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25 de abr. de 2014

SEMANA DOS POVOS INDÍGENAS 2014

PUC-GO DEBATE ETNOARQUEOLOGIA E TERRITÓRIOS INDÍGENAS

Professores, estudantes e pesquisadores durante visita ao Memorial do Cerrado. (foto: Antônio Veríssimo. Abr. 2014)
       Todos os anos, antes ou depois do dia 19 de abril, data em que é comemorado o “dia do índio”, são realizados em todo o Brasil eventos para se discutir e debater a questão indígena. Na Semana dos Povos Indígena de 2014, a Pontifícia Universidade Católica de Goiás, realizou a IV Jornada de Arqueologia no Cerrado, aonde se tratou do tema: Etnoarqueologia e Territórios Indígenas.
       No período de 19 a 25 de abril de 2014, na PUC em Goiânia-GO foram realizadas palestras, mesas redondas, apresentações de trabalhos, exposições e amostras de filmes etnográficos. Professores, alunos, jornalistas, representantes de Instituições Públicas, de ONGs e lideranças indígenas participaram das atividades.
      Os palestrantes abordaram a questão da Territorialidade Indígena, debatendo como os Arqueólogos e Antropólogos podem atuar e ajudar mediar os conflitos envolvendo os múltiplos interesses de grupos políticos e econômicos que estão ameaçando e violando o Direito a Vida, a Territorialidade e a Espiritualidade das populações indígenas do Brasil.
        Drª. Marlene C. Ossami de Moura, Professora da PUC Goiás e Coordenadora do IGPA-Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia, declarou que a demarcação e a garantia dos territórios indígenas são necessárias e que o governo brasileiro deve cumprir o que determina a Constituição Federal e os acordos internacionais que o Brasil é signatário. Por sua vez, o Dr. Jorge Eremites de Oliveira da UFPel) abordou a situação de violência e o genocídio imposto pelo agronegócio contra a vida e existência do povo Guarani Kaiowá no Estado do Mato Grosso do Sul. Ainda na noite do dia 23/04, as professoras Maria dos Reis Pãxre Apinajé e Maria do Socorro Dias Achure Karajá expuseram trabalhos sobre a vida e a cultura de seus povos.
No ITS-Instituto do Trópico Subúmido, professores, estudantes conhecem
a réplica de uma aldeia Timbira. (foto: Antônio Veríssimo. 2014)
         Em 25/04/14, no período manhã professores, alunos e pesquisadores visitaram o Memorial do Cerrado e conheceram o ITS -Instituto do Trópico Subúmido, no local aconteceu palestra que debateu a Cosmociência, Territorialidade e Educação. O Dr. Altair Sales Barbosa da PUC-GO, que também é fundador do ITS -Instituto do Trópico Subúmido, ressaltou a importância dessa instituição para a ciência, a pesquisa e a preservação do Bioma Cerrado em todas as suas dimensões.  A Drª. Rosangela Tugny da UFMG ponderou no sentido do respeito e valorização dos conhecimentos indígenas e sugeriu que é preciso dar aos Mestres dos Saberes Indígenas, a importância e o reconhecimento que merecem, para que o Brasil seja de fato uma nação pluriétnica.
         O cacique Dodanin Piken Krahô da aldeia Manuel Alves, que é formado em Licenciatura Intercultural Indígena, explicou que na aldeia a Escola Indígena é livre e se aprende fazendo. As crianças desde pequenas aprendem com os pais e mães. Para povo Krahô a escola também acontece no pátio, na roça e em casa. “Os anciãos são bibliotecas vivas, quando precisamos pesquisar é só ir lá e perguntar”. Disse o cacique Krahô.
         Na noite desta sexta-feira, acontecerá o encerramento das atividades com animado Show do Grupo de Rap Guarani Kaiowa Bró MC’s do Mato Grasso do Sul.

Goiânia (GO), 25 de abril de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

23 de abr. de 2014

EDUCAÇÃO E CULTURA APINAJÉ

19 DE ABRIL: DIA DE REFLEXÕES, REIVINDICAÇÕES E LUTAS!
Professores, pais e mães de alunos em sala de aula, pintando os estudantes da Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José. (foto: Antônio Veríssimo. Abr. 2014) 

Apresentação de literatura sobre os Apinajé. (foto: Antônio Veríssimo. abr. 2014)

Como parte das atividades alusivas a Semana dos Povos Indígenas 2014, no dia 17/04, quinta-feira, foi realizada na Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José no município de Tocantinópolis no Norte do Tocantins, uma aula de pintura corporal. Essa atividade foi organizada e realizada pelos professores, coordenadores e o diretor e teve a participação dos pais, mães e dos alunos (as) que estudam da 1ª à 8ª série do ensino médio naquela Unidade Escolar.

As atividades continuaram no dia 19/04/14 pela manhã, com exposições de artesanatos e livros, apresentações de slides, demonstrações de pinturas e expressões corporais. Algumas lideranças se manifestaram sobre o significado desta data. Cassiano Sotero Apinagé, Professor e Coordenador da Escola Estadual Indígena Mãtyk, enfatizou que o dia 19 de abril não é só uma data “festiva”. “Diante da situação difícil e da realidade vivida pelos povos indígenas do Brasil, esse também é um dia de reflexões, de reivindicações e de lutas”. Afirmou.

Crianças Apinajé, alunos da Escola Estadual Indígena Mãtyk na aldeia São José. (foto: Antônio Veríssimo. Abr. 2014)

Ainda no período da manhã do dia 19/04, no pátio da aldeia São José, professores e alunos continuaram a programação cultural, realizando atividades com arco e flecha, corrida de flecha e corrida de perna de pau, que teve a participação somente dos meninos. Outra “brincadeira” realizada foi o cabo de guerra, que teve a participação dos meninos e das meninas.  Ao meio dia, houve o encerramento das atividades com almoço servido aos participantes.

Essas atividades enriquecem a cultura e promovem o conhecimento e os saberes indígenas. O diretor, os professores, alunos, pais, mães e demais lideranças, índios e não índios que organizaram e realizaram esse evento, estão de parabéns. Esperamos que em breve seja realizado novamente, independente de qualquer data “comemorativa”.

      
Terra Indígena Apinajé, 22 de abril de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

15 de abr. de 2014

ORGANIZAÇÃO INDÍGENA

VII REUNIÃO DO CONSELHO GESTOR DO PBA-TIMBIRA

Jonas Gavião fala aos membros do Conselho Gestor. (foto:
Antônio Veríssimo. Abr. 2014)
        Nos dias 10 e 11 de abril de 2014, foi realizada na FUNAI/Coordenação Técnica Local de Carolina (MA) a VII Reunião do Conselho Gestor do PBA-Timbira. Estavam presentes os membros do Conselho Gestor, titulares e suplentes, dos povos Apinajé, Krahô, Krikati e Gavião, o pessoal que compõem a Equipe Técnica da Agencia Implementadora, o Coordenador e Técnicos das CTLs de Carolina e Tocantinópolis (TO), Bianca Lima, Técnica da FUNAI/CGLIC e Jaime Siqueira Técnico da FUNAI/CGGAM/BSB.
        Dia 10/04/14, quinta-feira, Vanusa Babaçu Técnica da Agencia Implementadora fez apresentações dos projetos implantados nas Terras Indígenas, Apinajé e Krahô em 2013. Por sua vez os representantes das associações indígenas também fizeram as devidas prestações de contas dos recursos repassados pela Agencia Implementadora que foram aplicados em projetos nas aldeias. A avaliação dos resultados foi bastante positiva.
          Na sexta-feira, dia 11/04, debatemos sobre os projetos a serem implantados em 2014, bem como os recursos disponíveis para esse ano. Os representantes do povo Krahô apresentaram publicamente suas iniciativas e proposta ao Conselho Gestor e a Agencia Implementadora. De parte do povo Apinajé, as propostas serão apresentadas na próxima reunião previstas para o mês de julho de 2014.
             Os conselheiros cobraram dos representantes da FUNAI e da Agencia Implementadora, mais presença nas aldeias no sentido de cooperar com esclarecimentos das questões pertinentes a execução desse Programa Básico Ambiental. O objetivo é dialogar com os caciques para conscientizar e informar os mesmos sobre os direitos e deveres de cada um, no cumprimento das regras estabelecidas no Termo de Compromisso.
         Sobre o uso, zelo e guarda dos equipamentos que foram comprados pelo CESTE, as lideranças Apinajé se queixaram que a própria FUNAI não respeita e está descumprindo as cláusulas do citado Termo de Compromisso. Os representantes Apinajé também reclamaram da lentidão da FUNAI em realizar as reuniões do Conselho Gestor e alertaram que esse ano, esses atrasos poderão refletir negativamente na execução e implantação das roças, cujas atividades de broca e derruba deverão iniciar em maio.
            Finalmente os conselheiros, perguntaram por que a demora em repassar os recursos restantes da compra dos equipamentos, solicitados pelas associações indígenas Apinajé e Krahô, deste ano passado. No caso do povo Apinajé, são R$ 117.577,97 (cento e dezessete mil quinhentos setenta e sete reais e noventa e sete centavos) que serão investidos na construção da sede da Associação PEMPXÀ, conforme decisão dos caciques. No final do ano passado, atendendo solicitações da própria FUNAI encaminhamos vários ofícios e a planta do projeto elaborada por um engenheiro.
        A senhora Bianca Lima Técnica da FUNAI/CGLIC afirmou nunca ter recebido nenhum documento neste sentido e se desculpou informando que os recursos não foram depositados por falta de um documento solicitando. No entanto prometeu logo providenciar o repasse.




Terra Indígena Apinajé, 15 de 2014.


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ.

4 de abr. de 2014

POVO APINAJÉ: EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

ESTRADAS VICINAIS BLOQUEADAS PELAS CHUVAS E ALUNOS (AS) PREJUDICADOS

Ônibus Escolar atolado em estrada vicinal de acesso à aldeia São José. (foto: Antônio Veríssimo. Abril  de 2014)
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No dia 24 de fevereiro de 2014, estivemos reunidos no MPF-TO em Palmas, em audiência discutindo a situação das estradas vicinais de acesso às aldeias indígenas do Estado do Tocantins. Estavam presentes os Procuradores da Republica Dr. Álvaro Lutufo Manzano e a senhora Aldirla Pereira de Albuquerque e os representantes da Agencia de Transportes e Máquinas do Tocantins-AGETRANS, da FUNAI,  das prefeituras de Formoso do Araguaia e Itacajá e das Associações Wyty Cäte e PEMPXÀ. Os prefeitos de Tocantinópolis e Maurilândia teriam sido convidados, mas não compareceram e nem enviaram representantes.
Mãe e alunos (as) da aldeia Bacabinha caminhando rumo à Escola Mãtyk da aldeia São José. (foto: Antônio Veríssimo. Abril de 2014)

Na audiência cobramos das autoridades providencias urgentes para recuperação de trechos críticos das vicinais de acesso às aldeias Apinajé que foram seriamente danificados pelas chuvas. Ressaltando que essa situação está prejudicando e inviabilizando o Transporte Escolar, o atendimento à Saúde Indígena e outros serviços essenciais nas comunidades. O representante da AGETRANS se comprometeu por meio de sua representação de Tocantinópolis, fazer imediatamente o levantamento dos trechos mais críticos para efetivar os serviços de recuperação em caráter emergencial.

Uma semana depois da audiência que aconteceu em Palmas, os serviços de levantamento das vicinais foram concluídos pelos servidores da AGETRANS e FUNAI. Entretanto até o momento não foram iniciados a recuperação dessas vicinais de acesso às aldeias São José, Cocal Grande, Bacabinha, Serrinha, Boi Morto, Bacaba, Aldeinha, Mariazinha, Riachinho, Cipozal e Recanto no município de Tocantinópolis e Mata Grande, Botica e Barra do Dia no município de Maurilândia.
A falta de manutenção da TO 126 dificulta a circulação do transporte escolar entre as aldeias. (foto: Ricardo Burg/Funai. Abr. 2014)

Dessa forma nos últimos dias temos testemunhado as estradas vicinais sendo interrompidas por valas e enormes crateras causadas pelas águas das chuvas, fator que está dificultando e impedindo a circulação dos ônibus escolar entre as aldeias e deixando as crianças sem aula. Desta vez queremos cobrar responsabilidades também das Secretarias de Educação e Cultura e Infraestrutura do Tocantins e novamente alertar as Prefeituras de Tocantinópolis e Maurilândia, AGETRANS e FUNAI sobre essa situação que foi transformada numa “brincadeira” que ninguém quer levar a sério e resolver.

Diante desse descaso do Estado, durante reunião ocorrida no último dia 01/04/2014 na divisa da terra indígena Apinajé onde estavam presentes o senhor Ricardo Burg, técnico Indigenista da Coordenação Geral de Licenciamento da FUNAI, Marcelo Gonzalez, técnico indigenista e Bruno Aluísio Braga, Coordenador da FUNAI/CTL de Tocantinópolis e mais de 200 lideranças Apinajé, de 22 aldeias para tratar da questão do Licenciamento Ambiental da TO-126, resolvemos aguardar o Estudo de Impacto Ambiental - EIA para decidir sobre a pavimentação da TO-126. No entanto, alertamos as prefeituras de Tocantinópolis e Maurilândia e a AGETRANS para a urgência na recuperação dessas vicinais que foram e estão sendo muito afetadas pelas chuvas.
 
Solicitamos ao MPF-TO e FUNAI providências para solução imediata para essa situação caótica das estradas. Se nada for feito ficaremos ainda mais prejudicados.

Terra Indígena Apinajé, 04 de Abril de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

26 de mar. de 2014

CRIANÇAS APINAJÉ

JORNALISTAS FRANCESES VISITAM ALDEIAS APINAJÉ

        Nos período 23 a 25 de março do corrente ano, recebemos a visita dos Jornalistas franceses Christophe Fernandez e da repórter fotográfica Charlote Valade, da Revista Okapi, que vieram acompanhados por Frei Xavier Plassat e Rafael Oliveira agentes da CPT Araguaia/Tocantins, Gaspar Guimarães, cinegrafista do Verbo Filmes e Jucilene Gomes Correia missionária do CIMI GO/TO.  
      A Okapi e uma Revista francesa que publica artigos e reportagens sobre crianças e para as crianças.  Essa Revista é preparada e dedicada especialmente ao público infanto-juvenil, formado por meninos e meninas, adolescentes e estudantes de várias nacionalidades e de diferentes culturas e línguas. A ideia é que possam se conhecer melhor e interagir mais entre si.
         A vinda da equipe de jornalista da Revista Okapi a essa Terra Indígena, tem a finalidade de mostrar para o mundo, especialmente para as crianças francesas, o cotidiano e a realidade das crianças Apinajé, bem como “jogar uma luz” sobre essas outras faces invisíveis de um Brasil diferente, desse “Brasil da Copa do Mundo”, que o mundo não vê e não conhece.
          Percebemos que a grande imprensa brasileira, diante da realização de um evento barulhento e agitado como uma Copa do Mundo, fecha os olhos e ouvidos para as realidades das crianças indígenas do Brasil. Neste contexto a vida e o futuro desses “pequenos (as)” não são fatos relevantes e nem notícias interessantes para serem mostradas e divulgadas.
          Lamentavelmente, as denúncias e fatos relacionados à exclusão sociocultural e violações dos direitos das minorias indígenas no Brasil, sempre são tratados como “notícias sem importância”, que podem ser facilmente distorcidas ou mascaradas pela grande mídia e rapidamente ignoradas ou esquecidas pelas autoridades.
          Todavia nos dias 23, 24 e 25 de março de 2014, tivemos a honra e o privilégio de receber em nossas comunidades a equipe de jornalistas enviados pela Revista Okapi, que durante três dias acompanharam, conviveram, observaram e documentaram o cotidiano e a realidade das crianças Apinajé das aldeias São José, Patizal, Aldeinha, Abacaxi e Areia Branca, localizadas no Norte do Estado do Tocantins, Brasil.
Terra Indígena Apinajé, 26/03/2014.

Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

21 de mar. de 2014

PBA TIMBIRA APINAJÉ

PBA TIMBIRA: RESGATE E FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA TRADICIONAL
Famílias da aldeia Patizal , realizando atividades de colheita da  mandioca. (foto Oscar  Apinagé. Fev. 2014).
Antigamente nossos antepassados praticavam a agricultura de subsistência de forma espontânea, livre e natural. Diversas espécies de mandioca, milho, araruta, inhame, batata, abóbora, amendoim e macaxeira eram cultivados de maneira tradicional e sustentável. As perseguições por causa da terra, as doenças e as guerras de extermínio provocaram a desorganização sociocultural e a inevitável redução da população Apinajé. Como consequências, muitos conhecimentos e saberes sobre agricultura foram perdidos ou esquecidos. Algumas espécies de sementes também foram roubadas, destruídas ou usurpadas.

Recentemente em 1985, um convênio celebrado entre a Fundação Nacional do Índio-FUNAI e a Companhia Vale do Rio Doce- CVRD, hoje conhecida como Vale, introduziu nas aldeias São José, Mariazinha e Patizal a prática equivocada das roças mecanizadas. Na época foram adquiridos tratores, grades, roçadeiras, plantadeiras e colhedeiras, que foram utilizados poucos anos, para implantar os chamados “projetos comunitários”, aonde eram cultivados especialmente o arroz e o feijão.

Poucos anos depois o Convenio FUNAI/CVRD foi encerrado e as máquinas viraram sucatas e (ou) foram vendidas, deixando as famílias dependentes e acomodadas. A expectativa excessiva gerada por esses tipos de projetos e as “facilidades” ilusórias, supostamente trazidas pela mecanização intensiva, resultaram em incalculáveis prejuízos sociais, culturais e econômicos, que refletem até hoje de maneira negativa na vida das famílias Apinajé.
Plantação de milho preto na aldeia Areia Branca. (foto: Antonio Veríssimo. Fev. 2014).

No entanto em 2010, os caciques, decidiram que parte dos recursos da compensação da UHE Estreito, a que temos direito, deveria ser aplicada na implantação e no fortalecimento de pequenas roças familiares nas aldeias Apinajé, localizadas nos municípios de Tocantinópolis e Maurilândia no Norte do Tocantins. O objetivo do projeto é Recuperar e Promover os Valores de nossa agricultura tradicional e assim buscar melhorar e garantir a Segurança Alimentar e Nutricional das comunidades.

O projeto prevê também o Resgate e Conservação das Sementes Tradicionais, com essa finalidade no período de 03 a 07 de setembro de 2012, participamos da 1ª Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais que foi realizada na aldeia Moxkarako, Terra Indígena Kayapó no município de São Félix do Xingú (PA).

E nos meses de outubro e novembro de 2013, realizamos duas visitas de intercambio e troca de experiências aos camponeses e agricultores familiares dos municípios de Augustinópolis e Esperantina localizadas no Bico do Papagaio, extremo Norte do Tocantins. Na ocasião adquirimos nos assentamentos da região, sementes de milho, feijão, fava, arroz e mudas de batata, araruta, inhame, banana e ramas de mandioca, que foram plantadas nos projetos de 16 aldeias.

Nesse primeiro ano de execução do Programa Básico Ambiental-PBA Timbira a maioria das comunidades optou pelo eixo Segurança Alimentar, no qual foram aplicados recursos nas roças e casas de farinha. Mas estão previstos também investimentos na Segurança Ambiental, Segurança Territorial, Segurança Cultural e Apoio Institucional

Aspecto das plantações de arroz na aldeia Barra do Dia. (foto: Antonio Veríssimo. Jan. 2014)

Conforme já era esperado, identificamos e enfrentamos alguns problemas durante a execução do PBA, porém os primeiros resultados alcançados são positivos e animadores. De acordo com o Termo de compromisso assinado entre a FUNAI, CESTE e a Associação Wyty Cäte  esses projetos deverão ser implantados até 2020, depois desse período serão realizados  pelo Consórcio CESTE novos EIA-Estudos de Impacto Ambiental na Terra Indígena Apinajé, divulgado o referido RIMA/Relatório de Impacto Ambiental, se for constatado a continuidade dos impactos da hidrelétrica na Terra Indígena o Programa de Compensação deverá ser renovado.




Terra Indígena Apinajé, 21 de março de 2014.


Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

27 de fev. de 2014

POVO APINAJÉ


POVO APINAJÉ: SITUAÇÃO DAS ESTRADAS VICINAIS DE ACESSO ÀS ALDEIAS É CAÓTICA

      Nos últimos anos temos procurado exaustivamente as autoridades e os órgãos públicos Municipais, Estaduais e Federias buscando uma solução para os problemas das estradas internas de acesso às 28 aldeias Apinajé localizadas nos municípios de Tocantinópolis e Maurilândia. São pelo menos 300 km de estradas vicinais por onde circulam diariamente bicicletas, motos, camionetas, caminhão e ônibus.
      No momento existem alguns trechos dessas estradas vicinais que foram seriamente danificados pelas chuvas e estão em situação critica, dificultando e inviabilizando o acesso do transporte escolar, o atendimento à saúde e outros serviços essenciais.
     Especialmente preocupados com essa situação, último dia 24/02/14 estivemos reunidos na Procuradoria da República/PR-TO em Palmas (TO), com os representantes do MPF-TO,  FUNAI e AGETRANS;  pedindo uma solução emergencial para que nossa população não seja ainda mais prejudicada. Demostrando indiferença e falta de compromisso com o povo Apinajé, os prefeitos de Tocantinópolis e Maurilândia, teriam sido convidados pelo MPF-TO, mais infelizmente não compareceram e nem enviaram representantes.
     Entretanto no dia 24/02 ocorreu também na Assembléia Legislativa do Tocantins uma Audiência Pública bem concorrida, para tratar da questão de pavimentação de rodovias em terras indígenas. Dessa vez foi debatido o asfaltamento das rodovias na terra indígena Xerente.
     No sentido de fazer pressão política, na mesma data, alguns manifestantes índios e não-índios manipulados e incentivados por políticos e empresários da região, bloquearam a rodovia TO 126, próximo o povoado Ribeirão Grande no município de Tocantinópolis (TO). O objetivo desse movimento é obrigar os órgãos da Administração Pública Federal  envolvidos no licenciamento da TO 126 cederem e liberar na marra a licença para começar logo a pavimentação asfáltica dessa rodovia que corta a área Apinajé.
      Diante desses fatos lamentamos a postura de alguns políticos que se dizem representantes dos povos dessa região. Por que esses deputados que se dizem "bonzinhos" não propõem também uma Audiência Pública na AL para discutir e solucionar a situação caótica das estradas internas das aldeias indígenas? Já que se dizem preocupados com a vida do povo; a manutenção e conservação das estradas internas das aldeias e assentamentos do estado deveriam ser pauta e prioridade desses parlamentares.
       Mas a realidade é outra. Sabemos que é tudo pensado e diabolicamente arquitetado para que determinados grupos políticos e as oligarquias regionais se eternizem no poder e continuem oprimindo nosso povo e explorando nossas terras. E para continuar seus projetos políticos, usam os cargos públicos, o parlamento e a imprensa para manipular, mentir, enganar, intimidar e dividir nosso povo.
      Neste contexto de insegurança e instabilidade social, nos últimos meses estamos sofrendo muitas pressões, ameaças e violências de parte desses grupos, que estão provocando e semeando o ódio, a divisão interna e a discórdia entre as famílias Apinajé.

Terra indígena Apinajé, 27 de fevereiro de 2014.

Associação união das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

21 de fev. de 2014

ORGANIZAÇÃO INDÍGENA


CACIQUES APINAJÉ SE REÚNEM PARA PREPARAR A 5ª ASSEMBLEIA GERAL DA PEMPXÀ

Caciques e lideranças Apinajé reunidos na Escola Indígena da aldeia Patizal. (foto. Antônio Veríssimo. Fev. 2014) 
Na abertura da reunião, apresentação das lideranças.
(foto: Antônio Veríssimo. Fev. 2014)
      Com a presença dos 25 caciques e suas lideranças que compõem os Conselhos Deliberativo, Consultivo e Fiscal da  Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, nos dias 16 e 17 de fevereiro de 2014, realizamos na aldeia Patizal, na Terra Indígena Apinajé no Norte do Tocantins, reunião para preparar a 5ª Assembleia Geral e Eletiva da Associação PEMPXÀ. Tivemos também a participação dos Jovens, professores, estudantes, anciãos e convidados não-índios representando a FUNAI-Fundação Nacional do Índio, CIMI-Conselho Indigenista Missionário e a presidente da Associação Wyty Cäte dos Povos Timbira de Tocantins e Maranhão, somando mais de 70 participantes.
       Na abertura o presidente da Associação PEMPXÀ, Edmar Xavito Apinagé, lembrou que a organização foi fundada em 28 de agosto de 2008 e nesse ano completa 6 anos. A atual diretoria foi empossada em 27 de setembro de 2011, durante a 2ª Assembleia Geral que aconteceu na aldeia Patizal, para um mandato de 3 anos que, encerra se em setembro de 2014. Edmar informou que está cumprindo  o Estatuto da associação e pediu a colaboração e empenho de todos para conduzir e realizar o processo de indicação e escolha da diretoria para o triênio 2014/2017.
Leitura da ata. (foto: Antônio Veríssimo. Fev. 2014)
      Durante a reunião os caciques e lideranças manifestaram preocupação com a situação do atendimento à saúde, com fiscalização e proteção do território, a manutenção e recuperação das estradas internas de acesso às aldeias. Os caciques reconheceram as dificuldades que a diretoria enfrenta para realizar suas atividades e foram unanimes em apoiar o fortalecimento da organização na luta em defesa dos interesses coletivo do povo Apinajé.
      Diante de tantos desafios, todos se comprometeram trabalhar juntos na preparação e organização da assembleia eletiva, que foi confirmada para ser realizada no período de 09 a 12 de setembro de 2014, no local onde será construida a futura sede da associação; próximo à aldeia Irepxi. Ficou acertado ainda a busca de outras parcerias e apoiadores para realizar o evento.
      A reunião do Conselho Gestor do Programa Básico Ambiental-PBA Timbira, prevista para ser realizada no mês de março próximo, na aldeia São José, foi transferida para aldeia Mariazinha, em data a ser confirmada.


Aldeia Patizal, 21 de fevereiro de 2014.




Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

15 de fev. de 2014

MEIO AMBIENTE

JOVENS APINAJÉ E KRAHÔ, PARTICIPAM DE CURSO SOBRE PRODUÇÃO DE MUDAS

Cursistas Apinajé e Krahô, organizando viveiros.  (foto: Antonio Veríssimo. Fev. 2014)

        Nesta semana aconteceu na aldeia Prata, na Terra Indígena Apinajé, no município de Tocantinópolis, no Norte do Tocantins, a 1ª etapa do Curso Sobre Produção de Mudas. O Curso foi realizado com apoio do Serviço de Gestão Ambiental SEGAT/FUNAI/CR de Palmas (TO) e as aulas foram ministradas pela Engenheira Florestal, Luana Costa Nogueira, vinculada à ONG-Organização Não-Governamental, Rede Sementes do Cerrado.
       No período de 11 a 15 de fevereiro de 2014, pelo menos 25 jovens indígenas vindos  6 aldeias Apinajé e 2 representantes Krahô da aldeia Manuel Alves, localizada no município de Itacajá (TO), durante os 5 dias participaram de aulas teóricas (em sala) e práticas (em campo) e realizaram as seguintes atividades:
• “Dia 11/02/14» Planejamento, escolhas das espécies para produção e montagem do calendário fenológico baseado no conhecimento tradicional.
•  “Dia 12/02» Organização e marcação das árvores matrizes para coleta das sementes.
• “Dia 13/02» Marcação das árvores matrizes, organização dos viveiros, montagem das sementeiras, preparo do substrato.
Jovem Apinajé, fazendo marcação de matrizes. (foto: Luana Costa 
Nogueira. Fev. 2014)
• “Dia 14/02» Beneficiamento das sementes coletadas, semeadura indireta, enchimento dos saquinhos para montagem dos canteiros.
• “Dia 15/02» Produção de mudas para semeadura direta.
      Os alunos escolheram as espécies nativas como; bacuri, cajá, cupu açú, cacau, aroeira, jatobá, jenipapo e caju entre outras espécies para serem produzidas nos viveiros. E as mudas serão utilizadas para recuperação de áreas degradadas dentro das terras Apinajé e Krahô, plantio em quintais das aldeias e fortalecimento das atividades de produção e venda de polpas. Serão realizadas ainda expedições para coletas de sementes de espécies nativas do cerrado utilizadas por nosso povo para fins medicinais, alimentares e construção de casas.
     Advertimos que algumas tentativas de implantação de projetos nas aldeias Apinajé, não foram bem sucedidas por falta de formação continuada e assessoria técnica, portanto recomendamos que os cursos e oficinas de capacitação, devem persistir envolvendo cada vez mais os jovens estudantes; homens e mulheres.
      Durante essa 1ª etapa do curso, os cursistas foram assessorados também pelo biólogo Juliano Piloto do SEGAT/FUNAI/CR de Palmas e pelo técnico indigenista, Marcelo G. Brasil da FUNAI/CTL de Tocantinópolis (TO). O encerramento do curso será hoje dia 15/02/14, sábado. 

Terra Indígena Apinajé, 15 de fevereiro de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

14 de fev. de 2014

DIÁLOGO INTERÉTNICO E RELIGIOSO

BISPO DIOCESANO DE TOCANTINÓPOLIS VISITA ALDEIAS APINAJÉ
Plantações de mandioca na aldeia Prata. (foto: Antônio Veríssimo. Fev. 2014)
      No último dia 12/02/14, quarta-feira, o Bispo diocesano de Tocantinópolis, Dom Giovane Pereira de Melo, acompanhado pelo  Pe. Valber Dias Barbosa e pela missionária Terezinha Bueno de Moraes visitaram as aldeias Prata, Areia Branca, Patizal, Irepxi e Aldeinha localizadas na terra Indígena Apinajé, neste município no Norte do Tocantins.

A visita começou pela aldeia Prata, que fica localizada próximo à rodovia TO 210. Nesta comunidade, Dom Giovane e comitiva foram recebidos pelo cacique Elias Salvador Apinajé, que convidou os visitantes para conhecer um dos projetos de roças familiar que estão sendo implantados nas aldeias com recursos da compensação da UHE Estreito. Esses projetos foram propostos e estão sendo executados pela Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, em 25 aldeias.
Plantações de milho na aldeia Prata. (foto: Antônio Veríssimo. Fev. de 2014)
Depois de mostrar as plantações de arroz, mandioca, fava, abóbora e milho do projeto de sua aldeia, o cacique Elias Salvador Apinajé levou os visitantes para ver outro local onde está sendo implantado um viveiro, que irá produzir mudas de espécies nativas do cerrado, para recuperação de áreas degradadas, plantio dos quintais das aldeias Apinajé e Krahô e o fortalecimento das atividades de produção e venda de polpas.

A agenda mais importante dessa visita foi cumprida na aldeia Patizal, nesta comunidade Dom Giovane encontrou se com o presidente da Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ, Edmar Xavito Apinagé, que, na ocasião entregou lhe um documento requerendo da Caritas Diocesana apoio às atividades de extrativismo; coleta, beneficiamento e comercialização das polpas do bacuri e outras frutas nativas do cerrado. O religioso recebeu o documento e garantiu que irá buscar parcerias para apoiar essa proposta da associação.
  
Seguramente essa visita de Dom Giovane a esta Terra Indígena, reflete a visão da igreja católica em manter e fortalecer mais sua presença pastoral e missionária junto aos povos e comunidades mais empobrecidas e oprimidas do Brasil.

Terra Indígena Apinajé, 14 de fevereiro de 2014.



Associação União das Aldeias Apinajé-PEMPXÀ

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