POVOS INDÍGENAS DE GOIÁS E TOCANTINS APOIAM AS LUTA DOS POVOS TERENA (MS) E DO XINGÚ, TAPAJÓS E TELES PIRES (PA)



 
   
Em clima de solidariedade e amizade, celebramos a II Assembleia dos Povos indígenas de Goiás e Tocantins. (foto: Antônio Veríssimo/PEMPXÀ.2013)
    Somos 500 lideranças de mais de dez povos dos estados de Goiás e Tocantins, reunidos no acampamento da II Assembleia Indígena, em Palmas (TO), e queremos dizer que apoiamos as lutas travadas pelos Terena, do Mato Grosso do Sul, e os vários povos dos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires, no Pará.

     Aqui estamos debatendo os problemas que motivaram vocês, parentes Terena, a retomarem as áreas invadidas por fazendeiros na Terra Indígena Buriti. Nas nossas áreas também é assim; o latifúndio invade, rouba, destrói a natureza e a gente resiste e faz retomada. A Funai é lenta e o governo federal não quer ela forte, então só resta nossa luta de retomar e fazer valer nossos direitos.

    Preocupa que não é só a ação dos fazendeiros que ameaça nossas terras. Os grandes empreendimentos de energia também. Aqui na II Assembleia recebemos a informação de que 305 de nossos povos indígenas são impactados por 527 grandes obras, sendo que 263 delas são de energia, de usinas hidrelétricas. Nos nossos estados temos usinas construídas e que o governo quer construir, como Serra da Mesa (GO), Estreito (TO), Serra Quebrada (TO).

    Parentes, eles executam essas obras e nem nos consultam, como mandam as leis. E querem entrar nas aldeias é só para praticar violências e espalhar a morte, como fizeram com o pai de família do povo Mundurukú, que foi assassinado. Sabemos que aí no Pará a situação é muito ruim, mas também sabemos que vocês são guerreiros e resistem. A gente está vendo isso e apoiamos essas lutas. Não tem nada de Belo Monte ser fato consumado. Vocês transmite as forças para a gente aqui também lutar. Admiramos a luta de vocês e é com ela que vamos dar um basta nessas usinas de morte. 

    Isso forma uma rede de lutas, uma rede espiritual que nos une contra os Kupen (não-indios), que só nos fazem mal, que querem destruir nossos territórios sagrados para o lucro deles e de apenas uns poucos entre eles. Aqui nossas crianças morrem na barriga das mães. A gente passa sede e ameaças de morte, mas como vocês... não vamos desistir não!!! Estamos dispostos a dar nossas vidas pelas nossas terras. Os parentes sabem o que isso significa.

Pela terra indígena e contra as usinas hidrelétricas na Amazônia e no país!!!



Palmas (TO), 23 de maio de 2013.



Cordialmente:


    Os representantes do povos Xerente, Krahô, Javaé, Apinajé, Avá-Canoeiro, Krahô-Kanela, Karajá Xambioá, Tapuia, Karajá de Aruanã e Kanela do Tocantins, além de representantes dos  povos Pataxó Hã-hã-hãe, Xavante, Guarani e Xukuru-Kariri, presentes  na II Assembleia dos Povos Indígenas de Goiás e Tocantins. 

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