Pular para o conteúdo principal

AGRICULTURA APINAJÉ


RESGATE DE SEMENTES CRIOULAS
No PA 3 Irmãos, o Senhor Joel Pereira conversa com lideranças indígenas Apinajé. (foto: Antônio Veríssimo. out. 2013) 
         Desde inicio desse ano, a Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, acompanha a execução dos projetos de roças familiares que estão sendo implantados nas aldeias com recursos do Programa Básico Ambiental-PBA da UHE Estreito. A recuperação e resgate das sementes tradicionais (ou crioulas) é uma das ações previstas no cronograma de atividades relacionadas à execução desses projetos que estão sendo implantados em 19 aldeias localizadas nos municípios de Tocantinópolis e Maurilândia (TO). Com a finalidade de conhecer mais experiências e buscar essas sementes tradicionais, nos dias 22 e 23 de outubro de 2013 fizemos uma visita aos assentados e produtores da agricultura familiar na região do Bico do Papagaio no Norte do Estado do Tocantins.
Senhor Joel Pereira mostra algumas espécies plantadas no
SAFs no PA 3 irmãos. (foto: Antônio Veríssimo. out. 2013)

      Na tarde do dia 22/10 em Augustinópolis (TO) fomos recebidos pelo coordenador da APA-TO Alternativa Para Pequena Agricultura do Tocantins, senhor João Palmeiras Júnior e sua companheira, a agrônoma Selma Yuke Ishii, que falaram da atuação dessa entidade e o apoio aos pequenos produtores rurais do Tocantins; especialmente da região Norte do Estado. No dia 23/10 pela manhã, João Palmeiras nos acompanhou até o Projeto de Assentamento-PA 3 irmãos localizado a 18 km da cidade, onde nos apresentou ao senhor Joel Pereira, pequeno produtor rural assentando nesse PA. O Senhor Joel nos recebeu agradecendo pela visita e em seguida nos mostrou diversas sementes de produtos que cultiva em seu lote de 3 alqueires. Além das diversas espécies de bananas, macaxeiras, canas, cajus, ararutas, mangas, cajás e outros, cultivados nos SAFs; no local o produtor rural também cria alguns bovinos e galinhas caipiras de várias raças.
      Além do Joel, visitamos também o senhor Mariano, outro assentado no PA 3 irmãos, juntos os dois produtores disponibilizaram aproximadamente 400 kg de sementes de milho, feijão, fava, inhame, araruta e amendoim. Na ocasião foi acertada com outro produtor da região de Maurilândia (TO), a compra de 500 kg de sementes de arroz; totalizando quase uma tonelada de sementes crioulas. No próximo dia 28/10/13, segunda-feira, essas sementes serão distribuídas aos caciques das aldeias, onde deverão ser plantadas.
     Avaliamos que essas visitas de intercâmbios; resgates, trocas de experiências e conhecimentos, entre as comunidades indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco e pequenos produtores rurais, são positivas e produtivas, de tal forma que já está sendo articulada outra visita às comunidades camponesas do município de Esperantina no extremo Norte do Tocantins, prevista para o próximo mês de novembro.
Sementes cedidas pelo pequeno produtor ao povo Apinajé. (foto: João
Palmeiras. out. 2013)
      E convidados pelo movimento camponês, já confirmamos nossa participação na Caravana da Agroecologia, que nos dias 7 e 8 de novembro de 2013, percorrerá vários assentamentos e comunidades do extremo Norte do Estado do Tocantins. Representantes de organizações camponesas e urbanas; trabalhadores rurais, assentados, quilombolas, quebradeiras de coco e indígenas deverão participar dessa caravana. Dessa maneira acreditamos que resgataremos, fortaleceremos e resistiremos com os princípios e valores de nossa agricultura tradicional; socialmente justa e ambientalmente correta.


Terra Indígena Apinajé, 25 de outubro de 2013.


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

HIDRELÉTRICAS

HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA: CONSTRUINDO DIÁLOGOS, TROCANDO EXPERIÊNCIAS CARTA DOS POVOS INDÍGENAS JURUNA, XERENTE, APINAJÉ  E KAYABIAs violações de direitos indígenas e direitos humanos no processo de construção de usinas hidrelétricas na Amazônia se repetem nas três Bacias hidrográficas do Tocantins-Araguaia, Xingu e Tapajós



No período de 27 a 29 de junho, mais de 50 lideranças indígenas representantes dos povos Juruna /PA, Kayabi/MT, Xerente e Apinajé/TO, estivemos reunidos na 3ª Oficina realizada pela RBA (Rede Barragens Amazônica), com o tema; “Hidrelétricas e povos indígenas- construindo diálogos, trocando experiências”, que aconteceu na aldeia Paquiçamba, região da Volta Grande do Xingu. Na Oficina debatemos o polêmico e traumático processo de construção de hidrelétricas nos rios da Amazônia e do Cerrado. As lideranças indígenas explicaram sobre o processo antes, durante e após a implantação das obras. Falaram dos conflitos com os empreendedores, das ameaças que estão expostos  e d…

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ

1ª OFICINA DE ARTESANATO E SABERES TRADICIONAIS DO POVO APINAJÉ.


Nos dias 10, 11 e 12 de outubro de 2012, foi realizado na aldeia Patizal terra indígena Apinajé, município de Tocantinópolis-TO, a 1ª Oficina de Artesanato e Saberes Tradicionais do Povo Apinajé. O evento teve a participação 80 pessoas, entre anciões, alunos, mulheres e professores.
       A realização dessa oficina  teve a finalidade  propiciar um espaço social e cultural, onde os mais idosos, que são detentores de conhecimentos e saberes tradicionais, podem estar ensinando e repassando aos mas jovens, alguns conhecimentos e saberes do povo Apinajé.

       Os participantes gostaram da ideia, e pediram que seja realizados mais vezes, (pelo menos uma vez por ano) essas oficinas. Essa primeira edição da oficina de artesanato, foi uma parceria da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, com a Supervisão de Educação Indígena do MEC/DRE-Delegacia Regional de Ensino de Tocantinópolis-TO  e da FUNAI/CTL de Tocantinópolis e t…

AGRICULTURA INDÍGENA

As formas de produzir e a agricultura tradicional do povo Apinajé, que habitam na região Norte de Tocantins
A unidade produtiva do povo Apinajé é a família extensa, dessa forma na hora de realizar serviços nos roçados, todos os membros da família (com exceção das crianças pequenas e idosos) participam. Os homens fazem os roçados. Os serviços de plantar, limpar e colher são tarefas predominantemente femininas, mas os homens também ajudam nestes trabalhos.

No final do período chuvoso entre os meses de maio a julho organizamos mutirões para realizar serviços de derrubada do mato. Após algumas semanas o mato seco é queimado para preparação do terreno. Após a queima do mato, os homens munidos de machados, foices e facões realizam os serviços de coivaras, cortando e ajuntando os pedaços de troncos, galhos e folhas remanescentes para serem queimados, assim fica pronto o terreno para o plantio.


O plantio ocorrem no início da estação chuvosa, no período que vai de outubro a dezembro. As próprias …