o secretário executivo do Cimi, Cleber Buzatto, avalia que: “com Temer no comando do Executivo federal, os agressores se sentiram mais seguros para cometer seus crimes. A invasão e o esbulho possessório alastraram-se como pólvora sobre os territórios e ameaçam a sobrevivência de muitos povos, inclusive os isolados. Está claro que o Brasil foi tomado de assalto, feito refém de interesses privados da elite agrária, ‘agraciada’ com novas ‘capitanias hereditárias’, que são distribuídas em troca da morte dos povos que habitam os territórios”.
Clique aqui e confira o relatório na íntegra.

26 de set. de 2018

POLÍTICA

Somos 305 povos distintos, em diversas partes do país e que desde a década de 80, com Mario Juruna, único indígena que foi eleito para um cargo político no Congresso Nacional, não temos representatividade real na chamada Casa do Povo. Em 2018, os parentes se organizaram pra concorrer e serem essas vozes importantes na luta do movimento indígena.
São cargos federais e estaduais e é muito importante que esse movimento de ocupação da política aumente e estimule os outros indígenas também na luta por direitos.
Conheça alguns dos candidatos indígenas que estão concorrendo nesta eleição:
••• ACRE •••
Francisco Piyãko — Federal PSOL 5050
https://goo.gl/PDpcKW https://goo.gl/rPTKCp
Manoel Kaxinawa — Estadual PP 11999
https://goo.gl/SCksK6
Roque Yauanawa — Estadual PHS 31445
https://goo.gl/HYbMdY
Sabá Manchinery — Federal PHS 3133
https://goo.gl/wfEj78
••• ALAGOAS •••
Nina Cacique — Federal PCdoB 6544
https://goo.gl/Chm7eF
••• AMAZONAS •••
Adriel Kokama — Federal AVANTE 7040
https://goo.gl/vwtjzz https://goo.gl/szf1SK
Angelisson Tenharin — Estadual PSOL 50111
https://goo.gl/jgfzT6
Cacica Alvanira — Estadual PT 13555
https://goo.gl/5XgM9N https://goo.gl/EcBeFT
Cuiú Cuiú — Estadual PSOL 50007
https://goo.gl/H5UZQf
Enfermeira Edilene Kokama — Federal PDT 1233
https://goo.gl/PVDCCB https://goo.gl/2nzWXq
Marcos Apurinã — Federal DC 2727
https://goo.gl/78RB1Q https://goo.gl/2nzWXq
Perpétua Tsuni Kukami — Federal PSOL 5027
https://goo.gl/PRKznJ https://goo.gl/2nzWXq
Sinésio Trovão — Estadual PP 11777
https://goo.gl/7uZZkz https://goo.gl/2nzWXq
Turí Sateré — Estadual PSOL 50276
https://goo.gl/ynxwwS https://goo.gl/2nzWXq
••• AMAPÁ •••
Jawaruwa Waiapi — Federal REDE 1834
https://goo.gl/jWKtLd
Professora Eclemilda — Estadual PDT 12122
https://goo.gl/tzHcwU
••• BAHIA •••
Cacique Aruã — Estadual PCdoB 65444
https://goo.gl/MshSLu
Cacique Ramon Tupinambá — Federal REDE 1803
https://goo.gl/UQAMQA
Mônica Marapara — Federal MDB 1577
https://goo.gl/B9xb6Q
••• CEARÁ •••
Acaci — Estadual PCdoB 65400
https://goo.gl/i84S9u https://goo.gl/3uTA3R
Jarbas — Estadual PCdoB 65361
https://goo.gl/Lf3ErH
Roberto Anacé — Estadual PSOL 50300
https://goo.gl/jRA9n9
Sônia Maria — Estadual PCdoB 65000
https://goo.gl/DW5PYb
••• DISTRITO FEDERAL •••
Airy Gavião (Mandato Coletivo) — Distrital PSOL 50555
https://goo.gl/P4pDGE https://goo.gl/L3awrr
Araju Sepeti Guarani — Federal PPS 2377
https://goo.gl/XcTHCf
Júnior Xukuru — Federal PSOL 5000
https://goo.gl/Tc5HmC
Kamuu Dan — Federal REDE 1813
https://goo.gl/zpd4GY
••• ESPÍRITO SANTO •••
Cacique Toninho Guarani — Federal PT 1319
https://goo.gl/dA33Ke
Nico Dias — Federal PSOL 5027
https://goo.gl/6en9uy
••• MARANHÃO •••
Eloi Filho — Federal PSOL 5011
https://goo.gl/Wnfx9J
Lourenço Krikati — Estadual PODE 19019
https://goo.gl/p36icD
Sonia Bone Guajajara — Vice Presidente PSOL 50
https://goo.gl/tHTpTA
••• MATO GROSSO DO SUL •••
Aguilera Guarani — Federal MDB 1551
https://goo.gl/DLCQ3M https://goo.gl/RvVVPi
Anísio Guató — Senador PSOL 500
https://goo.gl/H5RJ51
Daniel Vasques — Estadual PT 13813
https://goo.gl/cZJzD3
Danilo Terena — Estadual PHS 31234
https://goo.gl/e3BWQx https://goo.gl/cKJcxL
Dionédison Terena — Estadual PT 13019
https://goo.gl/Ppm2eT
Gilberto Fernandes — Estadual PT 13432
https://goo.gl/fr5gvB
••• MATO GROSSO •••
Cacique Rondon — Federal PSOL 5015
https://goo.gl/qUVdiu
Gregório Marinatse — Federal PV 4343
https://goo.gl/vXGEH8
••• PARÁ •••
Conserlei Sompré — Estadual PP 11422
https://goo.gl/JGXh9K
Marineide Juruna — Estadual PODE 19888
https://goo.gl/Vc7ftM
Paratê Tembé — Estadual PODE 19123
https://goo.gl/WEkXdU https://goo.gl/VZf1bD
Tati Picanço — Vice Governador PSOL 50
https://goo.gl/T9WFYf
Torquete Xikrin — Estadual PT 13000
https://goo.gl/YTTiXn
••• PARANÁ •••
Ivan Kaingang — Estadual PHS 31234
https://goo.gl/wyJBGW
••• RIO DE JANEIRO •••
Anapuaka — Estadual PPS 23021
https://goo.gl/oRykvS
Sergio Ricardo Verde Potiguara — Estadual PSOL 50333
https://goo.gl/p2RxjR
••• RORAIMA •••
D. Almeida — Federal PSOL 5077
https://goo.gl/xStTEk
Índio Do Século XXI — Estadual PCB 21777
https://goo.gl/tT2XPu
Ivaldo André Macuxí — Estadual REDE 18111
https://goo.gl/d4m1Df https://goo.gl/RjUYdf
Joenia Wapichana — Federal REDE 1818
https://goo.gl/6XMnFT
Mário Nicácio — Estadual PTB 14231
https://goo.gl/iEsz9N
Ohanna Brasil — Estadual PR 22333
https://goo.gl/cEpkjZ
Ozelio Macuxi — Estadual PV 43555
https://goo.gl/GDp8Jm
Prof. Irani Macuxi — Estadual REDE 18789
https://goo.gl/WC3tQS
Professor Marcio Feitosa — Estadual PCB 21789
https://goo.gl/XN4Gvg https://goo.gl/tVcK6z
Professor Paulo Soares — Estadual PT 13000
https://goo.gl/NFiMds
Telma Taurepang — Senadora PCB 212
https://goo.gl/v3zytM
Tuxaua Carlos — Estadual PCB 21222
https://goo.gl/CNnJ7B
••• RIO GRANDE DO SUL •••
Cacique Saci — Estadual PSOL 50789
https://goo.gl/WU6YN1
Prof. João Fortes — Estadual PSB 40001
https://goo.gl/BL2kiE https://goo.gl/YH3aVQ
••• SANTA CATARINA •••
Ingrid Assis — Governador PSTU 16
https://goo.gl/J9tuwL
Kerexu — Federal PSOL 5088
https://goo.gl/TG7hvj
Leopardo Sales — Federal REDE 1810
https://goo.gl/c5XeDD
••• SÃO PAULO •••
Chirley Pankará (Bancada Ativista) — Estadual PSOL 50900
https://goo.gl/d9hEZ6
Cristine Takuá (Mandato Cidadanista) — Federal PSOL 5088
https://goo.gl/fphofc https://goo.gl/1iuYHE
Irineu Nje’a — Estadual PCdoB 65133
https://goo.gl/7jT1Ns
João Lira — Federal PSOL 5085
https://goo.gl/H23GzJ
Jupira Terena — Federal PSOL 5034
https://goo.gl/zZh28a
Kaka Werá — Federal REDE 1899
https://goo.gl/e9Jok7 https://goo.gl/ckRiUe
••• TOCANTINS •••
Marquinho Karajá — Estadual PCdoB 65255
https://goo.gl/9Sg4qq
Vilmar Xerente — Estadual PTC 36500
https://goo.gl/E6nG1b https://goo.gl/cp1DZC

PÀRKAPER