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14 de fev. de 2014

DIÁLOGO INTERÉTNICO E RELIGIOSO

BISPO DIOCESANO DE TOCANTINÓPOLIS VISITA ALDEIAS APINAJÉ
Plantações de mandioca na aldeia Prata. (foto: Antônio Veríssimo. Fev. 2014)
      No último dia 12/02/14, quarta-feira, o Bispo diocesano de Tocantinópolis, Dom Giovane Pereira de Melo, acompanhado pelo  Pe. Valber Dias Barbosa e pela missionária Terezinha Bueno de Moraes visitaram as aldeias Prata, Areia Branca, Patizal, Irepxi e Aldeinha localizadas na terra Indígena Apinajé, neste município no Norte do Tocantins.

A visita começou pela aldeia Prata, que fica localizada próximo à rodovia TO 210. Nesta comunidade, Dom Giovane e comitiva foram recebidos pelo cacique Elias Salvador Apinajé, que convidou os visitantes para conhecer um dos projetos de roças familiar que estão sendo implantados nas aldeias com recursos da compensação da UHE Estreito. Esses projetos foram propostos e estão sendo executados pela Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, em 25 aldeias.
Plantações de milho na aldeia Prata. (foto: Antônio Veríssimo. Fev. de 2014)
Depois de mostrar as plantações de arroz, mandioca, fava, abóbora e milho do projeto de sua aldeia, o cacique Elias Salvador Apinajé levou os visitantes para ver outro local onde está sendo implantado um viveiro, que irá produzir mudas de espécies nativas do cerrado, para recuperação de áreas degradadas, plantio dos quintais das aldeias Apinajé e Krahô e o fortalecimento das atividades de produção e venda de polpas.

A agenda mais importante dessa visita foi cumprida na aldeia Patizal, nesta comunidade Dom Giovane encontrou se com o presidente da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, Edmar Xavito Apinagé, que, na ocasião entregou lhe um documento requerendo da Caritas Diocesana apoio às atividades de extrativismo; coleta, beneficiamento e comercialização das polpas do bacuri e outras frutas nativas do cerrado. O religioso recebeu o documento e garantiu que irá buscar parcerias para apoiar essa proposta da associação.
  
Seguramente essa visita de Dom Giovane a esta Terra Indígena, reflete a visão da igreja católica em manter e fortalecer mais sua presença pastoral e missionária junto aos povos e comunidades mais empobrecidas e oprimidas do Brasil.

Terra Indígena Apinajé, 14 de fevereiro de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

23 de jan. de 2014

SAÚDE INDÍGENA



TRATAR SEM MEDICAR, SEJA SEU PRÓPRIO DOUTOR, CUIDE SE

Na aldeia Areia Branca local da Oficina. (foto Antônio Veríssimo. Jan. 2014)
        Na última terça-feira, 21/01/14, foi realizada pela Equipe Multidisciplinar de Saúde do PBI de Tocantinópolis (TO), palestra sobre cuidados e medidas preventivas que devemos adotar em nosso dia-a-dia para evitar as doenças. Participaram das apresentações, Agentes Indígena de Saúde-AIS, Agente Indígena de Saneamento-AISAN, Técnicos (as) de Enfermagem, uma Cirurgiã Dentista e um Médico. A conversa aconteceu na aldeia Areia Branca a 18 km de Tocantinópolis (TO).
        O Dr. Angel Remígio do Programa Mais Médicos, recomendou práticas corretas de higiene pessoal que devemos seguir para melhorar a nossa saúde e qualidade de vida. Dr. Angel também orientou os pais e mães sobre atenção e cuidados com as crianças recém-nascidas; Uma vez que as precárias condições sanitárias de algumas aldeias deixam as crianças mais enfraquecidas e vulneráveis às doenças, como diarreias, vômitos, pneumonias, micoses e verminoses. Afirmou.
Na plenária; os participantes da palestra. (foto: Antônio 
Veríssimo. Jan. 2014)
        Os Técnicos (as) de enfermagem alertaram sobre os riscos e perigos das Doenças Sexualmente Transmissíveis-DST/AIDS; sugerindo que os jovens, devem se preocupar e se cuidar melhor, usando corretamente os dispositivos de prevenção para se proteger. Foram apresentados slides mostrando o aspecto de pessoas atacadas por doenças transmitidas por animais domésticos e silvestres. Os Enfermeiros (as) destacaram casos de doenças graves, como o calazar, que pode ser tratado e a raiva canina, que não tem cura.
        Avaliamos essas palestras como positivas. E isso pode ser um importante passo da SESAI/PBI, rumo a um atendimento de Saúde Indígena adequado, digno e humano. Essas ações baseadas no diálogo livre, direto e esclarecedor envolvendo os Profissionais da Saúde e as comunidades são métodos dinâmicos de caráter preventivo, pedagógico e transformador e devem continuar; envolvendo também, a Educação Escolar Indígena.


Jovens são orientados sobre prevenção de DST/AIDS. 
(foto: Antônio Veríssimo. Jan. 2014)
       No entanto o Estado Brasileiro deve também fazer um esforço político no sentido de efetivar a implantação de estruturas de Saneamento Básico; ações indispensáveis para prevenção de doenças. Atualmente 70% das aldeias Apinajé não dispõem de Sistemas de Abastecimentos de Água.  E em 90% dessas comunidades não existem banheiros e esgoto sanitário.  Além desses indicadores negativos, a cada dia estamos sendo afetados gradativamente por lixos químicos e resíduos sólidos, que estão contaminando nosso solo, ar e água.   
       Atualmente, nossos jovens estão sendo induzidos pela mídia a consumir cada vez mais produtos cultivados com venenos e industrializados com conservantes químicos. Todavia não temos nenhuma política séria de Governo que garanta o apoio a nossa agricultura tradicional; agroecológica e orgânica. Entendemos que qualquer discussão sobre saúde deve se incluir também a questão da alimentação. As diferenças culturais não podem ser usadas como pretexto para discriminar e abandonar as minorias indígenas do Brasil.
       
Terra Indígena Apinajé, 23 de janeiro de 2013.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

17 de jan. de 2014

CONHEÇA NOSSA HISTÓRIA E CULTURA

POVO APINAJÉ: CULTURA E RESISTÊNCIA NO NORTE DO TOCANTINS
Jovens Apinajé, preparados para corrida de toras. (foto: Odair Giraldin. Jul. 2006)

    1.  Pertencemos ao tronco linguístico Macro-Gê, família linguística Gê. A nossa população atual é de 2.187 pessoas, aproximadamente. Das 27 aldeias hoje existentes, a mais populosa é a Aldeia São José com 392 pessoas, seguida da aldeia Mariazinha com 280. Temos 4 aldeias (Abacaxi, Palmeiras, Bonito e Girassol) com mais de 100 habitantes e 21 aldeias com menos de 100 habitantes.

1.1 Breve Histórico do Contato

Os dados são de citações das publicações de Curt Nimuendajú, que esteve com o povo Apinajé nos anos 1928, 1930, 1931, 1932 e 1937, fazendo pesquisa etnográfica e empreendeu extensa pesquisa documental no Brasil e na Europa.

- O primeiro contato documentado dos Apinajé com não-indígenas foi em 1774: Antônio Luiz Tavares que viajava de Goiás para Belém, na Cachoeira das Três Barras, foi cercado pelos indígenas em canoas e por terra e teve que se entrincheirar em uma ilha. Em 1793, Thomas de Souza Villa Real, descendo o Rio Araguaia, fala dos “Pinaré” e sugere que se fizesse paz com esses indígenas, pois, eles poderiam abastecer as expedições.

- Em 1797, quando o governo do Pará fundou o Posto Militar de São João das Duas Barras, conhecido como Presídio, hoje sede do município de São João do Araguaia, os Apinajé passaram a ter contato regular com os não-indígenas.

- Esse contato com os não-indígenas foi de constantes confrontos, como quando algumas pessoas da guarnição do Presídio destruíram roças dos Apinajé e foram mortas por eles. Em consequência as aldeias foram cercadas e destruídas pela guarnição militar que dispunha de artilharia. Ou, como narra Johann Pohl, ocasião em que os Apinajé induziram suas mulheres a fazerem as vontades do pessoal da guarnição, aproveitando-se então para matar quase todos. Essa situação de luta levou os Apinajé a abandonar essa aldeia no Estado Pará; atravessar o rio Araguaia e se afastar gradativamente para as margens do Rio Tocantins.

- Em 1817, os Apinajé são assolados por uma epidemia de varíola, conforme relata Ribeiro.

- Em 1818, foi fundado o povoado de Boa Vista do Pe. João, hoje, Tocantinópolis, em território Apinajé.

Vista parcial do território Apinajé, entre os municípios de Tocantinópolis e Maurilândia. (foto: Antônio Veríssimo. Mar. 2013)

- Em 1823, duzentos e cinquenta guerreiros Apinajé tomam parte na luta contra tropas portuguesas que fugiam do Maranhão para o Pará. Nesse período, Cunha Mattos calculou a população Apinajé em 4.200 pessoas, distribuídas em quatro aldeias: Bom Jardim, Santo Antônio, Araguaia e São Vicente.

- Em 1840, o governo Imperial entrega a catequese dos Apinajé ao Frei Francisco de Monte Santo Vitor, ordem dos Capuchinhos.

- Em 1859, Vicente Ferreira Gomes visita três aldeias Apinajé e calcula o numero de indígenas em 1.800.

- Em 1918, uma epidemia de gripe mata muitos indígenas e algumas aldeias são extintas.

- Em 1928, Curt Nimuendajú visita as 4 aldeias Apinajé: Cocal, Gato Preto, Bacaba (S. José) e Mariazinha e calculou a população em 150 habitantes. Em 1937 estimou 160 pessoas.

- Em 1936, alguns Apinajé fazem parte da força armada que o padre João Lima arregimentou para se apoderar da Prefeitura de Boa Vista.

- Em 1944, é fundado pelo Serviço de Proteção ao Índio-SPI, o Posto Indígena, na aldeia Bacaba. Com a transferência da aldeia Bacaba para as margens do Ribeirão São José, o Posto Indígena acompanhou e passou a se chamar São José.

- Em 1950, alguns indígenas da aldeia Botica, antiga Gato Preto, mudaram-se para a aldeia Bacaba (São José) e Mariazinha, supostamente por ordem do Encarregado do Posto Indígena do Serviço de Proteção ao Índio-SPI. Em 1955 essa aldeia ficou desabitada, tendo a maioria da população se transferido para a aldeia São José. 
           
Carvoarias ameaçam o território Apinajé no município de Tocantinópolis. (foto: Antônio Veríssimo. Jan. 2013)

Entre 1850 a 1970, os colonizadores que se fixaram na área tradicionalmente ocupada pelos Apinajé atuavam em três frentes econômicas: pastoril, extrativista e agrícola. A frente pastoril, formada por grupos familiares, avançou sobre o território Apinajé em busca de pastagens para seus rebanhos e foi a responsável pela diminuição populacional ocorrida no período de 1859 a 1928, na tentativa de evitar que os indígenas desprovidos de caça atacassem seus rebanhos.
 
A frente econômica extrativista voltada á exploração do babaçu fixou grande núcleo populacional de não-indígenas na área Apinajé, mas, os maiores embates foram com os fazendeiros. As atividades agrícola e pecuária praticadas nas terras férteis às margens dos ribeirões e dos Rios Araguaia e Tocantins teve como consequência negativa principal, a ocupação física de grande parte do território tradicional Apinajé.

1.2. – Historia Recente

Inicio dos anos 80, período pré-demarcatório da Terra Indígena Apinajé, foi marcado por confrontos sangrentos com fazendeiros e políticos; tendo como consequências agressões verbal e física, expulsões, despejos, prisões irregular, ameaças de morte, ferimentos a tiros e assassinatos. Por Decreto Presidencial 90860, editado em 14 de fevereiro de 1985, o Estado Brasileiro reconheceu uma área de 141.904 hectares, abrangendo os municípios de Tocantinópolis, Maurilândia, São Bento do Tocantins e Cachoeirinha. Porém, o controle e domínio sobre esse território demarcado é parcial.

Simplificando:
1 – Atualmente a Terra Indígena Apinajé continua sendo explorada ilegalmente por caçadores, pescadores e extrativistas para fins comerciais; por fazendeiros para uso de pastagens e implantação de roçados; e, por madeireiros. O entorno do território Apinajé também vem sendo sistematicamente agredido e devastado para implantação e exploração ilegal de carvoarias e plantio de eucaliptos. Outros impactos negativos estão sendo causados por grandes empreendimentos; como a UHE Estreito, a ferrovia Norte-Sul, as rodovias BR 230 (transamazônica), TO 126 e 210. Hoje, o Projeto da UHE de Serra Quebrada significa uma grave e potencial ameaça ao território Apinajé e seus habitantes.
No Posto de Saúde da aldeia Mariazinha, mulheres Apinajé aguardando atendimento. (foto: Antônio Veríssimo. Dez/12)

2 – No final de 2006, em três meses morreram mais de vinte crianças Apinajé, mortalidade superior a 1% da população, e a causa das mortes nunca foram diagnosticadas pela Fundação Nacional de Saúde – FUNASA; na época, o Órgão Federal de Assistência à Saúde Indígena.
3 - Em dezembro de 2007, os habitantes das aldeias Buriti Comprido, Cocalinho, Palmeiras e Patizal, foram removidos pela Fundação Nacional do Índio-FUNAI e Polícia Federal para a Aldeia São José, após a invasão da aldeia Buriti Comprido por cinco indivíduos do município de Cachoeirinha, que adentraram a aldeia para resgatar um trator. Depois da ocorrência parte das famílias retornaram para as aldeias Patizal e Palmeiras. Porém até os dias de hoje em razão das ameaças de vinganças dos não-índios, as famílias das aldeias Buriti Cumprido e Cocalinho evitam retornar à região e as referidas aldeias continuam desabitadas.
4 – No dia 29 de agosto de 2008, durante Assembleia Geral de caciques realizada às margens do ribeirão Botica, próximo à aldeia Patizal, foi criada a Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

5 – Em 2010, a Secretaria Especial de Atenção a Saúde Indígena-SESAI, vinculada ao Ministério da Saúde -MS, assume o atendimento da Saúde Indígena. Entretanto, depois de três  anos, ainda não foram efetivadas melhorias estruturais necessárias e os problemas de Saneamento Básico e falta de atendimento preventivo, verificados na época da Fundação Nacional de Saúde-FUNASA, persistem. 

Atualmente 70% das aldeias não dispõem de Sistemas de Abastecimentos de Água.  Em 90% das comunidades não existem banheiros e esgoto sanitário. E as crianças recém-nascidas continuam sofrendo e sendo vitimadas por doenças como; diarreias, gripes, pneumonia, febres, vômitos e verminoses. A discriminação, o preconceito, as perseguições e violências sistematizadas contra nosso povo, ainda são práticas recorrentes da sociedade envolvente; percebemos isso, especialmente nos Órgãos Públicos do Governo. 


Terra Indígena Apinajé, 17 de Janeiro de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

24 de dez. de 2013

EXTRATIVISMO DO BABAÇU NA TERRA INDÍGENA APINAJÉ

MULHERES APINAJÉ REALIZAM OFICINA SOBRE EXTRAÇÃO DO BABAÇU


Mulheres Apinajé, participantes de Oficina na aldeia Areia Branca. (foto: Antônio Veríssimo. Dez. 2013)

Com a finalidade de multiplicar e transmitir conhecimentos, saberes e práticas sobre a extração e aproveitamento do coco babaçu aos mais jovens, nos dias 18 e 19 de dezembro de 2013, foi realizada na aldeia Areia Branca, no município de Tocantinópolis, Estado do Tocantins, 2ª etapa da Oficina das Mulheres Indígenas Apinajé Sobre A Extração e o Beneficiamento do Babaçu. O evento foi realizado pelas mulheres Apinajé, com apoio da CGETNO/FUNAI/BSB e CTL de Tocantinópolis (TO).  Ao menos 40 lideranças mulheres vindas de 18 aldeias participaram da oficina.

A 1ª etapa da Oficina de Intercâmbio Sobre a Extração e Beneficiamento do Babaçu, foi realizada nos dias na aldeia Mariazinha e contou com a participação de (3) três mulheres do MIQCB-Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu da cidade de São Miguel do Tocantins (TO), que vieram compartilhar com as mulheres Apinajé, suas experiências e práticas sobre as atividades de extração, aproveitamento e comercialização do babaçu.

Nas (2) duas primeiras etapas de oficinas, as mulheres Apinajé demostraram bastante desenvoltura e habilidade na quebra do coco babaçu, na extração do mesocarpo e retirado do azeite da amêndoa. Muito animadas e interessadas, as participantes manifestaram que querem continuar aprimorando o que já sabem e aprendendo novas técnicas de beneficiamento e uso do babaçu e aplicando esses conhecimentos para aproveitar os potenciais recursos da palmeira do babaçu; que envolvem a utilização do coco, da casca, da palha e adubo do babaçu. 

Ressaltamos que há milhares de anos nossos antepassados desenvolveram técnicas próprias de uso especialmente da palha do babaçu. E até os dias de hoje nosso cotidiano está intimamente ligado ao uso dessa palmeira. Além da extração do óleo e mesocarpo, nossos conhecimentos sobre fabricação de esteiras, cestos e ornamentos corporais utilizados nas festas, ainda estão sendo transmitidos aos jovens.

No contexto regional esses encontros e oficinas focados na troca de conhecimentos, preservação dos cocais e a geração de renda para as mulheres indígenas e não índias são importantes ainda para fortalecer a luta e a resistência contra as plantações de eucaliptos e hidrelétricas que estão invadindo o Norte do Tocantins e ameaçando a vida das populações rurais e urbanas de nossa região.   A 3ª etapa da Oficina de Intercâmbio será realizada na 1ª quinzena  de janeiro de 2014, na cidade de São Miguel do Tocantins no Bico do Papagaio.


Terra Indígena Apinajé, 24 de dezembro de 2013.


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÁ.

16 de dez. de 2013

AGRICULTURA FAMILIAR

Agricultura Familiar: lideranças Apinajé realizam visita de intercâmbio  aos pequenos agricultores no Bico do Papagaio

Lideranças indígenas conversam com  coordenador dos pequenos  produtores rurais em assentamentos do município de Esperantina (TO). (foto: Antônio Veríssimo. dez. 2013)
Continuando nossas atividades relacionadas ao plantio de roças nas aldeias Apinajé, nos dias 7 e 8 de dezembro de 2013 realizamos nova visita de intercâmbio e busca de Sementes Crioulas junto aos pequenos produtores da região do Bico do Papagaio. Desta vez conhecemos alguns assentados no município de Esperantina no extremo Norte do Tocantins. 
Nossa viagem começou no dia 7/12, saindo de Tocantinópolis (TO) rumo à Augustinópolis, aonde chegamos à tardezinha. E no dia 8/12 pela manhã, guiados por João Palmeira Junior, continuamos nosso percurso por mais 80 km até Esperantina. Nesta cidade fomos amigavelmente recepcionados pelo senhor Juvenal das Neves, coordenador da Cooperativa de Produção e Comercialização dos Agroextrativistas e Pescadores Artesanais de Esperantina Ltda-COAF/Bico, que nos levou para conhecer alguns assentamentos localizados naquele município.
Produção familiar de farinha de mandioca no município de Esperantina  (TO). (foto: Antônio Veríssimo. dez. 2013)
Nessa parte do Tocantins o extrativismo e a agricultura familiar caminham juntos e são bastante fortes, expressivas e diversificadas. Nos assentamentos locais podemos ver muitas plantações de milho, inhame, feijão, banana e mandioca. Na região também existem alguns projetos de casas de farinha em funcionamento. E os assentados também criam bovinos, caprinos, suínos e aves para produção de leite e carne. A pesca artesanal é outra importante atividade econômica para a população ribeirinha de Esperantina.

Em razão da fertilidade do solo de sua proximidade com o Estado do Pará, o município de Esperantina é conhecido pela extração e produção de polpa de cupú-açú, bacuri e murici. Nos sítios no entorno da cidade podemos ver também muitas castanheiras; espécie nativa ameaçada de extinção, que ocorre nas florestas altas da região Amazônica.

Porém toda essa riqueza está sendo ameaçada por grandes empreendimentos hidroelétricos. Um desses projetos é a barragem de Marabá, projetada próximo o encontro dos rios Tocantins e Araguaia nos Municípios de São João do Araguaia, Pará, Bom Jesus do Tocantins no Maranhão e Esperantina em Tocantins.

Os moradores locais (do lado tocantinense) demostram grande preocupação com mais esse projeto do setor elétrico, que vem ameaçar a vida e o futuro das populações rurais e urbanas dos três Estados já afetados e ameaçados por outras obras.
Lideranças observam maniva de mandioca cultivada nos assentamentos do município de Esperantina (TO). (foto: Antônio Veríssimo. dez. 2013)
Seguindo o mau exemplo dos projetos das UHE Estreito e Belo Monte, o Governo Federal e as empresas estão “interessados” e pretendem levar à diante e de qualquer jeito os projetos das UHE de Serra Quebrada, Santa Isabel e Marabá. Sendo que essas obras representam graves ameaças à nossas vidas e ao futuro das demais populações do Bico do Papagaio.

Nessa última visita que fizemos aos agricultores de Esperantina, adquirimos sementes de feijão, milho, inhame, arroz, ramas de mandioca e mudas de bananas. Essas sementes já foram plantadas nos projeto de roças  que estão sendo implantados nas aldeias.


Terra indígena Apinajé, dezembro de 2013.


 Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

3 de dez. de 2013

SAÚDE INDÍGENA


CRIANÇAS APINAJÉ SOFREM COM ATAQUES DE DIARRÉIAS


Todos os anos nessa época dezenas de crianças Apinajé sofrem com surtos de diarreias e vômitos. Desde o último fim de semana essas viroses estão atingindo principalmente os recém-nascidos (as) na faixa etária de 0 a 3 anos da aldeia São José e entorno. Todas as manhãs e a tarde conferimos dezenas de mães com seus filhos buscando atendimento no Posto de Saúde dessa comunidade. 

Ontem dia 02/12/13, segunda feira o Agente Indígena de Saúde, Edvaldo Sotero Apinajé anotou 14 casos de diarréias em crianças dessa aldeia localizada a 18 km de Tocantinópolis no Norte do Estado do Tocantins. Sem o acompanhamento e as orientações de um Médico essas crianças correm o risco de morrer.

Em 2006 pelo menos 20 crianças recém-nascidas de diversas aldeias, depois de  serem  internadas sob ataques de diarreias e vômitos foram à óbito em Hospitais de Tocantinópolis e Araguaína. Com isso, algumas mamães ficaram traumatizadas e agora se recusam internar seus filhos no Hospital Municipal José Sabóia. As mulheres Apinajé, ainda reclamam que não são bem recebidas e são maltratadas pelos servidores (as) do Hospital Municipal de Tocantinópolis; optando  pelo atendimento na própria aldeia feito pelo Médico da Atenção Básica; do Programa Mais Médicos, Dr. Angel Remígio.

Apesar dessas sérias ocorrências Médico da Atenção Básica à alguns dias não aparece nos Postos de Saúde. Na tarde de ontem tivemos informações que o Dr. Angel Remígio está viajando pra Palmas (TO),  o que é estranho, pois deveria está atendendo nas aldeias e não na cidade.

Denunciamos essa situação e solicitamos providências cabíveis do MPF/PR de Araguaína para corrigir possíveis casos de omissão, prevaricação e desmandos que esteja acontecendo por parte de servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena-SESAI, do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins-DSEI-TO e do Polo Base Indígena-PBI de Tocantinópolis (TO). Pedimos explicações e queremos saber por que o médico que deveria está atendendo nas aldeias, está viajando (ou foi mandado) pra Palmas?



Terra Indígena Apinajé, 03 de dezembro de 2013.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ 

23 de nov. de 2013

MANIFESTAÇÃO INDÍGENA

NOTA DE ESCLARECIMENTOS À SOCIEDADE E  A IMPRENSA

    A Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, vem a público esclarecer à sociedade, a imprensa e aos demais interessados sobre a questão que trata da pavimentação asfáltica da rodovia TO 126, num trecho de aproximadamente 30 km dentro da área Apinajé, entre os municípios de Tocantinópolis e Maurilândia no Norte do Estado do Tocantins.
     Informamos que, nunca pedimos , assinamos ou concordamos que essa obra seja construída dentro da área indígena de qualquer jeito; sem os devidos  EIA-Estudos de Impacto Ambiental e o RIMA-Relatório de Impacto Ambiental. E em nosso entendimento cabe os Órgãos Ambientais IBAMA, MPF-TO e FUNAI, conduzir, coordenar e realizar esse processo de licenciamento. E não os politiqueiros, mercenários e picaretas interessados em levar vantagens nas próximas Eleições de 2014. Sendo que  nenhuma pessoa ou movimento  pode sair por ai falando em nosso nome, pois temos nossa própria organização que nos representa  e pode se manifestar em nome do povo Apinajé.
     No caso do projeto de asfaltamento TO-126, que corta uma Terra Indígena Apinajé, temos impedimentos legais  previstos em lei que devem ser observados. E nosso povo temos direitos à consulta; livre, prévia e informada. Deverão também ser realizadas Audiências Públicas com participação de representantes da sociedade civil; especialmente da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, legítima representante do povo Apinajé, que são os mais prejudicados à médio e longo prazo.
   É importante ressaltar que temos as Leis Ambientais em vigor no País que devem ser cumpridas e respeitadas por todos; enquanto cidadãos, temos direitos e deveres. Outra coisa, o Brasil é signatário de Acordos e Tratados Internacionais;  como a Convenção 169 da OIT e a Declaração da ONU Sobre os Direitos dos Povos Indígenas.  Essas leis existem, não são falsas e nem são invenção de indigenista ou  ambientalista. Portanto devem ser respeitadas pelas autoridades e pelos cidadãos brasileiros. Cabendo ao empreendedor cumprir o que determina a Lei.
   Queremos deixar claro que nosso território já é muito impactado por grandes empreendimentos da iniciativa privada e dos governos Estadual e Federal e essa é mais uma obra que pretendem fazer de qualquer jeito, o que não concordamos. No caso da pavimentação da TO 210, trecho entre o povoado Passarinho e o Trevo da Transamazônica, não foram realizados o EIA-RIMA e os políticos fizeram um monte de promessas verbais que nunca foram cumpridas.
   Conforme foi divulgado pela imprensa o Movimento Popular Organizado-MPO, entregou abaixo-assinado com mil duzentas e uma assinaturas ao Governador Siqueira Campos pedindo a pavimentação da rodovia TO- 126.  O que é uma reivindicação legitima do povo. Por outro lado esse movimento assume o caráter de uma mobilização política eleitoreira promovida por políticos com a finalidade de usar o povo, criar confusão e tumultuar o processo que trata dessa obra.
    Não somos atrasados e nem contra o desenvolvimento, porém é aceitável que a tudo seja feito de acordo com a Lei e respeitando a decisão de nosso povo historicamente agredido e oprimido nessa região.



Terra Indígena Apinajé, 22 de novembro de 2013.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

19 de nov. de 2013

MANIFESTAÇÕES INDÍGENAS

NOTA DE REPÚDIO

    Nós diretores, (caciques), Conselhos Deliberativo e Consultivo da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, somando 40 pessoas reunidas nos dias 17 e 18 de novembro de 2013, na aldeia Areia Branca, terra indígena Apinajé, município de Tocantinópolis, Estado do Tocantins, Brasil, para tratar de assuntos de interesse de nosso povo.  Vimos à público manifestar nossa preocupação com as ameaças de intervenção de Agentes da Polícia Federal nessa terra indígena para resgatar um veículo que se encontra retido na aldeia Palmeiras. E alertar a sociedade, a imprensa e os demais Órgãos da Administração Pública Federal, sobre os riscos de confrontos entre a Polícia Federal e as comunidades Apinajé, se essa intervenção acontecer.
    Informamos que em 2008 o senhor Coordenador da FUNAI, Cleso Fernandes de Moraes fez algumas promessas às famílias da aldeia Palmeiras.  Depois de (5) cinco anos sem ver as promessas cumpridas, os moradores da citada comunidade como forma de chamar o Coordenador para dialogar e explicar as providências que pretende tomar para cumprir o que prometeu, detiveram uma viatura que se encontra em poder da comunidade até hoje.
    Logo que a viatura foi detida o senhor Coordenador Cleso foi devidamente comunicado da ocorrência pelo Coordenador Técnico Local da FUNAI/CTL de Tocantinópolis (TO), senhor Bruno Aluísio Braga. Em seguida o senhor Cleso Fernandes de Moraes foi convidado pela comunidade indígena para comparecer na aldeia Palmeiras; dar explicações sobre as promessas feitas e levar a viatura. Passados mas de (6) seis meses e o Coordenador do “Órgão Indigenista” nunca apareceu na terra indígena para conversar com os caciques e solucionar o problema.
    Repudiamos essa postura omissa e irresponsável do senhor Cleso Fernandes de Moraes, Coordenador da FUNAI/CRAT de Palmas (TO), que além de se negar ao entendimento com a comunidade indígena, ameaça mandar a Polícia Federal, resgatar a viatura na aldeia. Lamentamos que essa seja a solução encontrada por um servidor público e Coordenador da Fundação Nacional do Índio-FUNAI, para resolver essa legítima reivindicação da comunidade.
    Diante dessa possibilidade do uso desnecessário da Polícia Federal, em uma situação que a própria FUNAI pode resolver.  E considerando os riscos e as consequências de uma ação policial em uma aldeia; com inevitáveis constrangimentos, violação da privacidade, humilhação, perigos de reações das pessoas e os riscos do uso ilegal e desproporcional da força por parte da polícia; com resultados trágicos, por culpa de alguns servidores da FUNAI.
    Solicitamos que Dra. Aldirla Pereira Albuquerque Procuradora do MPF/PR de Araguaína (TO), adote providências no sentido de evitar que essa Ação Policial seja consumada. Ao mesmo tempo pedimos a realização de reunião com a participação dos Coordenadores da FUNAI de Palmas e Tocantinópolis (TO), para buscarmos uma solução para essa questão, que; em nossa compreensão pode ser resolvida pela própria FUNAI e a comunidade indígena, evitando assim a Judicialização e o Uso Conflitante da Força Policial.


Terra Indígena Apinajé, 18 de outubro de 2013.




Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

11 de nov. de 2013

POVOS INDÍGENAS DE GOIÁS E TOCANTINS ENTREGAM CARTA DE APOIO À DOM TOMÁS

Carta à Dom Tomás Balduíno
Bispo de Goiás (GO)

Prezado companheiro;

     Após nossos sinceros cumprimentos em nome dos povos Apinajé, Krahô, Xerente, Carajá Xambioá, Krahô Kanela e Tapuia,  comunicamos que fomos informados de sua internação em UTI de hospital da cidade de Ceres (GO). Também já sabemos que foi transferido e se encontra hospitalizado em Goiânia (GO).
     Todas essas notícias nos deixaram profundamente entristecidos e abalados. Diante dessa situação pedimos que nos compreenda e nos desculpe por não poder visitá-lo nesse momento. Porém queremos que saiba de nosso respeito e consideração a sua história e sua luta. E que apesar das distancias geográficas, mesmo assim estamos juntos com você em mais essa batalha em defesa de sua própria Vida.
      Os Povos Indígenas dos Estados de Goiás e Tocantins somos muito gratos a você. Para nós você é um Mestre, Conselheiro, Profeta, um defensor inalienável e convicto da Causa e da Vida dos povos marginalizados, escravizados e excluídos.
     Temos Fé e acreditamos que nosso Deus, também está junto com você nessa batalha pela vida, por que nosso Pai jamais abandonará um varão justo numa hora difícil. E você é um ser humano justo, digno e honrado, que está cumprindo a sua nobre missão; praticando a Justiça e promovendo a Paz.
     Dom Tomás veja que bela e exemplar história de resistência você está escrevendo e “imprimindo” junto com os Povos Indígenas e Movimentos Sociais desse País. Um bom pastor, sempre armado com a verdade e munido com sabedoria cristã; às vezes voando em céus de turbulências, às vezes navegando em águas agitadas ou trilhando os caminhos espinhentos dessa América Latina. Você nunca se intimidou e nem se curvou diante da arrogância e da prepotência dos tiranos.
     Nessa caminhada você tem nos ajudado a fazer o bom combate; assim junto com outros lutadores você fundou o CIMI e a CPT, trincheiras seguras para denunciar e lutar contra as injustiças sociais, as violências, o preconceito, a escravidão, o latifúndio e a pistolagem, que também são as piores “doenças” que geram a morte. Nessa guerra temos contabilizado muitas vitórias; se lembra de algumas?

     Nesse momento de sua Vida você nos dar maior lição de amor ao próximo. Esse gesto Guerreiro nos fortalece e nos enche de esperança; na certeza que temos que continuar lutando pelas crianças, pelos idosos, pelos empobrecidos e excluídos. A nossa luta por dignidade e Direitos humanos não tem fronteiras e é continua. Até breve grande Guerreiro da Paz, nós vamos vencer!!!

Terra Indígena Apinajé, 09 de novembro de 2013.

Assinam a Carta os representantes dos povos:
 Apinajé
 Krahô,
 Xerente,
 Carajá Xambioá 
Krahô Kanela
 Tapuia.

6 de nov. de 2013

CONFLITO

JUSTIÇA CONDENA MUNICÍPIO DE CACHOEIRINHA (TO) A INDENIZAR INDÍGENAS POR DESTRUÍÇÃO DE ALDEIA


Agentes da Policia Ambiental e FUNAI, visitam a aldeia Buriti Cumprido, também incendiada. (foto: Antônio Veríssimo. set. 2011)

No ano de 2007, as comunidades indígenas tiveram suas casas incendiadas e saqueadas como represália a morte de 04 pessoas que tentaram resgatar um trator que estava em poder dos indígenas da aldeia Cocalinho, etnia Apinajé.
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou a ação pleiteando a concessão de indenização por danos morais e materiais às referidas comunidades indígenas que tiveram suas casas incendiadas e destruídas.
A petição inicial descreve que o prefeito do Município de Cachoeirinha, na época governada por Messias Pereira Oliveira, adentrou na aldeia Cocalinho, sem autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai), fez promessas aos indígenas e não as cumpriu, gerando, por consequência, conflito entre indígenas e não indígenas.
Após o acirramento dos ânimos, o prefeito Messias permitiu que um grupo tentasse resgatar um trator que fora retido pelos índios. Na ocasião, cinco cidadãos, sendo estes Walfredo Rodrigues da Silva, 32 anos, secretário da Agricultura do município,  Jonas Pereira dos Santos, Secretário de Finanças, Gutierre Leônidas de Sousa, 24, e Silveira Cordeiro da Silva, 35, este residente em São Bento do Tocantins, invadiram a reserva indígena, inclusive atirando para reaver a maquina, no confronto os quatro invasores acima citados foram mortos após reação dos índios. Em represália, dias depois, após novo confronto, o MPF afirma que a aldeia foi completamente destruída por um incêndio criminoso.
Em primeira instância, o pedido foi julgado improcedente, tendo o MPF interposto apelação ao TRF da 1.ª Região. Sustentou que a conduta dos representantes da municipalidade contribuiu decisivamente para os fatos. Argumentou que a destruição da aldeia é decorrência da conduta comissiva e/ou omissiva de cidadãos comuns e de servidores do Município de Cachoeirinha, pois os mesmos, especialmente o ente estatal, deixaram de “recorrer aos mecanismos legais para recuperação do bem”, preferindo “o exercício arbitrário de suas próprias razões”, ponderou.
Reiterou com essa fundamentação, o pedido de condenação do município ao pagamento de indenização a título de danos morais e materiais, extensíveis às famílias dos indígenas, assim como o pagamento mensal de um salário mínimo aos indígenas prejudicados, pelo período de dois anos.
Ao analisar a apelação, a relatora, desembargadora federal Selene Maria de Almeida, entendeu que a municipalidade é responsável pela destruição da aldeia indígena. “O nexo de causalidade, na espécie, encontra-se suficientemente demonstrado, não se afigurando necessária a individualização dos agentes que provocaram o incêndio na aldeia. O incêndio consistiu na óbvia e rápida consequência da ação levada a efeito pelos servidores do município no resgate do trator retido pelos índios”, afirmou a magistrada.

Para a relatora, é cabível a indenização por danos morais, tendo em vista que, no caso em análise, “houve evidente depauperação da condição social da comunidade Apinajé como decorrência do incêndio na aldeia de Cocalinho e da fuga em massa dos índios para aldeia São José”.

Com relação ao pedido de extensão da indenização por danos morais às famílias dos indígenas, a relatora entendeu que a solicitação não procede. Isso porque o pedido formulado na inicial decorre da destruição da aldeia e não da conduta dos indígenas em atacar os invasores. Sobre o pedido de pagamento de um salário mínimo aos indígenas prejudicados pelo período de dois anos, a desembargadora Selene Maria de Almeida esclareceu que “não possui causa de pedir a justificá-lo, razão pela qual fica indeferido”.
Dessa forma, a Turma, nos termos do voto da relatora, deu parcial provimento à apelação para condenar o Município de Cachoeirinha ao pagamento de danos morais no valor de R$ 100 mil e de danos materiais no montante a ser apurado por meio de liquidação. 

Terra Indígena Apinajé, novembro de 2013.


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

MOBILIZAÇÃO INDÍGENA

Mensagem final da Assembleia dos Povos Indígenas no Tocantins “Nossas bordunas e flechas estão prontas para seguir na luta”.  (Ricardo Krahô...