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2 de mai. de 2016

Em 30 dias, violência contra indígenas mais do que dobra em relação ao mesmo período de 2015

Inserido por: Administrador em 28/04/2016.
Fonte da notícia: Por Renato Santana, Assessoria de Comunicação – Cimi (1)
Enquanto a agenda política dos Três Poderes da República segue voltada para o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a todo custo, a guerra de baixa intensidade travada contra os povos indígenas faz cada vez mais vítimas. Nos últimos 30 dias, foram cinco assassinatos, cinco prisões, dois atentados e ao menos quatro ataques de pistoleiros a terras indígenas do Mato Grosso do Sul, além de despejos e tentativas de reintegrações de posse pela Polícia Federal no estado e na Bahia. Os dados demonstram uma escalada da violência e criminalização contra lideranças indígenas.
Conforme dados prévios do Relatório de Violências Contra os Povos Indígenas 2015 (2), a ser publicado nos próximos meses pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entre 28 de março e 28 de abril de 2015 foram cinco casos ante 12 episódios de violências e criminalizações contra lideranças e aldeias indígenas no mesmo período deste ano. Durante o ano passado não ocorreram prisões no período recortado; ataques a aldeias e reintegrações de posse não constam no recorte de 2015. O conflito territorial e as dificuldades do direito à terra pelas comunidades indígenas país afora estão entre as causas dos assassinatos, atentados, prisões. Na foto, indígenas Guarani e Kaiowá vão ao Ministério da Justiça, em Brasília, reivindicar a demarcação de suas terras. 
       
A crescente instabilidade política do país, motivada pela tentativa de deposição da presidente Dilma Rousseff, deixando o Estado ainda mais desatento e inoperante, pode apresentar efeitos ainda mais devastadores na situação dos povos indígenas. Há poucos dias, a bancada ruralista da Câmara Federal esteve no Jaburu, em Brasília, residência do vice-presidente, para exigir medidas a Michel Temer, articulador e fiador do processo de impeachment. Se Dilma Rousseff for afastada pelo Senado, Temer assume a Presidência.     
Sairá caro aos povos indígenas as dívidas do vice-presidente com a bancada ruralista, apoiadora entusiasta do impeachment. Um dos pedidos dos parlamentares do agronegócio é a presença do Exército em áreas onde haja demanda territorial indígena. A proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a demarcação de terras, também foi pautada no encontro, e deverá ganhar ares de solução aos conflitos territoriais.
Nesta quarta-feira, 27, um novo encontro ocorreu entre a bancada ruralista e o vice-presidente. Temer sinalizou aos parlamentares, que se prenunciaram à imprensa após a reunião, que poderá rever as cerca de 30 portarias declaratórias publicadas recentemente pelo governo federal. A bancada ruralista, conforme os deputados, deseja indicar o ministro da Agricultura, além de órgãos ligados à pasta, como o Incra. Querem também indicar o presidente da Funai - pediram a Temer que "tire a ideologia desses órgãos".
Esse período de terror e sangue teve como marco inicial o espancamento sofrido pelo estudante de Medicina Veterinária Nerlei Fidelis Kaingang, no final do mês de março, em frente ao alojamento estudantil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Quatro rapazes agrediram o estudante Kaingang com ofensas racistas e preconceituosas; na sequência, os rapazes passaram a espancá-lo com socos, chutes depois de levar o indígena ao chão – os agressores foram identificados e respondem a processo judicial. No Mato Grosso do Sul, desde janeiro, pistoleiros atacaram os tekoha – lugar onde se é - do Guaivyry, Tey’i Juçu (onde o ataque se deu com componentes químicos), Taquara e Kurusu Ambá.  
Prisões   
Rosivaldo Ferreira da Silva, o cacique Babau Tupinambá, e o irmão, José Aelson Jesus da Silva, o Teity Tupinambá, foram presos no final da manhã do dia 7 de abril pela Polícia Militar (PM) da Bahia no município de Olivença, depois de reintegração da aldeia Gravatá. Na foto, as cápsulas recolhidas pelos indígenas após o despejo. Encaminhados à sede da Polícia Federal de Ilhéus, tiveram as prisões preventivas decretadas pelo juiz Federal Lincoln Pinheiro da Costa, que depois foram convertidas em domiciliares.    
Cacique Babau e seu irmão são acusados de porte ilegal de armas, desobediência de decisão judicial, desacato e agressão. A trama envolvendo a prisão de cacique Babau e Teity se relaciona diretamente com a demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, cuja publicação aguarda a vontade política do governo federal desde 2012. A aldeia Gravatá, cenário do desenlace da criminalização, é uma das áreas exaustivamente exploradas por mineradoras da região de Ilhéus.
Os Tupinambá inúmeras vezes alertaram o governo brasileiro para o crime ambiental em curso, e avisaram que não tolerariam a continuidade da retirada de toneladas de areia da terra indígena. Razão essa que motivou a decisão dos indígenas pela retomada da área degradada pelas mineradoras, a aldeia Gravatá, reintegrada por decisão do mesmo juiz Lincoln no dia 6 de abril, que ainda mandou a PM escoltar os caminhões das mineradoras que retiram areia da terra indígena.
“Tivemos reuniões em Brasília onde sempre frisamos que apenas a demarcação pode colocar um fim a esses conflitos, e os Tupinambá acabam sempre criminalizados, ameaçados de morte e assassinados”, declarou Ramon Tupinambá à Victoria Tauli-Corpuz, durante a visita da relatora da ONU para direitos indígenas à terra Tupinambá de Olivença no final de março deste ano. Poucos dias depois da prisão das lideranças Tupinambá, uma decisão judicial passou a impedir que a portaria declaratória da Terra Indígena Tupinambá de Olivença seja publicada pelo Ministério da Justiça.
Imputar crimes é uma estratégia clássica para criminalizar lideranças. No Mato Grosso, Dodoway Enawenê-Nawê, liderança do povo, foi preso no final da última semana acusado pela morte de dois rapazes em Juína, cujos corpos foram encontrados nos limites da Terra Indígena Enawenê-Nawê. Não há provas de que os indígenas, ou Dodoway, tenham cometido os crimes. Dodoway está preso em uma cadeia pública, sob o risco de sofrer violências de outros presos, enquanto o Estatuto do Índio permite que essas detenções, quando necessárias, possam ocorrer em sedes da Fundação Nacional do Índio (Funai).
No Paraná, o cacique Cláudio Kaingang se encontra na penitenciária de Guarapoava desde o dia 3 de abril. Por conta de conflitos envolvendo a Terra Indígena Boa Vista, o cacique é acusado de lesão corporal, cárcere privado, furto, dano ao patrimônio público e privado, posse ilegal de arma de fogo e tentativa de homicídio. As acusações são feitas por não-indígenas que acossam a terra indígena. Sem averiguar a situação de conflito, e o contraditório, cacique Cláudio teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal.
Assassinatos     
Entre os dias 26 de março e 22 de abril, os indígenas Aponuyre, Genésio, Isaías e Assis Guajajara (na foto, à frente), todos da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, foram assassinados. Com pouca fiscalização e sem sinal de investigação dos culpados, os indígenas Guajajara que vivem na área – já demarcada e habitada também por índios Awá isolados – sofrem com a constante pressão de madeireiros e temem por sua segurança.
Os assassinatos de indígenas do povo Guajajara – autodenominados Tentehar – têm se sucedido rapidamente e de forma impune na TI Arariboia, e vêm ocorrendo tanto dentro do território de usufruto exclusivo dos indígenas quanto no município mais próximo da área, Amarante do Maranhão (MA), bastante frequentado pelos índios que buscam itens no comércio local ou atendimento em serviços básicos.
No dia 26 de março, o indígena Aponuyre Guajajara, de apenas 16 anos e natural da aldeia Arariboia, uma das mais de cem aldeias do povo Tentehar/Guajajara que compõem a Terra Indígena Arariboia, foi assassinado a tiros no município de Amarante do Maranhão.
Na madrugada do dia 11 de abril, Genésio Guajajara, de 30 anos, habitante da aldeia Formosa,também foi assassinado na zona urbana de Amarante do Maranhão com pauladas e um tiro no tórax. Ele estava na cidade para receber a cesta básica distribuída pela Fundação Nacional do Índio (Funai).
No dia 19 de abril, Isaías Guajajara, de 32 anos, da aldeia Bacabal, foi assassinado a facadas, também no município de Amarante do Maranhão. Poucos dias depois, em 22 de abril, o indígena Assis Guajajara, de 43 anos e morador da aldeia Nova Viana, foi morto a pauladas no interior da própria Terra Indígena Arariboia.
Atentados
Ailson dos Santos Truká (na foto) segue internado em estado estável no Hospital Regional de Caruaru, município do agreste de Pernambuco, depois de sofrer atentado a mão armada no último dia 16 de abril. Yssô Truká, como é conhecido, foi atingido por três disparos e um dos projeteis se alojou na região pélvica – o indígena aguarda se a melhor solução será a retirada da bala por um procedimento cirúrgico ou se o corpo conseguirá conviver com ela. Yssô está no hospital sob proteção de escolta da Polícia Federal. 
O atentado aconteceu por volta das 5 horas da manhã na frente de uma casa mantida por estudantes indígenas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Caruaru. Com outros indígenas Truká, incluindo um de seus filhos, Yssô arrumava bagagens no veículo que os levaria de volta para a aldeia, localizada no município de Cabrobó, quando dois pistoleiros em uma moto abordaram a liderança indígena efetuando os disparos. Yssô buscou se proteger; de quatro tiros desferidos contra o indígena, três o acertaram.
A câmera de vigilância de uma casa vizinha registrou toda a ação. Antes do ataque, os pistoleiros passaram de moto para reconhecer Yssô. Na sequência retornaram e então fizeram os disparos. O filho da liderança indígena interveio, gritando aos homens não identificados: “Vocês mataram meu pai! Assassinos!”. Com isso, os pistoleiros acreditaram que de fato tinham conseguido executar Yssô e fugiram – abortando novos disparos, na medida em que fizeram a movimentação de voltar para concluir o crime.
No Maranhão, um outro atentado terminou em morte. Na noite do dia 21 de abril, o indígena Joel Gavião Krenyê, liderança do povo Phycop (Gavião), da Terra Indígena Governador, acabou morrendo depois de um suposto acidente, onde apenas o veículo em que o indígena estava permaneceu no local. Embora a justificativa oficial para a morte seja a de que Joel se envolveu em um acidente automobilístico no caminho entre o município de Amarante do Maranhão e a TI Governador, a perícia ainda não foi realizada e os indígenas defendem que se trata de um atentado contra Joel.
Reintegrações de posse
Trata-se de um verdadeiro festival de reintegrações de posse contra aldeias em terras indígenas. Mesmo quando suspensas, a ameaça do despejo desespera as aldeias e causa instabilidade na vida escolar das crianças. Embora o governo federal tenha reconhecido como tradicional a Terra Indígena Comexatiba, antiga Cahy-Pequi, do povo Pataxó, sul da Bahia, um órgão do próprio governo tem criado impedimentos à permanência dos indígenas na terra, além de fazendeiros e grupos interessados na exploração das áreas para a construção de resorts. O Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental (ICMBio), administrador do Parque Nacional do Descobrimento, tem entrado com sucessivos pedidos de reintegrações de posse contra os Pataxó de Comexatiba. Apenas esse ano foram três contra seis aldeias do povo, sendo que uma delas acabou suspensa pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, no final de março, na noite anterior ao despejo a ser realizado por forte poderio bélico da Polícia Federal. Ainda na Bahia, a reintegração da aldeia Gravatá, Terra Indígena Tupinambá de Olivença, terminou com a prisão do cacique Babau e de seu irmão, Teity. 
 
Ainda em março, cerca de 80 famílias Guarani e Kaiowá do tekoha Taquara, no município de Juti (MS), estiveram ameaçadas de despejo. Depois de decisão da Justiça Federal no fim de fevereiro, a reintegração de posse contra indígenas pôde ocorrer durante visita da relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos e as Liberdades Fundamentais dos Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, ao Brasil.
O desembargador Hélio Nogueira, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, anulou decisão anterior favorável à comunidade indígena, determinando a reintegração de posse de parte da fazenda Brasília do Sul, que incide sobre o território já identificado e delimitado como de ocupação tradicional do povo Guarani e Kaiowá. O Supremo Tribunal Federal (STF) mandou suspender a decisão de reintegração.
Ao todo, a Terra Indígena Taquara possui 9.700 hectares já reconhecidos e publicados no Diário Oficial da União pela Funai e declarados pelo Ministério da Justiça em 2010, por meio de Portaria Declaratória que está sob contestação judicial. A Fazenda Brasília do Sul, que pediu a reintegração de posse, incide totalmente sobre a terra tradicional indígena e teve parte retomada pelos indígenas em 2003, ocasião em que o cacique Marcos Veron foi morto por jagunços.

(1)  (1) Com informações de Tiago Miotto, jornalista do Cimi, e da Assessoria de Comunicação do Cimi Regional MS.
(2)  (2) Os dados são parciais e podem sofrer alterações até a publicação do Relatório de Violências Contra os Povos Indígenas – 2015.

MEIO AMBIENTE

POVO APINAJÉ PROPÕE CRIAÇÃO DE FÓRUM PARA  ACOMPANHAR, DEBATER E FISCALIZAR APLICAÇÃO DOS RECURSOS DO ICMS-ECOLÓGICO NAS ALDEIAS LOCALIZADAS NOS MUNICÍPIOS DE TOCANTINÓPOLIS, MAURILÂNDIA, SÃO BENTO DO TOCANTINS E CACHOEIRINHA
Reunião na aldeia Prata, debate aplicação do ICMS Ecológico nas aldeias Apinajé. (foto: Carlos Tepkrut F. Apinagé. Abril de 2016
         
         Neste final de semana nos dias 29 e 30 de abril e 01 de maio de 2016, os caciques e lideranças Apinajé, incluindo anciões e anciãs, estudantes universitários, e comunidade em geral, estiveram reunidos na aldeia Prata, sede da Associação Indígena Pyka Mex, participando da 1ª Oficina de Capacitação sobre ICMS Ecológico e efetivação dessa política pública na T.I. Apinaje. Ao menos 50 lideranças de 15 aldeias desta etnia participaram do Curso.
          Durante a oficina foram debatidos e esclarecidos os seguintes eixos temáticos: 1) conceito e princípios legais do ICMS Ecológico no Brasil e no Tocantins; 2) critérios e índices para cálculo dos repasses referente ao ICMS Ecológico no Tocantins, considerando a legislação pertinente; 3)  impacto financeiro do ICMS Ecológico nos municípios de Tocantinópolis, Maurilândia, São Bento do Tocantins e Cachoeirinha; 4) controle social das ações realizadas pelas prefeituras supracitadas e as formas de avaliação dos relatórios encaminhados para NATURATINS.
         Os participantes da Oficina fizeram alguns encaminhamentos e requerimentos ao NATURATINS no sentido de obter maiores esclarecimentos sobre a execução e avaliação do ICMS Ecológico, especialmente, no caso dos municípios que estão sobrepostos à Terra Indígena Apinajé, dispostos abaixo:
1)      Promover o I Fórum ICMS Ecológico e Terras Indígenas em Tocantins focalizando o povo indígena Apinajé, convidando os órgãos públicos envolvidas na regulamentação e avaliação do ICMS Ecológico, a saber, NATURATINS, SEFAZ, SEMADES, RURALTINS, FUNAI, Prefeituras de Tocantinópolis, Maurilândia, Cachoeirinha e São Bento; além de convidar entidades de apoio ao povo indígena Apinajé, a saber, CTI, CIMI, CPT, MPF - Ministério Público Federal e UFT - Universidade Federal do Tocantins;
2)      Solicitar ao NATURATINS e à SEFAZ memória de cálculo da contribuição financeira da Terra Indígena Apinajé para arrecadação do ICMS Ecológico entre os anos de 2011 e 2015 nos municípios de Tocantinópolis, Maurilândia, Cachoeirinha e São Bento do Tocantins, tendo em vista que as lideranças Apinajé e comunidades em geral têm pouco conhecimento sobre o ICMS Ecológico, conforme concluída na referida Oficina de Capacitação; sendo assim, reforçamos a solicitação acima indicada sobre qual é a real contribuição financeira da Terra Indígena Apinajé para arrecadação dos municípios acima referidos.
Demostração sobre o plantio de espécies nativas. (foto: Antonio Veríssimo.
Maio de 2016) 

          Dia 01/05/16, domingo, ultimo dia da Oficina foram realizadas palestras e atividades de campo onde os Técnicos do CTI – Centro de Trabalho Indigenista, fizeram apresentações demonstrativas sobre Produção de Mudas, plantio de Sistemas Agro florestais - SAFs e conscientização ambiental. Este projeto de Produção de Mudas que está sendo implantado na aldeia Prata é apoiado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN.
         Considerando as dificuldades de dialogar com as Prefeituras locais sobre o ICMS – Ecológico as lideranças e representantes das Associações Apinajé, defenderam e aprovaram a criação do I Fórum ICMS Ecológico para que esse assunto seja amplamente discutido com participação dos parceiros, aliados e demais interessados. Dessa maneira os caciques e lideranças Apinajé acreditam que as propostas e projetos encaminhados pelas comunidades no âmbito do ICMS - Ecológico terão mais chance de serem efetivamente cumpridos e fiscalizados pelos órgãos competentes.




Aldeia Prata T.I. Apinajé, 02 de maio de 2016


União das Aldeias Apinajé – Pempxà
Associação Indígena aldeia Prata – Pyka Mex
Centro de Trabalho Indigenista – CTI
Universidade Federal do Tocantins - UFT

19 de abr. de 2016

19 DE ABRIL

PRESS RELEASE DA SURVIVAL INTERNATIONAL
19 abril 2016
Olimpíadas: Survival lança campanha contra o genocídio
Os Guarani Kaiowá enfrentam violência brutal e o roubo de suas terras ancestrais, e sofrem com a maior taxa de suicídio do mundo.
Os Guarani Kaiowá enfrentam violência brutal e o roubo de suas terras ancestrais, e sofrem com a maior taxa de suicídio do mundo.
© Fiona Watson/Survival
Hoje, Dia do Índio, a Survival International lançou uma campanha para impedir a destruição de povos indígenas no Brasil, coincidindo com os Jogos Olímpicos de 2016.
Apesar da atual situação política no Brasil, a campanha visa chamar a atenção para as graves ameaças e violações de direitos humanos enfrentadas pelos povos indígenas do país. Essas ameaças continuam independentemente da instabilidade política no Brasil.
A campanha, ‘Pare o genocídio no Brasil’ foca na proteção de tribos isoladas da Amazônia como os Kawahiva, no fim da violência e roubo de terra dos Guarani no centro-oeste do Brasil, e no fim da PEC 215, uma proposta de emenda constitucional que seriamente enfraqueceria os direitos territoriais indígenas, significando um desastre para tribos ao redor do país.
Há décadas, a Survival tem feito campanhas pela proteção de tribos isoladas – as quais, estima-se que sejam mais de 100 no Brasil. Elas são os povos mais vulneráveis do planeta. Povos como os Kawahiva estão sendo exterminados com a violência de invasores que roubam suas terras e recursos, e com doenças como gripe e sarampo, para as quais eles não têm resistência imunológica.
Os Kawahiva são um dos povos mais vulneráveis do Brasil.
Os Kawahiva são um dos povos mais vulneráveis do Brasil.
© FUNAI 2013
No centro-oeste do Brasil, fazendeiros devastaram o território dos Guarani, e quase toda a sua terra foi roubada. Crianças Guarani passam fome e seus líderes estão sendo mortos, um a um, por pistoleiros contratados por fazendeiros. Centenas de homens, mulheres e crianças Guarani cometeram suicídio.
Por último, a PEC 215, caso implementada, daria à bancada ruralista a chance de bloquear o reconhecimento de novos territórios indígenas, e possibilitaria o desmantelamento de terras existentes. Como as tribos dependem da terra para sobreviver, isso representaria uma ameaça existencial a muitos povos, enfraquecendo fatalmente seus direitos humanos.
A Survival argumenta que, coletivamente, essas causas constituem uma ameaça genocida aos povos indígenas no Brasil, e que devem ser paradas.

O diretor da Survival, Stephen Corry, afirmou: “Povos indígenas têm sido gradualmente aniquilados, por séculos, ao redor das Américas. Isso tem que acabar. Ao invés de ver as tribos como obstáculos inconvenientes ao “progresso”, o Brasil deve reconhecer que elas são uma parte intrínseca de sua nação moderna, e merecem ter seus direitos territoriais protegidos para que elas possam sobreviver e prosperar. Independentemente da crise política, esses são assuntos cruciais que devem ser levados a sério. Todos os olhos estão voltados para o Brasil, que se prepara para sediar as Olimpíadas, e está nas mãos dos brasileiros assegurar que a história olhe favoravelmente para sua geração.”

POLÍTICA

A FARSA DO IMPEACHMENT E O RISCO DE MAIS UM GOLPE CONTRA A DEMOCRACIA NO BRASIL

Deputado Eduardo Cunha: um réu no comando. (foto: internet)
Na noite de 17/04/16 a plenária da Câmara dos Deputados autorizou a continuidade do Processo de Impeachment contra a presidente da República Dilma Vana Rousseff. Por 367 votos pelo sim, 137 não e 07 abstenções os parlamentares da oposição decidiram pela admissibilidade do impeachment que poderá condenar e cassar o mandato da presidenta da República. O processo agora será submetido ao julgamento do Senado Federal.

Esse processo de impeachment está mexendo com os nervos e as emoções dos brasileiros e futuros desdobramentos desse processo poderão dividir ainda mais a nação.O Brasil não merece isso. Novamente nossa jovem democracia está sendo chantageada pela intentona golpista perpetrada por “forças” de extrema direita com apoio de parte da mídia e da elite ruralista.

Lamentavelmente os avanços sociais alcançados pela pluralidade brasileira após a constituinte de 1988 estão sendo ameaçados e diminuídos por setores conservadores da sociedade. Nesse contexto os direitos e conquistas das minorias indígenas, dos negros, das comunidades quilombolas, ribeirinhos, pequenos agricultores, extrativistas, e demais populações mais empobrecidas do campo e das cidades estão sendo golpeados por essa farsa apelidada de impeachment.
 
A atitude indigna dos parlamentares que votaram pela admissibilidade do impeachment contra o mandato legítimo da presidenta Dilma Vana Rousseff por pratica de crimes de responsabilidade (que nunca existiram) é uma infâmia e fere de morte nossa democracia; destituindo a escolha legitima de milhões de brasileiros manifestada em 1º e 2º turnos das eleições de 2014. Este impeachment é mais um expediente blefe dos perdedores que não se conformam com os resultados das urnas.

Felizmente a maioria da população brasileira (inclusive juristas) estão compreendendo que esse processo de impeachment aprovado no plenário da Câmara dos Deputados é uma fraude e está corrompido nas suas raízes.  Em primeiro lugar esse processo não procede porque não houve crime de responsabilidade. Em segundo lugar trata se de um artificio ilegítimo e sem fundamentação jurídica. Em terceiro lugar é um processo anormal e suspeito, pois foi aberto e conduzido pelo Deputado Eduardo Cunha – PMDB/RJ, um réu no Supremo Tribunal Federal-STF, contra o qual pesam inúmeras acusações de crimes e é investigado pela Polícia Federal e PGR.

No entanto a pesar de todos os indícios e provas que incriminam o Deputado Eduardo Cunha – PMDB/RJ e outros parlamentares do PMDB, DEM, PP e PSDB finge não saber de nada, evitam tocar no assunto e procuram ocultar tudo. Então perguntamos; será que esse comportamento dos parlamentares da oposição perante o povo brasileiro é decente, sério e confiável? Agindo assim não estariam sendo falsos e desonestos para com o povo brasileiro? Essa estratégia de injuriar e acusar os opositores (desafetos) não seria uma maneira de tentarem mascarar e esconder suas próprias culpabilidades?

Outra mentira despudorada dos defensores do impeachment é afirmar que o afastamento da presidenta Dilma Rousseff do cargo é a saída e solução para resolver a crise política e econômica que atinge o Brasil. É provável que esses conspiradores do PMDB chefiados por Eduardo Cunha e Michel Temer querem tomar o poder a qualquer custo para abafar a Operação Lava Jato e alienar o País para as multinacionais e o agronegócio. O plano (manifesto) de Michel Temer de assumir a Presidência da Republica constitui uma afronta contra a dignidade e desafia a inteligência da maioria dos brasileiros. No dia 16/04/16 na sessão na Câmara Federal o Deputado Chico Alencar – PSOL/RJ alertou; “O PMDB não é a solução, ele é parte pesada do problema”.

Durante a votação da admissibilidade do impeachment as TVs revelaram a (real) fisionomia debochada e o comportamento patético dos Deputados favoráveis à continuidade do processo. Inseguros e perturbados alguns se atrapalharam e sequer sabiam como se expressar no momento de votar. O fato é que sobrou hipocrisia e faltou seriedade naquele ambiente parlamentar. Um espetáculo grotesco que envergonha a sociedade brasileira. Ouvimos de tudo; reclamações contra o governo, homenagens aos familiares, xingamentos, agressões verbais contra outros parlamentares e retóricas de baixo nível. Mas, em nenhum momento os parlamentares confirmaram e/ou comprovaram os tais crimes de responsabilidade atribuídos à presidenta Dilma Rousseff.
 
Os parlamentares do PT, PSOL, Rede e PC do B observaram que é inaceitável uma presidenta que não cometeu nenhum crime está sendo acusada e julgada por corruptos. Isso é mais um fato comprobatório de má fé e de fraude que marca esse golpe contra a democracia. Situações como essa, atenta contra a legalidade e contamina todo o processo. Na noite de 17/04/16, durante a votação da admissibilidade do processo de impeachment o Deputado Alessandro Molon – Rede/RJ enfatizou; “Esse processo aqui não tem nada a ver com combate a corrupção. Se fosse pra combater corrupção não estaria sendo conduzido pelo Deputado Eduardo Cunha; um corrupto, traidor e golpista”.

Todos sabem que os governos do PT destinaram vultosos recursos ao agronegócio, mesmo assim alguns Deputados do PSDB, DEM E PMDB defensores do impeachment reclamaram e acusaram que os governos PTistas estariam empurrando o País para o conflito, jogando os indígenas e o MST contra os grandes produtores e dividindo as religiões brasileiras. Coincidência ou não; são esses mesmos parlamentares que querem aprovar a PEC 215/2000, que inventaram as CPIs da FUNAI e do INCRA e atuam de forma deliberada no Congresso Nacional para sufocar os camponeses, travar a reforma agrária, impedir a demarcação de terras indígenas e quilombolas, e implantar (a qualquer custo) um Estado de tirania e terror no campo brasileiro. E ainda falam em “união nacional”.

É público e notório que no governo Lula da Silva, assim como no mandato da presidenta Dilma Rousseff não tivemos muitos avanços na política indigenista no Brasil. É possível que alguém pergunte; então porque vocês estão defendendo esse governo corrupto? É importante esclarecer que não concordamos com a corrupção e não aprovamos erros de nenhum governo. Entretanto defendemos com convicção e consciência a consolidação da Democracia, o cumprimento da Constituição Federal, o respeito e o fortalecimento das Instituições Republicanas.

De forma nenhuma permitiremos que retrocessos políticos, supressão de direitos e perdas de conquistas sociais voltem acontecer no Brasil. Nesse sentido acreditamos que todos os cidadãos (as) de boa fé e bem intencionados desse País anseiam que o Senado Federal julgue esse processo de impeachment com responsabilidade, equilíbrio e o mais alto senso de justiça. De qualquer jeito com, ou sem impeachment, continuaremos sempre mobilizados e resistindo contra a opressão, o fanatismo, o abuso de poder, a intolerância e a cultura do ódio.
 
Ainda sobre essa situação que vivemos no País, ontem 18/04/16, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no Jornal Nacional da Rede Globo, ponderou; “É preciso manter a calma, o Brasil é de todos”. 



Terra Indígena Apinajé, 19 de abril de 2016


Associação União das Aldeias Apinajé-Pempxà

29 de mar. de 2016

MOBILIZAÇÕES NO DIA INTERNACIONAL DA ÁGUA

PASTORAIS SOCIAIS, POVOS INDÍGENAS, RIBEIRINHOS, TRABALHADORES RURAIS, QUILOMBOLAS, ESTUDANTES, PROFESSORES E RELIGIOSOS REALIZARAM EM ARAGUAÍNA (TO), AÇÃO ECUMÊNICA EM DEFESA DAS ÁGUAS E DA VIDA

Na Praça da Bandeira em Araguaína -TO, Estudantes participam de mobilização no Dia Internacional da Água. (foto: Antonio Veríssimo. Março de 2016)

Com o tema Águas do Cerrado; Casa Comum: Nossa Responsabilidade, foi realizado no último 22 de março de 2016 na Praça da Bandeira na cidade de Araguaína (TO), ação ecumênica para celebrar o Dia Internacional da Água. O ato foi uma realização das Pastorais Sociais, UFT e Diocese de Tocantinópolis (TO). Ao menos 450 pessoas participaram (ouvindo) as palestras, apresentação de trabalho escolar, amostra de documentários, comercialização de produtos da agricultura familiar, venda de livros e distribuição (gratuita) de jornais e revistas.

Exposição e venda de produtos da Agricultura Familiar. (foto: Antonio Veríssimo. Março de 2016)

Na ocasião representantes dos povos Apinajé, Krahô e Karajá Xambioá, Ribeirinhos, Quilombolas, Trabalhadores Rurais, Estudantes e Professores em declarações manifestaram suas angústias e preocupações com a violenta destruição do Bioma Cerrado para produção de grãos para exportação. As lideranças denunciaram que as atividades promovidas pelo agronegócio estão provocando fome, sede, escravidão, expulsão de trabalhadores rurais e agravando os conflitos no campo.

Os povos repudiaram a implantação do Programa MATOPIBA na região que abrange os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Este megaprojeto é uma imposição violenta das grandes empresas para sufocar os pequenos agricultores familiares, povos indígenas e populações quilombolas e conta com vultosos recursos do Governo Federal. Enquanto isso as aldeias indígenas e as comunidades camponesas não recebem sequer a visita de um técnico da EMATER ou do RURATINS para acompanhar e dar orientações à quem produz para alimentar a população do campo e da cidade.

“Se o campo não planta a cidade não come”. Os camponeses ressaltaram que 70% dos produtos que alimentam as cidades vem da Agricultura Familiar e destacaram a diversidade e a qualidade dos produtos orgânicos produzidos. Os trabalhadores organizaram uma pequena feira com diversas espécies de macaxeiras, abóboras, milho verde, bananas, feijão e outros produtos trazidos da roça e colocados à venda no local. Essa iniciativa serviu também como intercâmbio e troca de experiências, produtos e sementes.

Em depoimentos os participantes alertaram que se o Cerrado não for protegido em breve não teremos mais águas limpas para beber e banhar. O fato é que centenas de nascentes e mananciais hídricos estão comprometidos e ameaçados pelo desmatamento para implantação de carvoarias e plantio de eucaliptos, soja, milho e cana. No entorno das T.Is. Apinajé e Karajá Xambioá algumas nascentes já estão secas.

Distribuição de Revistas e Jornais: a informação que liberta. (foto: Antonio 
Veríssimo. Março de 2016)

Na realidade estamos assistindo essa classe política desacreditada e corrupta implantar e consolidar as custas de vidas humanas a barbárie e a tirania do latifúndio no campo brasileiro. Nessa conjuntura difícil, para evitar a extinção do Cerrado, a morte dos rios, o massacre dos camponeses e o genocídio dos povos indígenas temos que nos unir, lutar e resistir. Não podemos permitir que a anarquia, o retrocesso, a corrupção e a desordem social tomem conta do Brasil novamente.

Sabemos também que essa classe política sempre estiveram a serviço das grandes empresas do agronegócio como a Monsanto, Basf, Bayer, Bunge, Dow, Dupont e Syngenta. Essas empresas sempre dominaram a fabricação e o comercio de sementes transgênicas, de venenos, (pesticidas) e adubos químicos em todo o Mundo e agora estão invadindo, grilando e roubando as terras do Cerrado para o plantio e produção de grãos em larga escala. São esses políticos que inventaram o MATOPIBA e agora estão entregando o Cerrado para as transnacionais.

Por essa razão os ruralistas são inimigos declarados dos povos indígenas, das populações quilombolas e dos agricultores familiares brasileiros. Movidos pela ganancia cega e pela fome de lucros sem limites esse bando está sempre em guerra contra a natureza, não respeitam as leis e violentam os direitos das populações mais empobrecidas, desinformadas e isoladas do Brasil. A saúde da população e do meio ambiente também é coisa ignorada desrespeitada pelos ruralistas.

O evento também teve muita mística e cantorias indígenas, essa parte foi conduzida e ficou por conta do povo Krahô, que sempre anima os eventos com maracás e cantos que dialogam com a natureza trazendo sempre muita força e energia positiva para nossos encontros e reuniões. Seja nas praças, nas ruas, nas escolas, nos sindicatos, nas aldeias, nas cidades ou nas estradas, esperamos em breve nos encontrar novamente na luta em Defesa das Águas e da Vida em todas as suas dimensões.


                                                       Terra Indígena Apinajé, 29 de março de 2016



Associação União das Aldeias Apinajé-Pempxà

28 de mar. de 2016

MEIO AMBIENTE

4ª Modulo do Curso Básico em PNGATI-Cerrado

Representantes dos povos do Cerrado participantes do 4ª Modulo do Curso do PNGATI. (foto: FUNAI. Março de 2016)

O 4ª Modulo do Curso de Formação em Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas-PNGATI para o Cerrado foi realizado no período de 14 a 19 de março de 2016 na sede da Fundação Nacional do Índio-FUNAI em Brasília (DF). Neste módulo tratou sobre os “Instrumentos de Gestão Territorial e Ambiental”. Durante os cinco dias do curso debatemos os Instrumentos de Etnodesenvolvimento, Instrumentos de Gestão Ambiental, Instrumentos de Gestão Pública e Governança da Política. A assessoria e coordenação do curso ficou por conta do dinâmico e esforçado Prof. Henyo Barreto, que é consultor do projeto GATI.
 
Este módulo focalizou a convivência, os conhecimentos, as experiências, os projetos e o diálogo dos Povos Indígenas (e suas relações) com o Bioma Cerrado. Durante os cinco dias do curso foram debatidos as diversas experiências dos povos indígenas, que partilharam com os demais seus projetos e suas experiências de Vida no Cerrado. Os servidores da FUNAI, IBAMA e NATURATINS, (cursistas e convidados) também partilharam suas opiniões e fizeram esclarecimentos sobre as políticas públicas pertinentes.

Participantes em Trabalho de Grupo. (foto: Jonas Polino Sansão. Março de 2016
 
No primeiro momento foram apresentadas três experiências indígenas de Vigilância e Monitoramento Territorial; I) as experiências do CONSEP do Povo Xacriabá de MG; II); o Plano Permanente de Segurança e Monitoramento Territorial do Povo Apinajé, de Tocantins; III) e as Ações dos Guardiões da Floresta do Povo Guajajara do Maranhão. Essas experiências demostram como os povos estão se organizando e reagindo para monitorar e proteger seus territórios. No entanto essas atividades desenvolvidas pelas comunidades não substituem e não excluem a competência e a responsabilidade do Estado brasileiro, que deve sempre desempenhar suas obrigações constitucionais de fiscalizar e proteger os territórios indígenas.

Como exemplos de experiências voltadas para o Etnodesenvolvimento, foram apresentadas duas experiências de projetos de agroecologia e extrativismos baseados na conservação, recuperação e manejo do solo, da diversidade de espécies (sementes) nativas do Cerrado e cultivo de frutíferas para aproveitamento e comercialização de polpas. As duas experiências foram apresentadas por Inácio Terena e João Terena (cursistas) e Leosmar Terena (consultor GATI) do Povo Terena de Mato Grosso e Jonas Polino Sansão do povo Gavião do Maranhão, (cursista). Jonas Gavião explicou sobre o Projeto Fruta Sã e as atividades desenvolvidas por essa empresa que fica em Carolina no Sul do Maranhão.

A implantação de empreendimentos hidroelétricos em Terras Indígenas gera as chamadas compensações ambientais, que são efetivadas nas T.Is., em forma de Programa Básico Ambiental-PBA, nesse 4ª Modulo conhecemos duas experiência de PBAs, que atualmente estão sendo implementadas. A primeira experiência mostrada foi o PBA-Timbira proveniente da construção da UHE Estreito na divisa dos Estados de Tocantins e Maranhão que atingiu as terras Apinajé, Krahô, Krikati e Gavião. A segunda experiência mostrou o PBA da PCH Paranatinga II que afetou comunidades do povo Xavante em Mato Grosso. As informações dos expositores deixaram muitas dúvidas e incertezas, e em vários momentos os cursistas questionaram a eficácia dos PBAs e perguntaram se estão mesmo resolvendo e amenizando os problemas provocados pelas hidrelétricas nas T.Is?

Nas apresentações os Brigadistas Indígenas do Prev/Fogo falaram das atividades de prevenção e combate ao fogo nas Terras Xerente (TO) e Bakairi em (MT). As analises, comentários e repercussões sobre as ações dos brigadistas foram bastantes fortes e emocionados. Os servidores da FUNAI/CR de Imperatriz (MA), bastante comovidos falaram sobre os impactos, os sofrimento e as calamidades provocadas pelo grande incêndio ocorrido na T.I. Araribóia em 2015. Considerando a pressão de fazendeiros, madeireiros e caçadores, os desmatamentos ilegais e o aumento das ocorrências de fogo nas T.Is., localizadas em áreas de Cerrado, os Brigadistas Indígenas manifestaram preocupação sobre a continuidade (ou não) das Brigadas Indígenas-BRIF no futuro.


Indígenas entregam documento à Relatora da ONU. (foto: Jonas Polino Sansão. Março de 2016)

Dia 16/03, quarta-feira recebemos a agradável visita da Relatora Especial da Organização das Nações Unidas-ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Sra. Victória Tauli-Corpuz, que naquela ocasião estava em visita oficial ao Brasil com a finalidade de inspecionar se as autoridades brasileiras estão cumprindo as recomendações da ONU. No encontro com os cursistas a Sra. Victória Taulli-Corpuz declarou que tem recebido inúmeras denúncias de violação de Direitos Indígenas no Brasil e afirmou seu comprometimento de atuar efetivamente no âmbito da Nações Unidas para que as leis e tratados internacionais sejam cumpridos pelas autoridades brasileiras em prol dos povos indígenas e dos Direitos Humanos e observou que os indígenas precisam se unir e se organizar para garantir esses direitos.
 
Percebemos algumas dificuldades dos participantes de entender como funcionam os diversos instrumentos de controle social e gestão pública. Sobre a implementação e governança da PNGATI os cursistas criticaram a falta de diálogo e interface entre as instancias do Governo Federal especialmente as CTLs, as CRs e a sede da FUNAI. Dessa forma, a maioria dos povos e organizações indígenas que não estão efetivamente participando dos cursos ficam sem entender como funciona a PNGATI.

Neste módulo tivemos muitas lições e exemplos de vida. Imaginamos e acreditamos que todas as informações, esclarecimentos e experiências apresentadas, debatidas e ensinadas estão sendo tão importantes para os (cursistas) não-índios, quanto para os indígenas e suas comunidades. Dessa forma a pauta que trata do cuidado,da proteção e da gestão dos Territórios Indígenas, Quilombolas e Unidades de Conservação devem ser inseridas de verdade na agenda comum dos povos indígenas, da sociedade civil organizada e dos governos.

Enfim, o equilíbrio, a cautela e a racionalidade sugerem que boas relações com o meio ambiente expressa nosso comprometimento e responsabilidades com as gerações futuras; Que é hora de construir o Bem Viver na Mãe Terra e Viver em Paz com o Sagrado; Que nossas lutas em defesa da natureza significa o cumprimento de um dever moral, ético e espiritual inerente a cada ser humano; Que a indiferença e falta de respostas de nossa parte está pesando muito em nossas consciências; Que o momento de agir pelo Bem Comum é agora.


Terra Indígena Apinajé, 28 de março de 2016



Associação União das Aldeias Apinajé-Pempxà

17 de mar. de 2016

DIREITOS INDÍGENAS

Manifesto dos Cursistas do PNGATI-Cerrado

Para a Srª Victoria Tauli-Corpuz
 
Relatora Especial da ONU sobre Direitos dos Povos Indígenas.


Nós, lideranças indígenas representantes dos povos Terena (MS), Xavante (MT), Makuxi (RR), Guajajara, Gavião e Krikati (MA), Yudjá, Mundurukú e Kayapó Mentuktire (PA), Apinajé, Xerente, Karajá e Karajá Xambioá (TO) e servidores da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) cursistas do 4ª Módulo do Curso Básico de Formação em PNGATI para o Cerrado, que está sendo realizado no período de 14 a 19 de março de 2016 em Brasília (DF), viemos manifestar nossa preocupação com a atual conjuntura da política indigenista do Brasil e denunciar as graves violações contra nossos direitos constitucionais perpetradas por setores anti-indígenas com a conivência e a participação do estado brasileiro.

Nos últimos anos, temos verificado o aumento de ataques da classe dominante, que organiza e promove a prática da violência deliberada contra nossa dignidade e nossas vidas nas terras indígenas e nas cidades. Essas violências e abusos contra os povos indígenas acontecem por várias alegações e motivos diferentes, seja por preconceito, intolerância, ignorância e racismo. Entretanto, alguns dos principais motivos dessa onda de violência são os conflitos fundiários, ambientais e sociais que estão ocorrendo em todas as regiões do Brasil por falta de demarcação e proteção dos territórios indígenas.

Agora, após 516 anos de invasão, continuamos sendo agredidos pela colonização moderna. Empobrecidos e tratados como estrangeiros, muitos povos e suas lideranças estão sendo vítimas de perseguições, criminalizações, assassinatos, prisões, espancamentos, despejos e doenças. As políticas governamentais insuficientes, equivocadas e omissas têm trazido morte, desesperança e sofrimento para nossos povos, especialmente nos estados de Mato Grosso do Sul, Bahia, Pará, Maranhão, Tocantins, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, que propõe transferir do Poder Executivo para o Poder Legislativo a competência de demarcar e regularizar as terras. Ressaltamos que atualmente a Câmara dos Deputados e o Senado Federal são dominados pelo agronegócio, pelas mineradoras e madeireiras, setores que historicamente vivem massacrando nossos povos, roubando e usurpando nossos territórios.


É preocupante a intenção do governo de implantar o MATOPIBA. Esse mega programa de “desenvolvimento” representa uma séria e grave ameaça à vida dos povos indígenas que vivemos há séculos preservando o Cerrado. Constatamos que as regiões que compreendem os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia vêm sendo alienadas e entregues às grandes multinacionais do Japão, Estados Unidos e Europa para plantio de grãos em larga escala. Tudo em detrimento à vida e ao futuro de centenas de comunidades que sequer estão sendo consultadas, ouvidas e/ou informadas que vão ser expulsas para a implantação do Programa.

Avaliamos que se esse mega projeto financiado com recursos públicos for implantado, será o fim desse importante ecossistema que abriga milhares de espécies de nossa fauna e flora, sendo responsável também pela garantia e manutenção de importantes mananciais e nascentes de águas formadoras das principais bacias hidrográficas do São Francisco, Parnaíba, Araguaia/ Rio das Mortes, Tocantins, Xingú, Tapajós e Teles Pires.

Denunciamos os projetos e a construção de grandes hidrelétricas em nossos rios no Cerrado e na Amazônia, onde milhares de ribeirinhos, agricultores familiares, populações quilombolas e povos indígenas estão sendo brutalmente atingidos e expulsos pela implantação de grandes empreendimentos hidrelétricos apoiados pelo governo brasileiro, muitos implantados de forma ilegal e sem consultas às populações ameaçadas, atingidas e impactadas.

Dessa forma, o governo brasileiro não está cumprido a Convenção 169 da OIT e nem observando as recomendações da Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Repudiamos essa postura arrogante e abusiva de alguns setores governamentais, recorrentes descumpridores desses tratados e regras internacionais que o Brasil é signatário.

Setores ruralistas e empresariais também atuam para enfraquecer e inviabilizar o trabalho da FUNAI de forma que nenhuma terra possa ser demarcada ou regularizada. Esse órgão indigenista tem sofrido seguidos cortes em seu orçamento e redução de servidores. Repudiamos os ataques e perseguições do setor ruralista no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul por meio das CPIs da FUNAI e do CIMI, com a finalidade de mentir, caluniar e dificultar a efetivação de demarcação de terras indígenas no país.


Brasília (DF), 16 de março de 2016

1 de mar. de 2016

EDUCAÇÃO INDÍGENA APINAJÉ


GRERNHÕXỲNH NYWJÊ - FORTALECIMENTO DA CANTORIA  ENTRE OS JOVENS NOS RITUAIS APINAJÉ

* Por Júlio Kamêr Ribeiro Apinajé

As comunidades indígenas Apinajé da região da aldeia Mariazinha vem  realizando um importante projeto em parceira com a Escola Estadual Indígena Tekator e a Supervisão de Educação Indígena de Tocantinópolis (TO). O objetivo deste projeto junto e em parceria com a escola  é incentivar e envolver os jovens no aprendizado de nossos conhecimentos tradicionais e a cultura (Panhĩ) Apinajé.
 
Essa iniciativa da Escola e da comunidade tem a finalidade de organizar e fortalecer nossa participação no sentido de construir e efetivar uma Educação Escolar Indígena própria segundo nossa concepção de cultura. Percebemos também que é importante manter o aprendizado e uso do português como 2ª língua, e instrumento de argumentos e diálogos com a sociedade não indígena.
 
Nossa Escola Estadual Indígena Tekator iniciou este projeto a partir do ano de 2014, e até o momento temos alcançado bons resultados. Um importante evento da Escola foi realizado nos dias 09 e 10 de outubro de 2015 conforme mostra este banner.

Antes de a Escola iniciar esse projeto já aconteciam atividades e cerimoniais com participação do (falecido) Vicente Mikum Apinajé, ancião que  valorizou e ajudou muito a Escola transmitindo e ensinando seus conhecimentos e sabedorias. Devido este procedimento a cantoria ainda está viva e forte.

Atualmente temos nos preocupado com o ensino de nossos saberes, história e cultura (Panhi) Apinajé. Vivendo e praticando nossa cultura Apinajé, essa é mais uma das formas diferentes de expressar, sentir e se relacionar com as pessoas, a natureza e o Planeta. Com base em nossos conhecimentos culturais aprendemos e   ensinamos atitudes humanas segundo nossos próprios sentimentos, espiritualidades e visões de mundo. Os professores indígenas e não indígenas estão apoiando este projeto.

Depois que iniciamos o projeto observamos que a Supervisão de Educação Indígena já começa ver a Educação Escolar Indígena Apinajé com outro olhar. Ficamos felizes que nossos professores e alunos estão despertando e se preparando para enfrentar os enormes desafios objetivando melhorar a Educação Escolar Apinajé. Pensamos ser possível construir e efetivar uma Educação Escolar Indígena com a cara, a expressão e o pensamento (Panhĩ) Apinajé, onde nossa história, tradições, valores e saberes, possam ser transmitidos e ensinados aos Apinajé na sala de aula, em casa, no pátio e na roça; todo lugar é lugar de aprender e ensinar.

O mas importante nesse desafio é o esforço e empenho dos jovens alunos cantadores. No momento o destaque é o Juliano Nhinô Ribeiro Apinajéque tem cooperado muito com a Escola Estadual Indígena Tekator com sua cantoria alegre e linguagem dinâmica. A participação e o (des)envolvimento desse jovem cantador me inspira e me motiva muito como Educador, dessa forma estamos trabalhando juntos para ensinar e fortalecer a cantoria entre os alunos e a comunidade. Conforme os objetivos do projeto denominado; Grernhõxwynh Nywjê - Fortalecimento da Cantoria entre os Jovens nos Rituais Apinajé.

É animador ver que pela primeira vez na história da Escola Estadual Indígena Tekator, os próprios alunos começam a se manifestar; participando e ocupando esse espaço cultural, tendo responsabilidades assumindo compromissos com a escola e a comunidade. A partir de então esta atividade de ensino e aprendizado da cultura é contínua. Precisamos de apoio para fortalecer a nossa politica cultural. Agradecemos a todos que estão colaborando para implantação e continuação deste projeto. Os indígenas e não-índios que estiverem dispostos à conhecer e participar já estão convidados.

Respondendo o objetivo principal do projeto, alguns jovens começam a se destacar na cantoria com maracá nos pátios das aldeias. Estamos muito felizes pela realização e continuação deste projeto pelos jovens estudantes da Escola Estadual Indígena Tekator da aldeia Mariazinha. Parabenizamos também outros jovens, estudantes e cantadores Apinajé; especialmente o Alexandre Kamêr Apinajé que mora na região da aldeia São José. Queremos que continue nos alegrando, nos ensinando e nos fortalecendo com a expressão e a leitura do maracá, e sempre queremos participar.

* Júlio Kamêr Ribeiro Apinajé, é professor na Escola Estadual Indígena Tekator, da aldeia Mariazinha, na T.I. Apinajé, em Tocantinópolis, no Norte de Tocantins, Brasil.

Aldeia Olho D’Água T.I. Apinajé, 01 de março de 2016


Associação União das Aldeias Apinajé-Pempxà

PÀRKAPER