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23 de set. de 2014

ORGANIZAÇÃO

DOCUMENTO FINAL DA V ASSEMBLEIA GERAL DA ASSOCIAÇÃO UNIÃO DAS ALDEIAS APINAJÉ
Aldeia Patizal: Caciques e lideranças na plenária da V Assembleia  Geral da PEMPXÀ. (foto: Antônio Veríssimo. Set. 2014)
José Ribeiro Apinagé; presidente do CLOSIAP. (foto: Odair
Geraldin/UFT. Set. 2014)


           No período de 18 a 21 de setembro do corrente ano realizamos na aldeia Patizal, Terra Indígena Apinajé, no município de Tocantinópolis, Estado do Tocantins, a V Assembleia Geral da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ com as presenças e participação dos caciques, lideranças, membros dos Conselhos Deliberativo, Fiscal e Consultivo da organização Apinajé. Ao menos 80 lideranças vindas de 26 aldeias participaram do evento.
         Tivemos também a participação de convidados representantes da FUNAI/CR de Palmas (TO), FUNAI/CGID Brasília (DF), da SESAI/PBI de Tocantinópolis (TO) e da Universidade Federal do Tocantins-UFT de Porto Nacional e Palmas (TO) e da Fundação Cultural do Tocantins. A Pastoral Indigenista CIMI, o Centro de Trabalho Indigenista-CTI e a Cáritas Diocesana de Tocantinópolis (TO) também enviaram representantes.
         Dia 19/09, com os representantes do CIMI GO/TO, debatemos e analisamos as propostas de criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena-INSI. As lideranças repudiaram a forma como essa proposta foi elaborada, sem transparência e a total falta de diálogo com as comunidades. O presidente do Conselho de Saúde Indígena Apinajé-CLOSIAP, José Ribeiro Apinajé afirmou que foi ameaçado e coagido a assinar um documento concordando com a criação do INSI.
Cantorias na Aldeia Irepxi. (foto: Odair Geraldin. Set. 2014)
    Em 20/09, com os representantes da FUNAI/CGID de Brasília, FUNAI/CR de Palmas e Tocantinópolis,  (TO) na ocasião cobramos providencias para impedir o avanço dos desmatamentos e do plantio de eucaliptos no entorno (divisa Oeste) da Terra Apinajé nos municípios de Tocantinópolis e Nazaré no Norte do Estado do Tocantins. Avaliamos como grave o avanço desenfreado dessas atividades ilegais nas proximidades da área Apinajé, ameaçando as nascentes dos ribeirões e cabeceiras que banham as aldeias.
            Voltamos à denunciar a exploração ilegal de madeiras, arrendamentos de roças, pastagens e as queimadas sem controle que estão sendo praticadas por não-índios no Território Apinajé. Manifestamos total apoio ao trabalho e às ações dos Brigadistas Indígenas do PREV FOGO/IBAMA que desde julho deste ano estão atuando no Controle e Prevenção do Fogo nesta terra indígena. Porém pedimos a colaboração das pessoas, famílias e comunidades indígenas e não-indígenas para colaborar no sentido de ajudar e apoiar os Brigadistas em suas ações de controle e combate ao fogo.

AS AMEAÇAS DOS GRANDES PROJETOS
Reunião no pátio da aldeia Irepxi. (foto: Antonio Veríssimo. Set. 2014)

          Manifestamos nossa preocupação também com relação a proposta de retomada do projeto da hidrovia Araguaia/Tocantins, das hidrelétricas de Serra Quebrada e Santa Isabel. Denunciamos a intensa pressões política e econômica de empresas no sentido de construir de qualquer jeito e a qualquer custo essas obras que impactam e prejudicam nossa terra. 
          Diante dessa conjuntura extremamente complicada pedimos também ao MPF-AGA providencias no sentido de verificar a legalidade de novos desmatamentos que foram detectados no entorno da Terra Apinajé próximo as aldeias São José, Prata e Cocal Grande. Informamos ainda que não vamos concordar e nem permitir mais desmatamentos e degradações no entorno de nosso território; situação que atinge e prejudicam diretamente nossas comunidades situadas nas divisas próxima BR 230 e TO 210.





Aldeia Patizal, 21 de setembro de 2014

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

SAÚDE INDÍGENA

NOTA DE REPÚDIO DO POVO APINAJÉ CONTRA A PROPOSTA DE CRIAÇÃO DO INSI

Nós caciques e membros dos Conselhos Deliberativos, Fiscal e Consultivo e demais lideranças do Povo Apinajé reunidos na V Assembleia Geral da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, realizada nos dias 19, 20 e 21 de setembro do corrente ano na aldeia Patizal viemos por meio desta nota pública manifestar contra a proposta do MS de criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena INSI, nos seguintes termos:
a)       A Saúde é um Dever do Estado e Direito de Todos;
b)       Nossas comunidades não foram devidamente informadas ou avisadas por nenhum órgão do Governo sobre a proposta de criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena;
c)      A proposta já sendo empurrada de cima para baixo de forma autoritária e sem ampla discussão com os representantes do Movimento Indígena e Indigenista;
d)      Os próprios servidores e a Chefe do Polo Base Indígena de Tocantinópolis (TO) afirmam não conhecer a proposta;
e)      Durante V Assembleia da Associação PEMPXÀ realizada na aldeia Patizal, o presidente do Conselho Local de Saúde Indígena Apinagé-CLOSIAP, José Ribeiro Apinagé afirmou ter sofrido ameaças e obrigado assinar um documento concordando com criação do INSI;
f)       Observamos que a proposta de criação do INSI foi pensada e discutida as escondidas somente por pessoas ligadas ao Ministério da Saúde e alguns membros dos CONDISI; 
g)      Existem muitas perguntas que precisam ser esclarecidas: Quem e como vai ser feito o Controle Social? Como vamos ser representados no Conselho? Por que a proposta não está sendo discutida com as bases?

                           Aldeia Patizal, 21 de setembro de 2014

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

13 de set. de 2014

EDUCAÇÃO

JOVENS APINAJÉ, PARTICIPAM DE CURSO DE INCLUSÃO DIGITAL EM TOCANTINÓPOLIS
O Prof. Lucas P. de Brito Ferros (centro) aplicando disciplinas para os alunos indígenas no Centro de Inclusão Digital em Tocantinópolis. (foto: Iran R. Veríssimo Apinagé. Agosto de 2014)
          Desde inicio de agosto, jovens Apinajé estão frequentando Curso de Inclusão Digital na cidade de Tocantinópolis (TO). No momento 17 adolescentes, sendo 14 homens e 03 mulheres, estão participando das aulas no Centro de Inclusão Digital naquela cidade. O professor Lucas Pereira de Brito Ferros informou que está aplicando as seguintes disciplinas para os alunos (as) indígenas:
  • Introdução ao processamento de dados
  • Sistema Operacional Windows 7 Ultimate
  • Curso de digitação
  • Microsoft OfficeWord 2010
  • Microsoft Office Excel 2010
  • Microsoft Powerpoint 2010
  • Placas de Internet 
Aspecto da sala de aula do Centro de Inclusão Digital. (foto:
Iran R. Veríssimo Apinagé)

       Para frequentar o curso os alunos estão enfrentando muitas dificuldades, por que no período da noite estudam na Escola Estadual Indígena Mãtyk e ou sair da sala de aula se deslocam de carona em ônibus do Transporte Escolar direto pra cidade de Tocantinópolis, onde dormem num espaço cedido por uma religiosa alemã (conhecida como Irmã Rita) e no período da manhã das 09h30min às 10h30min assistem as aulas no Centro de Inclusão Digital.
     Diante desses desafios e dificuldades vividas por esses estudantes, entendemos que os mesmos carecem de mais apoio da Prefeitura Municipal de Tocantinópolis (TO) e da própria FUNAI-Fundação Nacional do Índio, para frequentar as aulas na cidade. O ideal é que o curso fosse ministrado na Escola Estadual Indígena Mãtyk da aldeia São José, onde existe um Laboratório de Informática cujos computadores deveriam servir para a Pesquisa, o Estudo, a Formação e o desenvolvimento dos estudantes. Mas não é bem isso que está acontecendo, há mais de dois anos essas máquinas estão em situação de quase abandono, conectados a uma rede de internet via satélite que também não funciona.
     Nestas circunstancias cobramos esclarecimentos e explicações da Secretaria de Estado da Educação do Tocantins sobre essa situação de abandono e sucateamento do citado Laboratório de Informática da Escola Estadual Indígena Mãtyk da aldeia São José em Tocantinópolis. Desejamos saber por que os computadores não estão funcionando e sendo utilizados pelos alunos desta Unidade Escolar? Por que a internet também não funciona? É inaceitável que em plena Era Digital os alunos (as) de uma Escola Pública fiquem prejudicados em seus Estudos por culpa da negligência e da perversa gestão do patrimônio público.
Antena do GESAC abandonada no Posto de Saúde  da aldeia
São José. (foto: Antônio Veríssimo. agosto de 2014)
            Em 2004, foram instalados no Posto de Saúde da aldeia São José uma antena parabólica e cabos. No local seria implantado o Sistema de Inclusão Digital via satélite conhecido como GESAC que nunca foi concluído, pois os computadores nunca chegaram à aldeia, somente a antena parabólica e os cabos continuam instalados no local, abandonados e enferrujando.  Esses são mais dois casos em que o dinheiro público foi aplicado em equipamentos que foram implantados em aldeia com a meta de não funcionar e nunca beneficiar a comunidade.
        Recomendamos que pelo menos esse Laboratório de Informática da Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José seja recuperado e volte a funcionar possibilitando que os jovens ao concluírem o Curso de Inclusão Digital na cidade de Tocantinópolis (TO) tenham condições de continuar aprofundando e ampliando mais seus conhecimentos na área da informática e, ou mesmo tempo poder acessar a internet para Estudar, Pesquisar e se Informar, sem ter que sair da aldeia pra fazer isso.
          A previsão para conclusão do Curso de Inclusão Digital que está sendo ministrado em Tocantinópolis é até 12 de dezembro do corrente ano.


Tocantinópolis – TO, 13 de setembro de 2014



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

5 de set. de 2014

MOBILIZAÇÃO POPULAR

POVO APINAJÉ PARTICIPA DO PLEBISCITO POPULAR POR UM NOVO SISTEMA POLÍTICO

Plebiscito Popular: Votação na aldeia Palmeiras. (foto: Antônio Veríssimo. Agosto de 2014)

Nesta Semana da Pátria, no período de 01 a 07 de setembro de 2014, está sendo realizado em todo o Brasil o Plebiscito Popular Por Um Novo Sistema Político, trata se um movimento popular que está sendo organizado e realizado pela população brasileira visando mudar as regras do atual sistema político. Durante a votação estamos respondendo a seguinte pergunta: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político”?
Plebiscito Popular: Urna móvel em aldeia do Povo Apinajé. (foto: Antônio Veríssimo. Agosto de 2014)

Todos devemos participar dessa grande mobilização cívica em favor do Brasil. Mais de 300 organizações da sociedade civil estão envolvidas nesse Plebiscito e no último dia de votação, em 07 de setembro, todos estão convocados a ir às ruas participarem do 20º Grito dos Excluídos.

Em nossas aldeias aqui em Tocantinópolis, no Norte do Estado do Tocantins, também estamos mobilizados. Desde dia 01/09 já visitamos 09 aldeias Apinajé com uma urna móvel, que já arrecadou mais de 200 votos. Descontentes e insatisfeito com a política nossa população indígena também está animada participando e votando nesse importante Plebiscito Popular.

Queremos mudar as “Regras do Jogo”, pois a cada dia que passa essa política nos decepciona e nos envergonha, por que está sendo pensada pelos ricos e para os ricos sem nossa participação. Atualmente a grande maioria dos Parlamentares (Senadores e Deputados Federais) que hoje estão no Congresso Nacional não nos representa, por que estão alinhados somente com as grandes empresas e seus interesses econômicos.

Ao invés de demarcar e garantir as terras indígenas, esses políticos ficam inventando lambanças para prejudicar ainda mais nosso sofrido povo. "Cadê o atendimento adequado à Saúde?" "Queremos Saneamento Básico nas Aldeias"!!!.... Esse é o grito da população indígena indignada com esse descaso político. Tá faltando responsabilidade social dos políticos e sobrando paciência de nossa população massacrada e oprimida. Por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Votamos SIM!!! 
    

Tocantinópolis – TO, 05 de setembro de 2014


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ




2 de set. de 2014

ORGANIZAÇÃO APINAJÉ

ASSOCIAÇÃO UNIÃO DAS ALDEIAS APINAJÉ-PEMPXÀ, REALIZARÁ SUA 5ª ASSEMBLEIA GERAL

        Entre os dias 18 a 21 de setembro do corrente ano, será realizado na aldeia Irepxi, nesta terra indígena, a 5ª Assembleia Geral da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ. Estamos aguardando pelo menos 250 participantes, entre Caciques, lideranças, membros dos Conselhos Deliberativo, Consultivo e Fiscal da Associação PEMPXÀ. Estão sendo convidados também as entidades parceiras, os representantes das Organizações da Sociedade Civil, dos órgãos Públicos e os caciques e lideranças dos povos Krahô (TO), Xerente (TO), Krikati (MA), Gavião (MA) e Kayapó (PA).
         Durante os três dias, as questões relacionadas ao Território, a Saúde, a Educação, a Sustentabilidade e o Programa Básico Ambiental, PBA-Timbira estarão na pauta de discussões dos participantes do evento.
     Este será um importante momento de debates e discussões sobre os sérios problemas sociais, ambientais, culturais e políticos que estamos enfrentando, em razão da implantação dos chamados “projetos de desenvolvimento” no entorno e dentro do Território Apinajé. Debateremos a constante pressão de caçadores, pescadores, madeireiros, arrendatários e outros invasores sobre o Território Apinajé.
      Buscaremos analisar a atual conjuntura da política indigenista do governo e as ameaças contra os Direitos Constitucionais dos Povos Indígenas no Brasil, materializadas em propostas como a PEC 215/2000 e a ofensiva dos ruralistas na Câmara e Senado Federal.
    A questão do atendimento à Saúde e a proposta de criação do INSI-Instituto Nacional de Saúde Indígena para substituir a SESAI-Secretaria Especial de saúde Indígena, serão também abordados. Na segunda-feira, dia 21/09, último dia da assembleia será realizado a eleição da nova diretoria para o triênio 2015/2018. O encerramento está previsto para à tarde desse mesmo dia.

Tocantinópolis – TO, 02 de setembro de 2014

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

19 de ago. de 2014

MEIO AMBIENTE

BRIGADA APINAJÉ: COMBATENTES DO FOGO
Brigadistas Indígenas em ações de combate direto ao um foco de incêndio na terra Apinajé. (foto: Adalberto Apinajé. Agosto de 2014)
Brigadistas monitoram via satélite os focos de incêndios.
(foto: Adalberto Apinajé. Agosto de 2014)
Esquadrão durante ações de Monitoramento Territorial.
(foto: Adalberto Apinajé. Agosto de 2014)
           Neste mês de agosto, mais uma vez o Tocantins está sendo seriamente castigado pelo fogo, o Estado está em 3º lugar no ranking de queimadas no Brasil. Este ano já foram detectados mais de 4.600 focos de incêndios em todo o Estado. As Áreas de Preservação Ambiental e as Terras Indígenas, também estão sendo atingidas.
          A BRIF-I Apinajé é uma Brigada Indígena e está localizada no município de Tocantinópolis desde junho de 2014 e tem como meta principal fazer a prevenção e o combate direto aos focos de incêndios na Terra Indígena Apinajé. O trabalho desses combatentes do fogo é perigoso e exaustivo e as ações são realizadas de forma direta ou indireta e estão acontecendo durante o dia e à noite.
          O Chefe da BRIF-I Apinajé, Alexandre Conde, informou que desde 1º de junho deste ano quando a Brigada começou atuar já foram percorridos mais de 1.400 km e combatidos em ação direta 25 focos de incêndios no Território Apinajé, localizado nos municípios de Tocantinópolis, Maurilândia, São Bento do Tocantins e Cachoeirinha, no Norte do Estado do Tocantins.
           Entre junho e agosto de 2014, em comparação com o mesmo período do ano passado, temos verificado expressiva redução das queimadas na Terra Apinajé. Este resultado só está sendo alcançado graças à atuação dos Brigadistas.
Aspecto do Território Apinajé, sem queimadas. (foto:
Antônio Veríssimo. Abril de 2013)

          A Brigada Indígena do PREV FOGO/IBAMA em parceria com a FUNAI-Fundação Nacional do Índio, também atua em atividades de Monitoramento Territorial, visando coibir as atividades ilícitas praticadas por não-índios que invadem a terra Apinajé para roubar caças, madeiras, peixes, frutas e arrendamentos de pastos e roças. Estes invasores e intrusos também são suspeitos e acusados de provocar incêndios na Terra Apinajé.
         É imprescindível que todos se conscientizem dos riscos e perigos das queimadas sem controle. No nível atual o fogo já representa uma grave ameaça à nossa saúde e perigo à nossas aldeias e se não for contido poderá causar danos incalculáveis à fauna e a flora do Território Apinajé. Todos nós, índios e não-índios devemos colaborar e apoiar as ações dos Brigadistas Apinajé, afinal de contas estão lutando pela preservação ambiental, visando garantir um território com florestas, frutas, águas, mamíferos, répteis, aves  e peixes para as presentes e futuras gerações.

Terra Indígena Apinajé, 19 de agosto de 2014



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

5 de ago. de 2014

ORGANIZAÇÃO INDÍGENA

ENCONTRO DE MULHERES APINAJÉ

Mulheres participando de atividades. (foto: Antônio 
Veríssimo. Agosto de 2014)
                  A Pastoral Católica, denominada Conselho Indigenista Missionário-CIMI, por meio do Regional GO/TO, em parceria com as comunidades Apinajé, realizou nos dias 01, 02 e 03 de agosto de 2014, na aldeia Aldeinha, nesta Terra Indígena, O Encontro de Mulheres Apinajé. Ao menos 30 lideranças participaram da reunião, que contou também com as presenças de alguns convidados homens, que juntos debateram sobre os problemas relacionados à saúde, terra e os impactos dos grandes projetos de desenvolvimento econômico nos territórios indígenas.  Na sexta-feira, 01/08/14, no período da noite, durante a abertura do Encontro foi exibido o Documentário: O Veneno Está na Mesa.  
       No dia 02/08/14, sábado, em depoimentos as lideranças falaram sobre as ofensivas e ameaças da bancada ruralista contra nossos Direitos Constitucionais, enfatizando que existem várias Propostas de Emendas à Constituição tramitando na Câmara dos Deputados e Senado Federal, sendo que a mais perversa e conhecida é a PEC 215/2000 que visa desconstruir os Direitos dos Povos Indígenas. A proposta altera os Art. 231 e 232 da Constituição Federal de 88, transferindo do Poder Executivo para o Congresso Nacional os atos de demarcar e regularizar os Territórios Indígenas e Quilombolas.  Se aprovada a PEC 215/2000 irá dificultar e restringir ainda mais nossos direitos a terra, o que consideramos um perigoso retrocesso e uma grave violação dos Direitos Humanos.          
        Os participantes (os) expressaram grande preocupação com os crescentes desmatamentos do Cerrado no entorno do território Apinajé para implantação de carvoarias e o plantio de eucaliptos, todos licenciados de maneira irregular, sem a participação dos Órgãos da Administração Pública Federal e sem prévia consulta à nossas organizações representativas. Mais uma vez as lideranças Apinajé repudiaram com veemência os projetos de construção das hidrelétricas de Serra Quebrada, no rio Tocantins, Santa Isabel no Araguaia e a proposta que sugere a implantação da Hidrovia Araguaia-Tocantins.
        As mulheres reclamaram que estamos cercados por grandes rodovias e a ferrovia Norte-Sul e vivendo em território sob intensa pressão de intrusos; diariamente invadido por madeireiros, pescadores, caçadores, arrendatários e coletores de frutas nativas, mesmo assim, não existe nenhum plano ou ação efetiva da Fundação Nacional do Índio –FUNAI e suas coordenações de Palmas (TO) e Brasília (DF) no sentido de fiscalizar e proteger nosso território e aldeias. Pelo contrário, nos últimos 30 anos seguidos governos e seus projetos desenvolvimentistas estão incentivando ainda mais essas atividades ilícitas.
       Em 03/08/14, as mulheres trataram ainda sobre as deficiências e precariedades do atendimento à saúde, que é responsabilidade da Secretaria Especial da Saúde Indígena-SESAI, através do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins DSEI-TO e denunciaram casos de descuidos, negligências e maus tratos nas dependências do Hospital Municipal José Saboia em Tocantinópolis (TO). As lideranças se queixaram também que não conseguem realizar exames preventivos, situação que consequentemente leva muitos pacientes a ser encaminhados aos hospitais quando já estão em estado grave.

Terra Indígena Apinajé, 05 de agosto de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

29 de jul. de 2014

SAÚDE INDÍGENA

HOSPITAL MUNICIPAL JOSÉ SABÓIA: DESCASO E NEGLIGÊNCIA

Ednaldo C. da Silva Apinagé. (foto: Ana R. da Silva Apinagé. Jun. de 2014)

EM 05/07/14 o recém-nascido Ednaldo Cavalcante da S. Apinajé, de três meses de idade, filho de Ana Rosa da S. Apinajé e Edvaldo Cavalcante Apinajé, moradores na aldeia Divisa, Terra Indígena Apinajé, deu entrada no Hospital Municipal José Saboia, na cidade de Tocantinópolis (TO). A criança estava com febre e apresentava sintomas de pneumonia e ficou hospitalizado por dois dias. Em 07/07/14 o Dr. Carlos M. Tello deu lhe alta e a criança retornou à aldeia.

Na aldeia a criança voltou os mesmos sintomas, sendo novamente levado ao Hospital José Saboia onde foi hospitalizada e, desta vez medicada pela Dra. Luciana Dônola Puppio, médica pediatra daquele hospital e em 11/07/14 recebeu alta. Mas, em casa a criança piorou e no dia 12/07/14 o recém-nascido foi levado novamente ao Hospital Municipal José Saboia, onde permaneceu internado até 14/07/14, já em estado grave o bebê foi removido às pressas para hospital de Araguaína. O pequeno paciente foi a óbito no mesmo dia 14/07/14 a caminho daquela cidade.

O bebê com sua avó. (foto: Ana R. da Silva Apinagé. Jun de 2014)

A mãe da criança, Ana Rosa da S. Apinagé afirmou que sofreu agressões verbais e xingamentos por parte de uma enfermeira do hospital. Os familiares do recém-nascido culpam os médicos de descuido e irresponsabilidade, por que não encaminharam logo o paciente para tratamento em Araguaína. Os parentes da vítima também reclamam que mesmo em estado grave e já tendo sido internado duas vezes no HMJS, o recém-nascido não teve melhora e nem foi encaminhado em tempo hábil para outro hospital.

Em circunstâncias parecidas, no final de 2006 num intervalo de três meses, mais de 20 recém-nascidos desta etnia foram a óbito por falta de atendimento adequado. Ressaltamos que algumas enfermeiras e médicos do HMJS são recorrentes em negligenciar o atendimento aos pacientes indígenas. Por conta disso em 2009, enfermeiras daquele hospital foram acusadas de erro grave em procedimentos na administração de medicamentos, fatos que causaram a morte de duas crianças Apinajé.

Nestes termos, exigimos mais uma vez, do Dr. Jeferson Farias, Diretor do Hospital Municipal José Saboia, explicações imediatas sobre essas denuncias que pesam sobre as enfermeiras e os médicos que atenderam e medicaram o recém-nascido Ednaldo Cavalcante da S. Apinajé. Nesse caso cabe também à senhora Cimei Gomes de Sousa, chefe administrativa do Polo Base Indígena-PBI de Tocantinópolis e as enfermeiras de plantão, esclarecer os fatos que ocorreram durante os dias que a criança ficou internada.


Terra Indígena Apinajé, 29 de julho de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

CULTURA

PÀRKAPÊ: RITUAL SAGRADO DO POVO APINAJÉ

No final do Pàrkapê, homens prontos para corrida com toras grandes. (foto: Iran Veríssimo Apinagé. Jul. de 2014)

Corrida com toras pequenas. (foto: Iran Veríssimo Apinagé. Jul. de 2014)

Entre os dias 01 a 25 de julho do corrente foi celebrado na Terra Indígena Apinajé, no município de Tocantinópolis, Estado do Tocantins, o tradicional Ritual Pàrkapê, ou Tora Grande como é conhecido. Ao menos 300 pessoas vindas de 12 aldeias Apinajé se reuniram na aldeia Boi Morto para realizar a celebração. Algumas famílias do povo Krahô da aldeia Cachoeira, no município de Itacajá, também participaram.

Atualmente o Pàrkapê é uma das principais celebrações do povo Apinajé e é realizada para lembrar as pessoas falecidas. Esse é um ritual que envolve todos os familiares e parentes das pessoas homenageadas, que se reúnem para celebrar essa importante cerimonia de encerramento de luto. Esse ano Pàrkapê foi realizado em homenagem a anciã Júlia Corredor Apinajé, de 96 anos que faleceu ano passado.
Cerimonia de corte de cabelo. (foto: Iran Veríssimo Apinagé. Jul. de 2014)

Nos meses de julho e agosto é a época adequada para realizar essa celebração, no qual festejamos sem a chuva, pois a maior parte das atividades acontece ao ar livre em espaços abertos como o pátio da aldeia, as matas e campos. Esse contato direto com a natureza melhora nossas relações de respeito e coexistência com o meio ambiente.  É momento também de afirmar e fortalecer nossas afinidades e vínculos pessoais, familiares e sociais.

A celebração do Pàrkapê,  tem por finalidade reverenciar os mortos, seja criança, adulto ou ancião. O Pàrkapê é um ritual inspirado por sentimentos e expressões, onde são realizadas corridas de toras, corridas de flechas, cantorias, choros, cortes de cabelo e danças em memória das pessoas falecidas e sempre acontece um ano depois que o individuo morre.
Cantoria e dança. (foto: Iran Veríssimo Apinagé. Jul. de 2014)

Para nós, o Pàrkapê significa também um cerimonial sagrado, cheio de mística e espiritualidade, realizado com muita seriedade, pois as toras da palmeira buriti que são cortadas e utilizadas representam as pessoas homenageadas. Por meio desse ritual nossas relações de convivências sociais reguladas por princípios e sentimentos de amizade, alegria, solidariedade, igualdade, humildade, respeito e amor ao próximo, continuam mesmo depois da morte.

Entendemos que a celebração deste ritual é necessária para manutenção e fortalecimento de nossa cultura. Sendo importante a participação e o envolvimento dos jovens, para que os mesmos possam adquirir os saberes e conhecimentos dessa tradição e assim manter nossa identidade étnica e fortalecer nossos valores culturais.


Terra Indígena Apinajé, 29 de julho de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

10 de jul. de 2014

MEIO AMBIENTE

BRIGADA APINAJÉ: PROVA DE FOGO
Brigadistas Apinajé em atividades na aldeia Barra do Dia, município de Maurilândia. (foto: Antônio Veríssimo. Jul. 2014)

Chefe de Brigada conversa com liderança Apinajé. (foto: Antônio Veríssimo. Jul. 2014)

Período de junho a setembro, esse é o tempo da florada e crescimento dos frutos dos pequizeiros, cajueiros, bacurizeiros e de outras espécies de árvores e palmeiras nativas dessa região. A partir de agora o cerrado e seus habitantes vivem sob a intensa e perigosa ameaça dos incêndios que poderão ocorrer nessa época. De forma cíclica e repetitiva todos os anos milhares hectares de campos, florestas e matas ciliares do território Apinajé, localizado no Norte do Estado do Tocantins vem sendo suprimidos e alterados pelo fogo.

Por meio de convênio firmado entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA e a Fundação Nacional do Índio-FUNAI, no inicio de maio de 2014 foi realizada a seleção, capacitação e contrato de 15 Brigadistas indígenas da etnia Apinajé pelo Centro de Prevenção e Controle aos Incêndios Florestais do IBAMA/Prev-Fogo.
 
Equipados com viaturas 4X4, rádios de comunicação, GPS, máquinas fotográficas e outros equipamentos esses 15 brigadistas indígenas já estão atuando no território Apinajé desde inicio de junho.

Inicialmente a Brigada Indígena está realizando visitas de apresentação nas comunidades com objetivo de conversar com os caciques sobre as atividades que doravante serão desenvolvidas pelos 2 Esquadrões que atuarão simultaneamente nas fronteiras principais da área Apinajé. No momento os Brigadistas também estão desenvolvendo atividades de Monitoramento Territorial, fazendo reconhecimento das regiões críticas e vulneráveis nos limites dos municípios de Tocantinópolis, Maurilândia, São Bento do Tocantins e Cachoeirinha.
Brigadistas em atividades na TO 126. (foto: Antônio Veríssimo. Jul. 2014)

Alexandre Conde, chefe da Brigada Apinajé informou que os caciques e lideranças das aldeias visitadas estão sendo devidamente informados e orientados sobre algumas regras internas que doravante deverão ser observadas e cumpridas por todos. O chefe da Brigada disse também que os caciques e chefes de famílias demostraram considerável disposição de colaborar e apoiar as atividades dos Brigadistas.

Dessa forma alertamos também a toda população das cidades circunvizinhas e moradores do entorno do território Apinajé, que se alguém for flagrado colocando fogo em pastagens, campos e florestas dentro da área indígena, poderá ser detido e encaminhado às autoridades competentes. Os moradores que tem seus lotes nas proximidades da área Apinajé, de agora em diante deverão notificar com antecedência o IBAMA, FUNAI, NATURATINS, os caciques e Chefes de Brigadas, quando forem queimar suas roças e pastagens. 

Terra Indígena Apinajé, 10 de julho de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

PÀRKAPER