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13 de out. de 2014

RELIGIÃO

Atuação de religiosos nas aldeias Apinajé

As manifestações culturais Apinajé estão sofrendo interferências das religiões. (foto: Odair Giraldin. Jul. de 1996)

Em 1818, foi fundado o povoado de Boa Vista do Tocantins, hoje, Tocantinópolis em Território Apinajé. No ano de 1840, inicia se um longo e influente contato dos representantes da Igreja Católica, com os Apinajé, na época instala se no povoado Frei Francisco de Monte Santo Vitor, missionário italiano da Ordem dos Capuchinhos, designado por Dom Pedro II responsável pela catequese dos Apinajé. Quase um século depois, em 1936, alguns Apinajé fizeram parte da “força armada” arregimentada e “usada” pelo Padre João Lima, com a finalidade de se apoderar da Prefeitura de Boa Vista.

Nos anos 60, vieram os primeiros Missionários da SIL-Summer Institute of Linguistics para atuar junto ao povo Apinajé. Nesse período a missionária Norte-Americana, Patrícia Ham, chegou à aldeia São José, onde permaneceu até o ano de 1995 prestando voluntariamente serviços humanitários de atenção à Saúde, Educação, além de ministrar Cursos Bíblicos e fazer a tradução da Bíblia Sagrada para a língua Apinajé. Logo depois, vieram os missionários(as) da MNTB-Missão Novas Tribos do Brasil que continuam atuando até hoje nas aldeias São José e Mariazinha.

Na década de 70, em plena ditadura militar, Dom Tomás Balduíno, o Padre Egydio, Schwade, e outros religiosos fundaram o Conselho Indigenista Missionário – CIMI, entidade vinculada a Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, com a missão de operar em defesa da causa indígena.   A partir dos anos 80 os missionários do CIMI passaram a atuar de forma permanente na formação política, assessoria jurídica, garantia da terra e apoio à cultura Apinajé. Atualmente essa  Entidade da Igreja Católica continua atuando, e apoiando as lutas e a causa dos Povos Indígenas.

Com a proposta de pregar a palavra de Deus, “evangelizar e salvar” os índios, a partir de 1997 intensificou se o movimento de Pastores e Missionários (as) da Igreja Assembleia de Deus de Araguatins, nas aldeias Cocalinho, Buriti Cumprido e Palmeiras. Essas visitas foram interrompidas em 2007, depois do conflito com não-índios que levou a desativação dessas aldeias. Entretanto desde 2013, Pastores da Igreja Batista de Tocantinópolis, passaram a adentrar e visitar semanalmente todos os sábados, as aldeias; Cocal Grande, Aldeinha e Areia Branca, com o mesmo objetivo.
  
CONCLUSÃO

Não temos nada contra as Igrejas, as religiões e/ou crenças. O que questionamos são os métodos usados para impor às comunidades a pratica de cultos estranhos e diferentes, como se o povo Apinajé não tivesse sua própria religião. Recomendamos que, ao entrar nas aldeias, especialmente os missionários (as) das igrejas evangélicas, devem atentar se para a cultura, as crenças, a fé e as tradições da população local. E suas atuações precisam ser reguladas por um diálogo intercultural, ecumênico e respeitoso.

Se a proposta é “resgatar e salvar” os indígenas, o mais correto seria começar logo resgatar e salvar as Vida dos indivíduos indígenas que estão reféns e vítimas do alcoolismo e de outras sequelas sociais. Por que não apoiar também as lutas da comunidade pela melhoria da Saúde, Educação, pela garantia da terra e da qualidade de Vida?

Compreendemos que, defender a Vida das minorias étnicas historicamente oprimidas e massacradas, significa adotar se uma postura verdadeiramente humana, solidária e fundamentada em valores, e princípios cristãos. Nesse sentido, apoiar as lutas individuais e coletivas dos empobrecidos e excluídos pelo Sagrado Direito de Viver, constitui uma atitude racionalmente correta, socialmente necessária e humanamente justa. Esse é um gesto de solidariedade que deve ser seguido por todos os povos, etnias, culturas, religiões e/ou igrejas.



Terra Indígena Apinajé, 13 de outubro de 2014

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

4 de out. de 2014

CULTURA

DOM TOMÁS NO RITUAL DOS ÍNDIOS KRAHÔ
     
Representantes dos Povos Krahô, Apinajé, Xerente e Dom Heriberto,  presentes na Celebração em homenagem à Dom Tomás Balduíno. (foto: CIMI GOTO. Set. 2014)

“Ele está aqui. Eu vi.  Uma pessoa quando morre fica entre nós ele não foi embora. Ele está aqui.  Ele está olhando por nós. São poucos os que ajudam os povos indígenas. Tem que continuar o trabalho, a luta de D. Tomás.”

Gercília Krahô, importante liderança do povo, recebeu, na nova aldeia,  com muito carinho,  parentes e amigos de D. Tomás,  que ela tinha como tio. Para o povo Krahô o tio tem uma relevância tão importante no papel da formação social quanto o pai.

 A homenagem ritual  Amjĩkĩn Pàrcahàc acontece como finalização de luto de um parente e neste caso  seu inesquecível amigo Tomás. Este ritual compreende momentos marcantes de noites acordados embalados pelos cantos no pátio, pinturas corporais, os cortes de cabelos e a corrida com a tora de buriti que simboliza o corpo de D. Tomas.  Esse corpo  pintado e empenado percorre o pátio nos ombros dos indígenas e em seguida  levado a casa de Gercília, onde é envolto em um pano e logo depois despido para que as mulheres possam se despedir através do choro ritual, um lamento profundo de lagrimas e soluços que toca e faz chorar muitos presentes.

“Eu só participo do ritual na igreja de Goiás, se depois puder fazer o ritual dele, em minha aldeia, conforme a nossa  cultura” exigiu Gercília.

O cerrado já se vestia de verde e o rio se tingia de Vermelho para participar desse momento ímpar da memória de um de seus filhos e defensores intransigente e radicalmente comprometido com a diversidade de vida, povos e comunidades originárias deste Brasil central.

Cenário perfeito para um grande e inesquecível acontecimento. Beleza e simplicidade, alegria e lágrimas, gestos profundos de espiritualidade ritual. A celebração da memória de um “kupen”(não indígena) na aldeia é mais do que uma excepcionalidade, é um gesto de reconhecimento da  permanência dentre eles.

PRESENTES E COMPROMISSO
Um dos momentos marcantes do ritual Amjĩkĩn Pàrcahàc foi quando Dom Eugênio, bispo de Goiás entregou à comunidade, através de Gercília umas lembranças de D. Tomás – uma cruz  simbolizando os mártires latino-americanos e uma vistosa estola, que ela imediatamente vestiu. Era mais do que memória. Foi o selado o compromisso da continuidade do trabalho em defesa da vida e dos direitos dos povos indígenas, em especial com os “mehin” (Krahô).

De longe se ouvia a cantoria ritual no centro do pátio da aldeia. Era  o último dia da celebração. Gercília se aproximou de D. Eugênio, e num gesto perdido na noite, carregada de harmonia , revezando silêncios e maravilhoso cantos, tirou o colar que trazia no pescoço e colocou-o no bispo dizendo “Agora você é compadre de D. Tomás”. Umas rápidas palavras e estava selado o compromisso.

D. Eugênio declarou que sempre teve muita admiração por D. Tomás, pelos seus trabalhos, pela sua luta.  Por essa razão estava junto aos Krahô, com o pessoal do Cimi, CPT e outros amigos de D. Tomás. “Simpatizo com a causa indígena e da terra. É preciso defender essa gente e os empobrecidos da terra”. Disse ter achado ótima essa oportunidade de conhecer um pouco mais da cultura indígena.

O MASSACRE CONTINUA
No decorrer dos três dias celebrativos inúmeros depoimentos foram sendo desfilados, todos eles marcados por profunda indignação e revolta, pelas violências, omissões, preconceitos e massacres. Isabel Xerente verberou “ Vão entrar em nossas terras(grandes projetos) para massacrar. Nois vivemos lutando por todos. Tenho essas borduna pra dará na cabeça”.

Vários depoimentos lembraram o avanço do agronegócio, destruindo as matas, poluindo os rios. As monoculturas da soja, do eucalipto, do gado, acaba envenenando  e matando a terra e os animais. Os rios estão secando.

Foi lembrada a brava resistência das comunidades indígenas diante das políticas desenvolvimentistas do atual governo com as rodovias, hidrovias, hidrelétricas, dentre outros. Porém nós indígenas somos a semente e as plantinhas dessa terra. Vamos continuar lutando. Vamos nos unir com os pobres. Vamos lutar unidos.

O povo Krahô, que faz parte da grande nação Timbira, são hoje em torno de 3.200 pessoas  vivendo em 28 aldeias nos municípios de Goiatins e  Itacajá no Tocantins.

Gratidão e alegria. O ritual que marcou o fim do luto de D. Tomás entre os Krahô, também nos traz a certeza de sua presença  e a  continuidade de sua  luta entre nós e      da vitória dos povos originários do país e do continente latino-americano.


Brasília (DF), 01 de outubro de 2014

Cimi GOTO
Egon Heck

1 de out. de 2014

ELEIÇÕES 2014

MPE-TO, TRE-TO, JUSTIÇA ELEITORAL E FUNAI SE REÚNEM COM POVO APINAJÉ
Eleições 2014: A Democracia  nutre nosso espirito de patriotismo e amor pelo Brasil. (foto: Antônio Veríssimo. agosto de 2014)
Uma ação conjunta do TRE, MPE-TO, FUNAI, Polícia Federal, Polícia Militar, Justiça Eleitoral e Juiz de Direito da Comarca de Tocantinópolis, reuniu na noite de 30 de setembro do corrente ano na Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José neste município, os caciques e lideranças Apinajé para esclarecer sobre as regras do Processo Eleitoral e as eleições 2014. A reunião contou também com as presenças do diretor, do supervisor, alunos e professores indígenas e não-indígenas daquela Unidade Escolar.

Dr. Álvaro Lutufo Manzano chefe titular do Ministério Público Eleitoral-MPE no Estado do Tocantins, informou tratar se de reunião especifica para esclarecer sobre o processo eleitoral e que sua função é acompanhar e fiscalizar para que a Eleição 2014 aconteça de forma organizada, pacífica e tranquila também nas aldeias indígenas.

Sobre a segurança das Eleições 2014, o Desembargador e vice presidente/Corregedoria Regional Eleitoral, Dr. Marcos Vilas Boas, garantiu que não vê problemas nas terras indígenas que justifiquem a mobilização de tropas do Exercito Brasileiro para garantir a segurança das eleições deste ano.

O Juiz Eleitoral de Tocantinópolis Dr. Arióstenis Guimarães Vieira, falou em abertura, aproximação e diálogo com a comunidade indígena Apinajé. Afirmou que a Justiça Eleitoral atua para garantir a efetivação dos direitos de todos os cidadãos brasileiros, inclusive dos cidadãos indígenas, que já são partícipes da vida política do Brasil. Alertou sobre as regras e normas em vigor durante o período da votação, inclusive sobre a proibição da venda e consumo de bebidas alcóolicas nos dias 04 e 05/10, próximo sábado e domingo.

Já o Meritíssimo Juiz de Direito Dr. Erivelton Cabral silva da Comarca de Tocantinópolis, ressaltou que as tropas do Exercito Brasileiro não serão mobilizadas para segurança das Eleições 2014, entretanto o MPE, a Justiça Eleitoral, a Polícia Federal e a Polícia Militar estarão atuando com finalidade de garantir a realização uma Eleição tranquila e sem tumultos. Disse que tem interesse em dialogar com a comunidade Apinajé também para discutir outros assuntos inerentes aos direitos individuais, coletivos e a dignidade dos indígenas Apinajé.



Terra Indígena Apinajé 01 de outubro de 2014


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

26 de set. de 2014

MEIO AMBIENTE

DESMATAMENTO IRREGULAR AMEAÇA NASCENTES DE ÁGUAS DA TERRA APINAJÉ
Desmatamento irregular na fazenda Góes, entorno da Terra Apinajé, no município de Tocantinópolis (TO). (foto: Antônio Veríssimo. Set. 2014)

Desmatamentos no entorno da Terra Apinajé, comprometem
nascentes de águas. (foto: Antonio Veríssimo. Set. 2014)
       Movido por interesses econômico e influenciado por teses políticas o Instituto Natureza do Tocantins-NATURATINS mais uma vez ignorou as leis e extrapolou sua própria competência emitindo licenças para desmatar o entorno da Terra Indígena Apinajé, sem informar e/ou notificar a Fundação Nacional do Índio-FUNAI e o Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA. A Licença Ambiental para desmatar foi expedida em favor de Eloísio Flávio Andrade proprietário da Fazenda Góes,  localizada próxima (vizinha)  a Terra Indígena Apinajé  no município de Tocantinópolis, no Norte do Estado do Tocantins.
           A Constituição Federal em seu Art. 225 diz: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para às presentes e futuras gerações.
        § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:
I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;
II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;
III –definir em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem protegidos, sendo a alteração e supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
IV - exigir na forma da lei, para instalação de obra ou atividades potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade;
V – controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem riscos para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para preservação ambiental;
VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em riscos sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
Nascentes de ribeirões da Terra Apinajé, ameaçadas pelos
desmatamentos e plantações de eucaliptos. (foto: Edmar 
Xavito Apinagé. Out. 2013)
    Nos Termos da Constituição Federal do Brasil, o Instituto Natureza do Tocantins-NATURATINS postergou e infringiu a Lei autorizando empreendimentos potencialmente impactantes com efeitos diretos sobre o Território e a vida da população Apinajé. O desmatamento também está sendo implantado de forma irregular sem os devidos Estudos de Impacto Ambiental-EIA e consultas à comunidade Indígena.
       Advertimos que a fauna, a flora e as nascentes dos ribeirões que banham as aldeias São José, Cocal Grande e Prata estão seriamente comprometidos por esse desmatamento que está sendo levado a diante com uso de tratores e correntes. A população indígena teme a poluição do ar, das águas e do solo, pelo uso do veneno e/ou produtos tóxicos usados nas plantações de eucaliptos, soja e outros. Podendo ocorrer também assoreamentos de córregos, diminuição das águas e seca total das nascentes desmatadas.
         Diante desse flagrante de crime e violação de nosso direito ambiental requeremos da FUNAI/CTL de Tocantinópolis, FUNAI/CR de Palmas (TO), CGLIC/BSB, MPF-AGA e IBAMA, providências imediatas para interditar esses desmatamentos ilegais, bem como a punição na forma da lei, das pessoas e/ou empresas responsáveis por esses crimes ambientais.


Terra Indígena Apinajé, 26 de setembro de 2014



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

23 de set. de 2014

ORGANIZAÇÃO

DOCUMENTO FINAL DA V ASSEMBLEIA GERAL DA ASSOCIAÇÃO UNIÃO DAS ALDEIAS APINAJÉ
Aldeia Patizal: Caciques e lideranças na plenária da V Assembleia  Geral da PEMPXÀ. (foto: Antônio Veríssimo. Set. 2014)
José Ribeiro Apinagé; presidente do CLOSIAP. (foto: Odair
Geraldin/UFT. Set. 2014)


           No período de 18 a 21 de setembro do corrente ano realizamos na aldeia Patizal, Terra Indígena Apinajé, no município de Tocantinópolis, Estado do Tocantins, a V Assembleia Geral da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ com as presenças e participação dos caciques, lideranças, membros dos Conselhos Deliberativo, Fiscal e Consultivo da organização Apinajé. Ao menos 80 lideranças vindas de 26 aldeias participaram do evento.
         Tivemos também a participação de convidados representantes da FUNAI/CR de Palmas (TO), FUNAI/CGID Brasília (DF), da SESAI/PBI de Tocantinópolis (TO) e da Universidade Federal do Tocantins-UFT de Porto Nacional e Palmas (TO) e da Fundação Cultural do Tocantins. A Pastoral Indigenista CIMI, o Centro de Trabalho Indigenista-CTI e a Cáritas Diocesana de Tocantinópolis (TO) também enviaram representantes.
         Dia 19/09, com os representantes do CIMI GO/TO, debatemos e analisamos as propostas de criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena-INSI. As lideranças repudiaram a forma como essa proposta foi elaborada, sem transparência e a total falta de diálogo com as comunidades. O presidente do Conselho de Saúde Indígena Apinajé-CLOSIAP, José Ribeiro Apinajé afirmou que foi ameaçado e coagido a assinar um documento concordando com a criação do INSI.
Cantorias na Aldeia Irepxi. (foto: Odair Geraldin. Set. 2014)
    Em 20/09, com os representantes da FUNAI/CGID de Brasília, FUNAI/CR de Palmas e Tocantinópolis,  (TO) na ocasião cobramos providencias para impedir o avanço dos desmatamentos e do plantio de eucaliptos no entorno (divisa Oeste) da Terra Apinajé nos municípios de Tocantinópolis e Nazaré no Norte do Estado do Tocantins. Avaliamos como grave o avanço desenfreado dessas atividades ilegais nas proximidades da área Apinajé, ameaçando as nascentes dos ribeirões e cabeceiras que banham as aldeias.
            Voltamos à denunciar a exploração ilegal de madeiras, arrendamentos de roças, pastagens e as queimadas sem controle que estão sendo praticadas por não-índios no Território Apinajé. Manifestamos total apoio ao trabalho e às ações dos Brigadistas Indígenas do PREV FOGO/IBAMA que desde julho deste ano estão atuando no Controle e Prevenção do Fogo nesta terra indígena. Porém pedimos a colaboração das pessoas, famílias e comunidades indígenas e não-indígenas para colaborar no sentido de ajudar e apoiar os Brigadistas em suas ações de controle e combate ao fogo.

AS AMEAÇAS DOS GRANDES PROJETOS
Reunião no pátio da aldeia Irepxi. (foto: Antonio Veríssimo. Set. 2014)

          Manifestamos nossa preocupação também com relação a proposta de retomada do projeto da hidrovia Araguaia/Tocantins, das hidrelétricas de Serra Quebrada e Santa Isabel. Denunciamos a intensa pressões política e econômica de empresas no sentido de construir de qualquer jeito e a qualquer custo essas obras que impactam e prejudicam nossa terra. 
          Diante dessa conjuntura extremamente complicada pedimos também ao MPF-AGA providencias no sentido de verificar a legalidade de novos desmatamentos que foram detectados no entorno da Terra Apinajé próximo as aldeias São José, Prata e Cocal Grande. Informamos ainda que não vamos concordar e nem permitir mais desmatamentos e degradações no entorno de nosso território; situação que atinge e prejudicam diretamente nossas comunidades situadas nas divisas próxima BR 230 e TO 210.





Aldeia Patizal, 21 de setembro de 2014

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

SAÚDE INDÍGENA

NOTA DE REPÚDIO DO POVO APINAJÉ CONTRA A PROPOSTA DE CRIAÇÃO DO INSI

Nós caciques e membros dos Conselhos Deliberativos, Fiscal e Consultivo e demais lideranças do Povo Apinajé reunidos na V Assembleia Geral da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, realizada nos dias 19, 20 e 21 de setembro do corrente ano na aldeia Patizal viemos por meio desta nota pública manifestar contra a proposta do MS de criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena INSI, nos seguintes termos:
a)       A Saúde é um Dever do Estado e Direito de Todos;
b)       Nossas comunidades não foram devidamente informadas ou avisadas por nenhum órgão do Governo sobre a proposta de criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena;
c)      A proposta já sendo empurrada de cima para baixo de forma autoritária e sem ampla discussão com os representantes do Movimento Indígena e Indigenista;
d)      Os próprios servidores e a Chefe do Polo Base Indígena de Tocantinópolis (TO) afirmam não conhecer a proposta;
e)      Durante V Assembleia da Associação PEMPXÀ realizada na aldeia Patizal, o presidente do Conselho Local de Saúde Indígena Apinagé-CLOSIAP, José Ribeiro Apinagé afirmou ter sofrido ameaças e obrigado assinar um documento concordando com criação do INSI;
f)       Observamos que a proposta de criação do INSI foi pensada e discutida as escondidas somente por pessoas ligadas ao Ministério da Saúde e alguns membros dos CONDISI; 
g)      Existem muitas perguntas que precisam ser esclarecidas: Quem e como vai ser feito o Controle Social? Como vamos ser representados no Conselho? Por que a proposta não está sendo discutida com as bases?

                           Aldeia Patizal, 21 de setembro de 2014

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

13 de set. de 2014

EDUCAÇÃO

JOVENS APINAJÉ, PARTICIPAM DE CURSO DE INCLUSÃO DIGITAL EM TOCANTINÓPOLIS
O Prof. Lucas P. de Brito Ferros (centro) aplicando disciplinas para os alunos indígenas no Centro de Inclusão Digital em Tocantinópolis. (foto: Iran R. Veríssimo Apinagé. Agosto de 2014)
          Desde inicio de agosto, jovens Apinajé estão frequentando Curso de Inclusão Digital na cidade de Tocantinópolis (TO). No momento 17 adolescentes, sendo 14 homens e 03 mulheres, estão participando das aulas no Centro de Inclusão Digital naquela cidade. O professor Lucas Pereira de Brito Ferros informou que está aplicando as seguintes disciplinas para os alunos (as) indígenas:
  • Introdução ao processamento de dados
  • Sistema Operacional Windows 7 Ultimate
  • Curso de digitação
  • Microsoft OfficeWord 2010
  • Microsoft Office Excel 2010
  • Microsoft Powerpoint 2010
  • Placas de Internet 
Aspecto da sala de aula do Centro de Inclusão Digital. (foto:
Iran R. Veríssimo Apinagé)

       Para frequentar o curso os alunos estão enfrentando muitas dificuldades, por que no período da noite estudam na Escola Estadual Indígena Mãtyk e ou sair da sala de aula se deslocam de carona em ônibus do Transporte Escolar direto pra cidade de Tocantinópolis, onde dormem num espaço cedido por uma religiosa alemã (conhecida como Irmã Rita) e no período da manhã das 09h30min às 10h30min assistem as aulas no Centro de Inclusão Digital.
     Diante desses desafios e dificuldades vividas por esses estudantes, entendemos que os mesmos carecem de mais apoio da Prefeitura Municipal de Tocantinópolis (TO) e da própria FUNAI-Fundação Nacional do Índio, para frequentar as aulas na cidade. O ideal é que o curso fosse ministrado na Escola Estadual Indígena Mãtyk da aldeia São José, onde existe um Laboratório de Informática cujos computadores deveriam servir para a Pesquisa, o Estudo, a Formação e o desenvolvimento dos estudantes. Mas não é bem isso que está acontecendo, há mais de dois anos essas máquinas estão em situação de quase abandono, conectados a uma rede de internet via satélite que também não funciona.
     Nestas circunstancias cobramos esclarecimentos e explicações da Secretaria de Estado da Educação do Tocantins sobre essa situação de abandono e sucateamento do citado Laboratório de Informática da Escola Estadual Indígena Mãtyk da aldeia São José em Tocantinópolis. Desejamos saber por que os computadores não estão funcionando e sendo utilizados pelos alunos desta Unidade Escolar? Por que a internet também não funciona? É inaceitável que em plena Era Digital os alunos (as) de uma Escola Pública fiquem prejudicados em seus Estudos por culpa da negligência e da perversa gestão do patrimônio público.
Antena do GESAC abandonada no Posto de Saúde  da aldeia
São José. (foto: Antônio Veríssimo. agosto de 2014)
            Em 2004, foram instalados no Posto de Saúde da aldeia São José uma antena parabólica e cabos. No local seria implantado o Sistema de Inclusão Digital via satélite conhecido como GESAC que nunca foi concluído, pois os computadores nunca chegaram à aldeia, somente a antena parabólica e os cabos continuam instalados no local, abandonados e enferrujando.  Esses são mais dois casos em que o dinheiro público foi aplicado em equipamentos que foram implantados em aldeia com a meta de não funcionar e nunca beneficiar a comunidade.
        Recomendamos que pelo menos esse Laboratório de Informática da Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José seja recuperado e volte a funcionar possibilitando que os jovens ao concluírem o Curso de Inclusão Digital na cidade de Tocantinópolis (TO) tenham condições de continuar aprofundando e ampliando mais seus conhecimentos na área da informática e, ou mesmo tempo poder acessar a internet para Estudar, Pesquisar e se Informar, sem ter que sair da aldeia pra fazer isso.
          A previsão para conclusão do Curso de Inclusão Digital que está sendo ministrado em Tocantinópolis é até 12 de dezembro do corrente ano.


Tocantinópolis – TO, 13 de setembro de 2014



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

5 de set. de 2014

MOBILIZAÇÃO POPULAR

POVO APINAJÉ PARTICIPA DO PLEBISCITO POPULAR POR UM NOVO SISTEMA POLÍTICO

Plebiscito Popular: Votação na aldeia Palmeiras. (foto: Antônio Veríssimo. Agosto de 2014)

Nesta Semana da Pátria, no período de 01 a 07 de setembro de 2014, está sendo realizado em todo o Brasil o Plebiscito Popular Por Um Novo Sistema Político, trata se um movimento popular que está sendo organizado e realizado pela população brasileira visando mudar as regras do atual sistema político. Durante a votação estamos respondendo a seguinte pergunta: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político”?
Plebiscito Popular: Urna móvel em aldeia do Povo Apinajé. (foto: Antônio Veríssimo. Agosto de 2014)

Todos devemos participar dessa grande mobilização cívica em favor do Brasil. Mais de 300 organizações da sociedade civil estão envolvidas nesse Plebiscito e no último dia de votação, em 07 de setembro, todos estão convocados a ir às ruas participarem do 20º Grito dos Excluídos.

Em nossas aldeias aqui em Tocantinópolis, no Norte do Estado do Tocantins, também estamos mobilizados. Desde dia 01/09 já visitamos 09 aldeias Apinajé com uma urna móvel, que já arrecadou mais de 200 votos. Descontentes e insatisfeito com a política nossa população indígena também está animada participando e votando nesse importante Plebiscito Popular.

Queremos mudar as “Regras do Jogo”, pois a cada dia que passa essa política nos decepciona e nos envergonha, por que está sendo pensada pelos ricos e para os ricos sem nossa participação. Atualmente a grande maioria dos Parlamentares (Senadores e Deputados Federais) que hoje estão no Congresso Nacional não nos representa, por que estão alinhados somente com as grandes empresas e seus interesses econômicos.

Ao invés de demarcar e garantir as terras indígenas, esses políticos ficam inventando lambanças para prejudicar ainda mais nosso sofrido povo. "Cadê o atendimento adequado à Saúde?" "Queremos Saneamento Básico nas Aldeias"!!!.... Esse é o grito da população indígena indignada com esse descaso político. Tá faltando responsabilidade social dos políticos e sobrando paciência de nossa população massacrada e oprimida. Por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Votamos SIM!!! 
    

Tocantinópolis – TO, 05 de setembro de 2014


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ




2 de set. de 2014

ORGANIZAÇÃO APINAJÉ

ASSOCIAÇÃO UNIÃO DAS ALDEIAS APINAJÉ-PEMPXÀ, REALIZARÁ SUA 5ª ASSEMBLEIA GERAL

        Entre os dias 18 a 21 de setembro do corrente ano, será realizado na aldeia Irepxi, nesta terra indígena, a 5ª Assembleia Geral da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ. Estamos aguardando pelo menos 250 participantes, entre Caciques, lideranças, membros dos Conselhos Deliberativo, Consultivo e Fiscal da Associação PEMPXÀ. Estão sendo convidados também as entidades parceiras, os representantes das Organizações da Sociedade Civil, dos órgãos Públicos e os caciques e lideranças dos povos Krahô (TO), Xerente (TO), Krikati (MA), Gavião (MA) e Kayapó (PA).
         Durante os três dias, as questões relacionadas ao Território, a Saúde, a Educação, a Sustentabilidade e o Programa Básico Ambiental, PBA-Timbira estarão na pauta de discussões dos participantes do evento.
     Este será um importante momento de debates e discussões sobre os sérios problemas sociais, ambientais, culturais e políticos que estamos enfrentando, em razão da implantação dos chamados “projetos de desenvolvimento” no entorno e dentro do Território Apinajé. Debateremos a constante pressão de caçadores, pescadores, madeireiros, arrendatários e outros invasores sobre o Território Apinajé.
      Buscaremos analisar a atual conjuntura da política indigenista do governo e as ameaças contra os Direitos Constitucionais dos Povos Indígenas no Brasil, materializadas em propostas como a PEC 215/2000 e a ofensiva dos ruralistas na Câmara e Senado Federal.
    A questão do atendimento à Saúde e a proposta de criação do INSI-Instituto Nacional de Saúde Indígena para substituir a SESAI-Secretaria Especial de saúde Indígena, serão também abordados. Na segunda-feira, dia 21/09, último dia da assembleia será realizado a eleição da nova diretoria para o triênio 2015/2018. O encerramento está previsto para à tarde desse mesmo dia.

Tocantinópolis – TO, 02 de setembro de 2014

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

19 de ago. de 2014

MEIO AMBIENTE

BRIGADA APINAJÉ: COMBATENTES DO FOGO
Brigadistas Indígenas em ações de combate direto ao um foco de incêndio na terra Apinajé. (foto: Adalberto Apinajé. Agosto de 2014)
Brigadistas monitoram via satélite os focos de incêndios.
(foto: Adalberto Apinajé. Agosto de 2014)
Esquadrão durante ações de Monitoramento Territorial.
(foto: Adalberto Apinajé. Agosto de 2014)
           Neste mês de agosto, mais uma vez o Tocantins está sendo seriamente castigado pelo fogo, o Estado está em 3º lugar no ranking de queimadas no Brasil. Este ano já foram detectados mais de 4.600 focos de incêndios em todo o Estado. As Áreas de Preservação Ambiental e as Terras Indígenas, também estão sendo atingidas.
          A BRIF-I Apinajé é uma Brigada Indígena e está localizada no município de Tocantinópolis desde junho de 2014 e tem como meta principal fazer a prevenção e o combate direto aos focos de incêndios na Terra Indígena Apinajé. O trabalho desses combatentes do fogo é perigoso e exaustivo e as ações são realizadas de forma direta ou indireta e estão acontecendo durante o dia e à noite.
          O Chefe da BRIF-I Apinajé, Alexandre Conde, informou que desde 1º de junho deste ano quando a Brigada começou atuar já foram percorridos mais de 1.400 km e combatidos em ação direta 25 focos de incêndios no Território Apinajé, localizado nos municípios de Tocantinópolis, Maurilândia, São Bento do Tocantins e Cachoeirinha, no Norte do Estado do Tocantins.
           Entre junho e agosto de 2014, em comparação com o mesmo período do ano passado, temos verificado expressiva redução das queimadas na Terra Apinajé. Este resultado só está sendo alcançado graças à atuação dos Brigadistas.
Aspecto do Território Apinajé, sem queimadas. (foto:
Antônio Veríssimo. Abril de 2013)

          A Brigada Indígena do PREV FOGO/IBAMA em parceria com a FUNAI-Fundação Nacional do Índio, também atua em atividades de Monitoramento Territorial, visando coibir as atividades ilícitas praticadas por não-índios que invadem a terra Apinajé para roubar caças, madeiras, peixes, frutas e arrendamentos de pastos e roças. Estes invasores e intrusos também são suspeitos e acusados de provocar incêndios na Terra Apinajé.
         É imprescindível que todos se conscientizem dos riscos e perigos das queimadas sem controle. No nível atual o fogo já representa uma grave ameaça à nossa saúde e perigo à nossas aldeias e se não for contido poderá causar danos incalculáveis à fauna e a flora do Território Apinajé. Todos nós, índios e não-índios devemos colaborar e apoiar as ações dos Brigadistas Apinajé, afinal de contas estão lutando pela preservação ambiental, visando garantir um território com florestas, frutas, águas, mamíferos, répteis, aves  e peixes para as presentes e futuras gerações.

Terra Indígena Apinajé, 19 de agosto de 2014



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

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